5º Brasília International Film Festival – Sétimo dia – A composição



Depois de dois dias de sentida ausência, o Razão de Aspecto retorna a cobertura do 5º BIFF. E o retorno foi muito bem recompensado. O filme escolhido do do sétimo dia foi:

A composição – Mostra competitiva de ficção

Ficha técnica completa aqui:


A composição é uma belíssima ode à arte e a música, apesar de esbarrar em temas complicados e polêmicos. Trata-se da história de uma aluna de música erudita que não consegue ser selecionada para uma bolsa de estudos, e acaba recorrendo a prostituição para financiar seus estudos e encontrar inspiração artística para uma nova composição.
O uso de trechos musicais da composição a ser construída, junto com sons urbanos, e algumas músicas inseridas de forma diegética, pelas mais diferentes personagens possíveis, combinado com padrões visuais abstratos, texturas, e um interessante percorrer da câmera pelos diversos cenários, ora em foco, ora não, dá uma interessante sensação sinestética. Não apenas ouvimos a música e os ruídos, sentimos, tateamos e vemos a música surgindo na mente da protagonista, e nos sentimos boa parte do tempo convencidos de estarmos sentido e acompanhando um genuíno processo de criação musical, não de forma externa, mas de dentro da personagem Malorie. Nos sentimos dançando na música interna da mente de Malorie.
Joslyn Jensen não teve um trabalho fácil a fazer com Malorie, pois a personagem tem poucas falas, e esta exposta constantemente a planos fechados em seu rosto, ou em trechos de seu corpo. Mas a atriz consegue transmitir de forma muito convincente todo a dubiedade da descoberta de uma nova voz artística junto com a decadência corporal e mental de se envolver com a prostituição.
E a prostituição é parte central do filme, então prepara-se para cenas de nudez, sexo (não explícito), violência sexual e parafilias. E não há no filme nenhuma glorificação disto, sendo a nudez e o sexo nada sensuais, e sim incômodas e estranhas. 
O terceiro elemento do filme é o feminismo, presente deste a frase inicial até a final. E aqui novamente o filme é dúbio. Malorie sofre um processo de degradação de corpo e mente para poder se empoderar como mulher, aluna, música e compositora. 
É um filme ousado em vários aspectos, no tema, na estrutura narrativa que se divide em quatro, e não três atos, na falta de delicadeza ao expor o tema do sexo, e na delicadeza ao expor o tema da arte. Algumas pessoas com certeza se incomodarão pelo tema, mas é uma obra belíssima que merece nosso silêncio e atenção para escutá-la. Nota 4,5/5.

Confira como foram os dias anteriores do festival aqui:
Cerimônia de Abertura
Segundo Dia
Terceiro Dia
Quarto dia

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