Amor no Divã (2016) – Crítica
Amor no Divã é mais um compilado de DRs com piadocas aqui e acolá. Funciona? Menos do que poderia…
Gênero: Comédia
Direção: Alexandre Reinecke
Elenco: Antônio Petrin, Arthur Kohl, Carol Mariottini, Daniel Dantas, Fernanda Paes Leme, Juliana Mesquita, Lucas Alexandre, Mary Mesquita, Melissa Vettore, Paulo Vilhena, Rafael Naves, Renato Caldas, Sarah Freitas, Sonia Guedes, Zezé Polessa
Produção: Fernando Alonso, Nelson Botter Jr.
Fotografia: Jacob Solitrenick
Montador: Duda Izique, Leon Mosditchian
Trilha Sonora: Zeca Baleiro
Duração: 85 min.
Ano: 2016
País: Brasil
Cor: Colorido
Distribuidora: Vitrine Filmes
Estúdio: Tortuga Studios
Classificação: 12 anos

Sinopse: Malka Stein (Zezé Polessa) é uma renomada psicóloga e terapeuta especializada em realizar terapias de casal e guiar casamentos para um lugar melhor. No entanto, após trinta anos do seu próprio casamento e com a chegada de um novo casal ao seu consultório, Malka começa a perceber que ela mesma pode estar precisando de uma terapia de casal.

NOTA DO RAZÃO DE ASPECTO:

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Clichês à parte, o grande problema do filme Amor no Divã é ser um filme. Essa quase contradição se justifica, pois da estrutura quase episódica, entrecortada por depoimentos, até os enquadramentos televisivos, tudo em Amor no Divã soa como uma série do Fantástico. O mote não é de todo ruim (sim, sendo bem generoso neste momento), contudo deixa a desejar em vários pontos na execução. Ideias não exploradas com todo o potencial cômico-narrativo, tal como a questão dos bonecos, fazem com que a experiência cinematográfica beire o maçante. 

O ponto mais fraco se dá em especial no último arco da história, onde o desfecho poderia ter transitado entre algo mais impactante, engraçado ou reflexivo, mas que entrega soluções pífias, improváveis e insossas. As cenas dos créditos finais, que não são nenhuma maravilha – e também têm falhas – deixam um gostinho um pouco menos agridoce que o encerramento de fato. Menos por méritos próprios e mais pela já citada conclusão que os personagens tiveram.

Há 4 casais na trama, dois servindo apenas como pacientes no tal divã. Estes são compostos por um homem e uma mulher já idosos que trazem a fórmula do sucesso, mesmo claramente tendo problemas. Uma piada veio como cópia de um casal que anos atrás viralizou na internet após darem uma entrevista na Record. As outras falas tem até potencial para um sorriso, mas vão pouco além disso. O outro casal é formado traz o acerto do roteiro ao mostrar um casal homossexual com a naturalidade devida, inclusive na questão da maternidade. Porém boa parte dos diálogos delas são nada marcantes e as atrizes deixam a desejar.

Já os casais principais, Zezé Polessa/Daniel Dantas e Fernanda Paes Leme/Paulo Vilhena, traçam um curioso-forçado-divertido paralelo entre eles. A situação vivida é espelhada para realçar um ponto: a falta de alteridade. Velhas questões como trabalho demais e sexo de menos são novamente trazidas. Há pouca criatividade nos tipos apresentados. Todavia, vemos alguma eficácia no retrato das relações e no subtexto de uma terapeuta de casais também ter problemas com o marido. Uma frase merece destaque positivo, ao tratar de como as relações são difíceis solta-se a pérola: “Não à toa o rivotril virou aspirina”.

A pior personagem é a interpretada pela Fernanda Paes Leme. Alguém achou engraçado (e espero que ninguém tenha achado verossímil) uma mulher formada em Estatística declamar dados a torto e direito… Coisas como 70% dos casais que fazem isso, acabam se divorciando ou apenas 10% das relações tem sucesso em tal empreitada… Olha, conheço muitas pessoas formadas na área e garanto que 105% não agem daquela maneira.

Amor no Divã desperdiça uma boa ideia. Prefere ficar no arroz com feijão do que oferecer algo a mais. Entra naquele limbo muito criticado de comédias românticas nacionais. Ele se boicota em alguns conceitos e até no propósito. As sessões no divã são, como frisadas pelos personagens, caríssimas. Em momento algum os ensinamentos justificam o preço. A última em especial tem um erro infame. O longa como um todo não é um destrate completo, graças a umas pílulas aqui e ali… Mas no fim, Amor no Divã precisa se tratar com remédios mais fortes que ele receita. 

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