5º BRASÍLIA INTERNATIONAL FILM FESTIVAL – BIFF – TERCEIRO DIA

E chegamos ao terceiro dia de Festival Internacional de Cinema. Além dos filmes, o destaque deste domingo foi a exposição Brasil Van Goghiano, do artista plástico Rodrigo Nardotto, que acontece ao lado dos cinemas do Liberty Mall. Além dos belos quadros, tive a oportunidade de conversar com o artista, figura muito simpática e carinhosa.
Os filmes que pudemos conferir no terceiro dia foram:
Barash- O amor bate à sua porta – Mostra Competitiva de Ficção
Ficha técnica completa aqui.
Inevitável comentar o subtítulo O amor bate a sua porta. Com certeza não sou o único que questiono o gosto de tradutores de títulos de filmes para o Brasil. O título original é apenas Barash, e o complemento do título no Brasil não só é estereotipado como não é muito honesto com a essência do filme. Barrash conta a história de uma jovem israelense que em meio a uma crise familiar se envolve com álcool, drogas, e uma paixão que a faz rever sua sexualidade. O filme aborda temas complexos e polêmicos, como racismo, homossexualidade, conflito de gerações, e traz um retrato tocante da sociedade israelense atual. A interpretação das duas atrizes principais é comovente e ao mesmo tempo incômoda. A trilha sonora consegue dar um tom jovem e ao mesmo tempo conduzir o tom de forma madura. E o que mais surpreende é a naturalidade e sensibilidade com que o diretor aborda temas intensos. Não é fácil falar sobre estes assuntos sem assumir tons de discurso ou denúncia, mas Barash em nenhum momento sai do drama psicológico para virar panfletário. Esqueça o subtítulo, não se trata de uma busca pelo amor, mas sim de uma jovem tentando entender a si mesma. Nota: 4/5.

Escada para o paraíso – Mostra Competitiva de Documentário
Ficha técnica completa aqui.
Não, o filme não é sobre uma música do Led Zeppelin. Escada para o paraíso acompanha uma turma de alunos sherpas da Tibet Climbing School, escola que forma guias e auxiliares de alpinistas que tentam escalar o Monte Everest. Além da fotografia deslumbrante, o filme retrata de modo comovente o encanto e mistério que os grandes montes causam nos alpinistas, a importância psicológica, cultural e religiosa que o Everest representa para a comunidade local, e as dificuldades, riscos e recompensas que envolvem as tentativas de se chegar ao topo do mundo. Um documentário para inspirar o alpinista que vive dentro de nós a superar nossas montanhas. E o primeiro documentário que vi com cenas após os créditos, uma agradável surpresa. Nota: 5/5

Três homens em conflito – Mostra Sergio Leone
Ficha técnica completa aqui.
E terminamos de assistir a famosa trilogia dos dólares. Se Por um punhado de dólares e Por uns dólares a mais já são filmes fantásticos, Três homens em conflito consegue até mesmo superar seus dois antecessores. Temos uma produção com mais recursos, com maior número de figurantes, sets de filmagem mais elaborados e cenas que não deixam a dever para épicos estilo espadas e sandálias como Ben-Hur. Além da temática similar aos filmes de samurai de Akira Kurosawa, tema típico dos faroestes italianos, temos a inclusão da Guerra Civil Americana, que dá um tempero bem ocidental e histórico a trama. As interpretações de Eli Wallach, Lee Van Cleef e Clint Eastwood são memoráveis, em especial no trielo (existe uma palavra específica para um duelo a três?) final, cena que entrou para história do cinema. A trilha sonora de Ennio Morricone é outro clássico, e é reconhecida até hoje mesmo por pessoas bem mais jovens que o filme. Um clássico que fica difícil dar apenas 5 estrelas, merecendo portanto Nota: 6/5. Trapacear na nota vai bem de acordo com o “herói”, Blondie. Vale comentar que o filme é tão icônico que parodiei o título original, mesmo ainda não tendo visto o filme na época, na minha crítica de Deadpool.

Confira como foram os dias anteriores do festival aqui:
Cerimônia de Abertura 
Segundo dia

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