CORRENTE DO MAL (IT FOLLOWS, 2014) – ESPECIAL DE DIA DAS BRUXAS
Corrente do Mal é um clássico instantâneo.
 
Gênero: Terror
Direção: David Robert Mitchell
Roteiro: David Robert Mitchell
Elenco: Bailey Spry, Carollette Phillips, Charles Gertner, Daniel Zovatto, Debbie Williams, Jake Weary, Keir Gilchrist, Leisa Pulido, Lili Sepe, Linda Boston, Loren Bass, Maika Monroe, Olivia Luccardi, Ruby Harris
Produção: David Kaplan, Erik Rommesmo, Laura D. Smith, Rebecca Green
Fotografia: Mike Gioulakis
Montador: Julio Perez IV
Trilha Sonora: Rich Vreeland
Duração: 100 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 27/08/2015 (Brasil)
Distribuidora: Califórnia Filmes
Estúdio: Animal Kingdom / Northern Lights Films

 

Classificação: 14 anos
Sinopse: Algo apavorante está rondando os adolescentes de um subúrbio de Detroit. A bela Jay, de 19 anos, não parece perceber: ela aproveita o outono ao lado de sua irmã Kelly, de seus amigos de escola e de seu novo namorado, Hugh, com quem faz sexo pela primeira vez. Após o ato, porém, ela não consegue evitar a sensação de que alguém – ou algo – está seguindo todos os seus passos. À medida que a ameaça torna-se mais real, Jay e seus amigos descobrem que ela se tornou o principal alvo de uma força macabra e inexplicável. 

Nota do Razão de Aspecto:
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Mais uma vez, nossos leitores decidiram qual seria a crítica do nosso especial. Para o Dias das Bruxas, Corrente do Mal venceu por um voto uma disputa acirrada com Halloween (1978), o clássico do terror dirigido por John Carpenter. Não acredito que tenha sido uma escolha incidental, muito menos acho que o filme não mereça ter vencido a enquete. Pelo contrário, Corrente do Mal é o que se pode chamar de um clássico instantâneo no gênero de terror. O filme, inclusive, entrou na nossa lista de melhores filmes do ano.
Corrente do Mal tem uma excelente premissa: uma maldição, ou uma doença, sexualmente transmissível, da qual você somente pode livrar-se se transmitir a outra pessoa. Além disso, a única pessoa que pode ver o monstro, ou o que quer que ele seja, é a própria vítima. Aquelas que cercam os personagens amaldiçoados podem senti-lo fisicamente, mas não podem vê-lo. Há diversas interpretações possíveis, de acordo com a ênfase dada pelo intérprete: psicologicamente, simboliza os medos interiores; psiquiatricamente, um possível distúrbio mental coletivo; socialmente, uma referência à proliferação da AIDS. As possibilidades são muitas e dão a este excelente filme um grau de densidade incomum para filmes de terror.
Para além da simbologia, Corrente do Mal resulta em filme muito acima da média em todos os quesitos. Sem fazer uso de sustos “telegrafados” e desnecessários, o diretor David Robert Mitchell construiu uma narrativa angustiante, com diversas cenas que, certamente, se tornarão icônicas para o cinema de terror. As minhas duas cenas favoritas são a do cinema (“aquela mulher de amarelo”) e o confronto na piscina. Nessas cenas (e em quase todas as outras), a trilha sonora não foi intrusiva, e o espectador pode ter exatamente a mesma experiência do personagem. Particularmente, esse recurso enfatiza o medo que sentimos daquela situação.
A Corrente do mal também merece destaque pela fotografia, pela trilha sonora e pelas locações. Os movimentos de câmera são precisos, e a opção de evitar cortes e de realizar os diálogos de plano e contra-plano com o movimento de câmera ajuda a construir a atmosfera angustiante, no melhor estilo de John Carpenter. A trilha sonora com ênfase nos sintetizadores também nos remete às obras do diretor de Halloween e de The Thing. Além disso, as paisagens desoladas de Detroit são o lugar perfeito para narrar uma história de desolação e desespero.
Corrente do Mal faz nos importarmos com a protagonista, em uma interpretação inspirada de Maika Monroe, e ingressar naquele universo. O filme se inspira e faz referências aos grandes clássicos do terror dos anos 1970 e 1980, mas, ao mesmo tempo, dá um sopro de originalidade para um gênero tão maltratado por Hollywood.

 

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