Amor de Catarina (2016) – Crítica

Amor de Catarina é o novo filme com a Atriz/Youtuber Kéfera Buchmann

Gênero: Drama

Direção: Gil Baroni
Roteiro: Gil Baroni, Monica Rischbieter
Elenco: Bruna Louise, Ciliane Vendruscolo, Claudete Pereira Jorge, Greice Barros, Inezita De Mary, Kéfera Buchmann, Maicon Santini, Rafael Sanchez, Tiphany Schepanski
Produção: Andréa Tomeleri, Gil Baroni
Fotografia: Renato Ogata
Montador: Adriel Nizer Silva, Gil Baroni, Heidi Peters
Trilha Sonora: Alexandre Nero, Blindagem, Felipe Ayres, Leo Fressato
Duração: 95 min.
Ano: 2016
Cor: Colorido
Estreia: 17/11/2016 (Brasil)
Distribuidora: Europa Filmes
Estúdio: Ananã Produções
Classificação: livre

Sinopse: a vida de Rose (Greice Barros) não vai bem. E ela busca distração e inspiração nas telenovelas. O principal folhetim da época é “O Amor de Catarina” mostra a transformação de Catarina (Kéfera Buchmann), principalmente em relação ao casamento. Ambas as histórias contam com reviravoltas e acabam se cruzando. 
Nota do Razão de Aspecto: 
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Recentemente, Kéfera Buchmann, um dos grandes sucessos de público do Youtube brasileiro, arriscou-se na empreitada de atriz de cinema. Kéfera, que é formada em teatro, conseguiu levar parte dos seguidores dela na internet ao cinema com o É Fada! – a crítica dele você ler aqui, longa que co-protagonizou. Agora novamente ela vem como protagonista, mas da novela “Amor de Catarina” – programa que se passa dentro do filme homônimo.

Já que na realidade acompanhamos de modo primário a vida de Rose. A infeliz vida de Rose (Greice Barros), para ser mais preciso. A filha não a respeita e sequer conversa com ela, o marido a trai e ela não tem vigor para encarar as coisas (o olhar triste e a movimentação contida e até o fato de ser vegetariana coadunam com isso). À noite basicamente fica a acompanhar na televisão a vida de alguém mais interessante, exatamente Catarina. Ironicamente Kéfera vem novamente em um quase conto de fadas…

A partir das peripécias da trama ficcional, Rose vai se transformando também (há um momento, presente no trailer, que Rose coloca uma revista na altura do próprio rosto. E quem está na capa – emulando uma nova face – é Catarina). Ironicamente Rose já participara, décadas antes, de um comercial para TV, então vemos alguém que saiu da Televisão para ter/ser uma nova relação com a mídia. O longa tem esse objetivo claro: mostrar a influência – e quase uma confluência – da arte na vida. Em certo sentido o objetivo é atingindo. E não só a novela vem como esse elemento, outras artes também – notadamente a pintura. 
O grande problema do filme é basicamente todo o resto…. O baixo orçamento – para os padrões cinematográficos – de 180 mil atrapalhou. A inexperiência da direção, na estreia em ficção, do Gil Baroni, também. A condução erra na mão nos movimentos de câmeras, iluminação e ambientação. E em dar mais peso aos momentos capitais da história – estes previsíveis e pouco interessantes, aí um problema de roteiro. Os cenários são muito poluídos e deixam a desejar na imersão da época. A tentativa de criar algo lúdico também no mundo “real” fica torta. O som e a paleta de cores, diferenciada em cada ambiente, soam básicos e formulaicos.

A novela passada dentro da história é exagerada, clichê e traz uma carga emocional duvidosa, ou seja é bem novelesca mesmo. Há o uso de cliffhangers e dos atores falando para a câmera, notadamente Catarina. Tal retrato funciona. O recurso foi usado em Joy – O Nome do Sucesso também, mas lá com menos força. Aqui há momentos que parece que Catarina está falando diretamente com Rose. Kéfera, portanto, foi bem escalada, pois mesmo fazendo algo diferente da comédia (recurso bem explorado no É Fada!) pode trabalhar o drama de uma forma caricata, sem parecer errado. E tal como no longa anterior da atriz, ela é destaque aqui. Espero, sinceramente, vê-la em produções melhores.
Os demais atores, e até os respectivos personagens, sobram na história. Tal como o visual, há um excesso nada bem-vindo aqui. Os personagens secundários são mundanos e ao mesmo tempo quase alegóricos. As transformações, ocasionadas por eles, na vida da Rose são muito marcadas. A grande ideia do filme fica rapidamente redundante. A caricatura aqui já não funciona tão bem. Há detalhes na trama que poderiam ser cortados e estão ali para tentar dar uma complexidade. 
Amor de Catarina tenta construir personagens mas peca por uma certa grosseria naquele desenvolvimento. Carece de um primor técnico e narrativo que afetam a experiência como um todo. Será que o nome Kéfera conseguirá levar o público dela mais uma vez sendo que desta eles não são o público-alvo? Aliás, será que o público de internet sentirá empatia por uma trama televisiva? Daqui a alguns anos teremos um longa semelhante, mas mostrando a relação com as mídias atuais?
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