PEQUENO SEGREDO (2016) – CRÍTICA

Pequeno Segredo se boicota a todo instante e desperdiça uma boa história. 

Gênero: Drama
Direção: David Schürmann
Roteiro: David Schürmann, Marcos Bernstein, Victor Atherino
Elenco: Erroll Shand, Fionnula Flanagan, Júlia Lemmertz, Marcello Antony, Maria Flor, Michael Wade, Ryan James
Produção: David Schürmann, João Roni, Vilfredo Schürmann
Fotografia: Inti Briones
Montador: Gustavo Giani
Trilha Sonora: Antonio Pinto
Ano: 2015
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 10/11/2016 (Brasil)
Distribuidora: Diamond Films
Estúdio: Ocean Films / Schurmann Film Company

Sinopse: o encontro da história da família Schurmann, notadamente de Kat, uma jovem portadora do vírus HIV, com o romance e os dramas do casal Robert (neozelandês) e Jeanne (amazonense). Mais do que a vocação náutica, outros segredos unem aqueles personagens. 
Nota do Razão de Aspecto:

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Pequeno Segredo se envolveu em uma polêmica ao vencer a disputa para tentar uma vaga para o Brasil no Oscar. Aquarius vinha como favorito, dado o burburinho que causara em Cannes. Em uma votação recheada de controvérsias o longa da família Schurmann venceu. Não gostei tanto de Aquarius quanto a maioria dos críticos (o Mauricio Costa deu nota máxima, por exemplo), contudo não há dúvidas que a obra protagonizada pela Sônia Braga é muito superior a Pequeno Segredo.  

O jeito como a trama é apresentada quebra, não só o ritmo, como quaisquer surpresas ou força dramática. Impossível resistir ao trocadilho: não há pequeno segredo que sobreviva. Três núcleos são postos em tela. A transição entre eles só não soa mais forçada que a conexão estabelecida. Na tentativa (fracassada) de ocultar o desenlace vemos uma total falta de sinergia nas histórias. Cogito até que não houve intenção de segurar o mistério do filme, já que muita coisa é revelada nos minutos iniciais e no trailer oficial. Se a ideia aqui é só uma exposição melodramática da relação de Kat com aqueles que a cercavam, então houve outro tiro n’água.   

A montagem escolhida pela direção é um misto de confusão, obviedade e um mal acabamento proposital que cai naquele boicote que mencionei anteriormente. Algumas cenas terminam do nada – o pior: isso é intencional. A coisa é tão ruim que dá uma sensação constante que você dormiu e perdeu algo… Além disso me questiono da necessidade de alguns (muitos) momentos… e outros importantes não serem mostrados graças uma estranha opção do diretor de contar a história misturando linhas temporais – sem coerência. E essa truncagem é um dos piores problemas aqui, mas não é o único.

O primeiro arco, responsável por apresentar as figuras, só distancia o público da narrativa. A história tem potencial para um bom drama. Contudo, graças a um roteiro atrapalhado, vemos apenas melodrama insosso, previsível e com muitos furos. Nem todo filme que apela para o sentimento tem um resultado desastroso. Dois ótimos exemplos recentes mostram que é possível dialogar com o público por uma via emocional, A Garota no Trem e A Luz Entre Oceanos.

Qual o sentido do personagem Robert transitar entre o inglês e o português ao bel prazer da trama? E os que estão em volta dele seguindo o idioma que ele quis usar…. E cabe a pergunta: as legendas eram necessárias inclusive quando o personagem falava português? Cadê os outros filhos do casal Heloísa e Vilfredo? Eles são mostrados em uma cena e depois somem… Como o outro casal, Robert e Jeanne, ficou junto ( eles eram desconhecidos e do nada já estão se beijando)? Isso sem contar as muitas falas piegas, mal escritas e soltas. E vários momentos permeados por uma narração em off que denotam falta de criatividade e uma necessidade de se apoiar na exposição.

 


Pieguice que vemos também na fotografia e trilha. Inegavelmente Pequeno Segredo possui belas imagens, como também é verificado no trailer. Mas não podemos confundir paisagens exuberantes com uma boa fotografia, há um ar plastificado que irrita os olhos. A trilha desde o primeiro instante “mia” e não tarda para querer gritar com o intuito de reforçar o drama. Faltou, portanto, sutileza no trato do tema.
Quanto às atuações, finalmente vale um elogio. Júlia Lemmertz, que faz a mãe de Kat, consegue transmitir as preocupações de uma mulher tendo que lidar com a grave doença da filha. Toda a cena que ela está presente tem um peso diferenciado. E os méritos dos atores param por aí… Maria Flor também poderia ser elogiada, contudo a trama a atrapalha tanto que fica complicado avaliar (e o que foi aquela maquiagem? Se o objetivo era uma atriz com a pele mais morena, então a escolha do casting foi errada). A jovem Mariana Goulart vai razoavelmente bem nas cenas do dia a dia, aquelas que não oferecem grandes desafios. Contudo, em situações mais dramáticas ela falha e não passa a confiança e o vigor necessários. Marcello Antony tem um personagem inexplicavelmente nulo. Se ele tiver um minuto de fala é muito. Fionnula Flanagan faz uma quase vilã de novela mexicana que vai do preconceito pelo preconceito até uma insanidade afetada.A escolha de Pequeno Segredo para representar o Brasil soa, no mínimo, como uma piada de mau gosto. Ponto Zero, Campo Grande, Big Jato, Mais Forte que o Mundo e Aquarius seriam opções melhores. O péssimo gosto nas escolhas, uma execução ruim (em meio há uma bela produção) e um auto boicote constante fazem Pequeno Segredo ter uma nota menor que É Fada!

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