Dominação (Incarnate, 2016) – Crítica

Dominação pega ideias de A Origem e faz o pior com elas…

Gênero:
Terror
Direção: Brad Peyton
Roteiro: Ronnie Christensen
Elenco: Aaron Eckhart, Catalina Sandino Moreno, Carice van Houten, David Mazouz
Produção: Jason Blum, Jeanette Brill
Duração: 1h31
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 05/01/2017 (Brasil)

Sinopse: Um exorcista não convencional, que é capaz de entrar no subconsciente de uma mente possuída, conhece uma outra pessoa com a mesma capacidade enquanto confronta seu próximo caso, um garoto de nove anos de idade que está possuído por um demônio do seu passado.

Nota do Razão de Aspecto:

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O ano já começou com um forte candidato a pior terror da temporada. Não sou vidente, mas Dominação é, pelo menos, mais fraco que todos os longas que eu vi do gênero lançados em 2016, como por exemplo o fraco Satânico – se surgir algo pior em 2017, o ano será sofrível.  Os únicos elogios possíveis são: premissa potencialmente boa – se não fosse mal chupada do A Origem e a cena inicial que não é das piores: uma criança confrontando uma entidade aterrorizante – clichê e tendo como melhor recurso um jumpscare. Em suma: os dois pontos positivos vêm com grandes ressalvas. 
Quando mencionei A Origem como “inspiração” não foi à toa. A ação se passa quase toda em sonhos e há totens para garantir que a pessoa está acordada – além de uma confusão entre mundo onírico e real. As regras são postas ao bel prazer do roteiro e as portas de saída – neste caso literais – servem ao velho artifício ex machina. A “homenagem” ao filme do Nolan não foi a única. O letreiro inicial lembra um filme da Marvel – talvez uma tentativa de atrair, inconscientemente, a simpatia do público. 

A história como um todo é uma bagunça e recheada de subtramas – todas inúteis. Pense na função da representante do Vaticano ou então do amigo do protagonista. Ou na função de qualquer outro ali…Os clichês vão desde o pai alcoólatra, passando pela resolução dos problemas no segundo final, até a já citada entidade, “a mais forte que eu já vi”, dominando uma criança – algo muito melhor realizado em Invocação do Mal 2 e Ouija, ambos do ano passado. Essas duas obras citadas também usam de outros clichês, mas aí é que vai a diferença de saber se apoderar das coisas clássicas que funcionam em prol da narrativa – e até criar algo a partir daí – e simplesmente ter um check list do que deve constar em um filme de terror. 

Fica difícil bater o martelo sobre qual o item é pior em Dominação: a direção vazia, a fotografia escurecida – para criar um climinha, o som sussurrado e vazado ou o roteiro… aposto neste último. O começo da história é estranho, o segundo arco redundante, às vezes confuso, e a finalização usa de um plot twist dos mais batidos e previsíveis, alguém com um mínimo de bagagem saberá que quando tal acontecimento brotar em tela o real significado dele…

Toda a movimentação dos demônios segue a linha “elogiosa” do resto do filme. Dificilmente alguém vai se assustar, olhe que estou colocando o verbo assustar e não dar medo – medo é algo que passa-se muito longe aqui. Os dramas, na tentativa de gerar alguma empatia, falham por novamente se pautarem em pontos rasos e esteriótipos, além de serem apresentados e desenvolvidos com preguiça.  

Realmente fica nítida a participação de Aaron Eckhart (de muitos trabalhos, como o recente Sully) só para pagar as contas. Em alguns momentos ele parece até querer entregar algo, mas em outros soa um ar automático. O garoto David Mazouz (o jovem Bruce Wayne na série Gotham) aqui vai mal e não convence – seja nas cenas cotidianas, seja possuído – novamente citando Invocação do Mal 2, veja o trabalho da Madison Wolf.

Foi dito durante o longa que há destinos piores que a morte. Pelo menos Dominação foi eficaz em provar isso com os intermináveis 87 minutos. 

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