Netflixing: Blue Jay (2016) – Cinema em um parágrafo
Blue Jay é uma pérola de sensibilidade e sutileza como narrativa de um romance fracassado. Mark Duplass e Sarah Paulson têm a química perfeita como casal e nos entregam interpretações comoventes, capazes de nos fazerem sentir como se estivéssemos presenciando aquela conversa. E não se trata de um elogio vazio, já que o filme se baseia quase exclusivamente na interação dos dois personagens. Tudo no filme funciona perfeitamente; a fotografia em preto e branco cria a atmosfera de nostalgia que caracteriza aquele reencontro fortuito, a trilha sonora não é invasiva e se destaca tanto diegética quanto não diegeticamente, e a direção é sutil, mas atenta à simbologia nos mínimos detalhes. O primeiro instinto nos leva a comparar Blue Jay com a série de filmes de Richard Linklater ( Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite), mas o filme tem muito mais ecos da obra de Woody Allen, não o Allen dos últimos 20 anos, mas aquele de seus primeiros trabalhos, capaz de realizar obras primas como Annie Hall e Manhattan. Não se trata da emulação da técnica, mas, sim, da mesma capacidade de refletir um espirito de época sobre relacionamentos, nos moldes  de 2016. Nota 5/5

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