O Vendedor de Sonhos (2016) – Crítica
Gênero: Drama
Direção: Jayme Monjardim
Roteiro: L.G. Bayão
Elenco: Cesar Troncoso, Dan Stulbach, Danielle Silva Antunes, Guilherme Prates, Leonardo Medeiros, Marcelo Flores, Marcelo Valle, Nelson Baskeville, Stela Freitas, Thiago Mendonça
Produção: L.G. Tubaldini Jr.
Fotografia: Nonato Estrela
Montador: Gustavo Giani
Duração: 95 min.
Ano: 2016
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 08/12/2016 (Brasil)
Distribuidora: Fox Film do Brasil / Warner Bros.
Estúdio: Filmland International / LG Tubaldini
Classificação: 10 anos
Sinopse: Júlio César, um psicólogo decepcionado, tenta o suicídio, mas é salvo por mendigo, o “Mestre”. A partir desse momento, uma amizade peculiar surge entre os dois e, logo, a dupla passa a tentar salvar pessoas ao apresentar um novo caminho para se viver.
Nota do Razão de Aspecto:

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O Vendedor de Sonhos vem para as telonas adaptado do livro de Augusto Cury. Não li o livro, portanto esta critica irá se ater à expressão cinematográfica. E o que está em tela é quase um amontoado de frases de efeito com o propósito de passar alguma mensagem de autoajuda. Ter esse objetivo pode por si ser questionado, contudo o que faz O Vendedor de Sonhos se candidatar à lista dos piores do ano é que ele traz um cinema raso, improdutivo nos principais quesitos, como direção, roteiro, atuação e montagem.
Praticamente todas as cenas são pouco naturais. A movimentação dos personagens não faz sentido em muitos instantes e temos uma das piores direções de figurantes do ano. Repare na cena, mais para o começo, onde um repórter vai entrevistar nossos protagonistas. Dificilmente só teria um veículo cobrindo aquele acontecimento ou os curiosos iam, calmamente, apenas tirar fotos com o celular, a comoção seria bem maior. Outro momento que merece o exemplo do destaque negativo é uma cena em um velório. Se coloque no lugar daquelas pessoas. Você acabou de perder um ente querido e vem três desconhecidos roubam a comida e propõem uma reflexão mirabolante. O que você faria: aceitar aquilo tudo e entrar no jogo ou ficar revoltado com a intromissão?

Os diálogos do de O Vendedor de Sonhos, em especial do próprio”vendedor”, também fogem de quaisquer relações com a realidade. Há uma grandiosidade, no tom e no vocabulário, que é tão artificial quanto vazia. E não só ele, o momento que é explicado o método socrático foi uma repetição robótica e mal ensaiada pelo bom ator Dan Stulbach. Quando dois funcionários da mesma empresa explicam um para o outro o quanto aquela instituição é bem rankeada na América Latina, temos um claro exemplo de exposição desnecessária para levar, de uma forma tacanha, uma informação para o público. Usar o clichê de reclamar da ausência das gordinhas em desfiles de moda – e criticar a indústria da moda como um todo – soa preguiçoso e batido.
O longa, deste ano, A Luz Entre Oceanos tem momentos reflexivos e duas frases em especial que levarei para a vida. Contudo, a mensagem vista ali é orgânica dentro da narrativa. Nesse sentido, O Vendedor de Sonhos se aproxima mais de um Deixe-me Viver – filme que apresenta a visão do espiritismo sobre o aborto, mas esquece de fazer um filme…
Leia as nossos textos sobre A Luz Entre Oeanos e Deixe-me Viver.
A Montagem de O Vendedor de Sonhos traz elipses, flashbacks e transições que deixam o roteiro, que já era ruim, quase nulo. Repare na repetição do recurso do bom dia não respondido ou em na passagem das cenas de como os melhores empresários lidam com o sucesso do novo messias. O derradeiro e capital momento do passado do Vendedor de Sonhos me fez soltar um riso de vergonha alheia, sendo que a clara intenção era ser altamente dramático. Reitero: todas essas cenas são pessimamente escritas e dirigidas, mas o jeito como elas foram organizadas atrapalha ainda mais.

Se você se contenta com frases soltas, que irão demostrar como está preso a uma “gaiola emocional”, delicie-se com coisas como:
“Ontem passou, temos o hoje pela frente e você pode fazer o que quiser”
“Não tenha medo do caminho, mas de não caminhar”
“Não sei o que me parou, mas hoje eu vou lutar com tudo que sou”
“O ser humano não morre quando o coração deixa de bater, mas quando deixa de se sentir importante”
Todas elas retiradas do filme, menos uma…a intrusa é advinda da música que encerra uma das temporadas de Dragon Ball Z…
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