Netflixing: Sennentuntschi (2010) – CRÍTICA
Sennentuntschi é um complexo e apavorante conto folclórico, onde uma excelente interpretação e um roteiro criativo vão te deixar na ponta da cadeira até o fim do filme.


Gênero: Terror

Direção: Michael Steiner
Roteiro: Stephanie Japp, Michael Sauter, Michael Steiner
Elenco: Roxane Mesquida, Andrea Zogg, Carlos Leal, Nicholas Ofczarek
Produção: Bernd Burgener
Fotografia: Pascal Walder
Trilha Sonora: Adrian Frutiger
Ano: 2010
País: Suíça
Cor: Colorido
Duração: 110 min



Sinopse: Três camponeses entorpecidos por absinto, por falta de companhia feminina, resolvem criar uma mulher com uma vassoura, um pouco de palha, e alguns trapos de roupas. Em um vilarejo próximo, um frei se suicida e uma misteriosa mulher aparece ensanguentada, e muda.


Nota do razão de aspecto:

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Como alguém que assistiu praticamente todos os filmes de terror da Netflix nacional, sempre aguardo ansiosamente as novidades, mesmo que a maioria seja de qualidade questionável.
Mas Sennentuntschi foi uma agradável surpresa. É um filme baseado em uma lenda folclórica européia (assim como  A maldição da floresta) e por isto traz um monstro bastante atípico e familiar ao mesmo tempo. É uma mistura de golem com sucubus, um constructo artificial feito via magia negra para satisfazer perversões sexuais, mas que leva os homens a maldição.

O filme não dá muito tempo para o telespectador se preparar: a ação e o terror começam nos primeiros minutos, sem frescura nem disfarce. Mas ao mesmo tempo reserva o espaço necessário para conhecermos o policial Sebastian Reusch (interpretado por Nicholas Ofczarek), e como a sensibilidade e empatia dele destoam da superstição e do fanatismo religioso do resto de seu vilarejo. 
E no meio deste conflito temos a misteriosa mulher sem nome, interpretada de forma brilhante por Roxane Mesquida. Completamente muda, ela consegue dar inúmeras tonalidades emocionais e um constante desespero e medo apenas com gestos, olhares e grunhidos. Ao mesmo tempo a sensualidade e sexualidade de sua personagem estão sempre presentes, mas de forma incômoda, às vezes animalesca e até repulsiva. O contraste disto com a empatia filial de Reusch, o medo superticioso dos membros do vilarejo e o desejo repulsivo dos camponeses é o centro dramático do filme.

Os alpes suíços são o cenário perfeito. Além de belíssimos, temos o contraste do claustrofóbico vilarejo, onde a mulher misteriosa se retrai como um bicho acuado, e a montanha, com seus espaços abertos, onde a personagem título se manifesta.

E a constante dúvida acerca da natureza da personagem de Mesquida, junto com o crescendo que leva todos os personagens a uma espiral de violência física e sexual nos carrega para uma apoteose final onde todas as expectativas de cada personagem e do espectador são testadas, até um final explosivo e trágico. 

Como é baseado no folclore, Sennentuntschi tem um tom claramente moralista, e um tanto misógino ao retratar o feminino como corrupção do masculino, mas o filme rompe um tanto com isto ao retratar a religião como um elemento de mais conflitos, e não resolução, e com um final onde até a inocência é punida. 


Um agradável conto para dormir com pensamentos desagradáveis.
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