Raman Raghav 2.0 (2016) – Netflixing

Raman Raghav é um excelente filme capaz de romper preconceitos em relação tanto ao estereótipo quanto a qualidade dos filmes de Bollywood.

Gênero: Suspense, Policial
Direção: Anurag Kashyap
Roteiro: Anurag Kashyap, Vasan Bala
Elenco: Nawazuddin Siddiqui, Sobhita Dhulipala, Vicky Kaushal
Produção: Anurag Kashyap, Vikas Bahl, Vikramaditya Motwane, Madhu Mantena
Trilha Sonora: Ram Sampath
Fotografia: Jay OzaDuração: 133 minutos
Distribuidora: Phantom Films
Ano: 2016
País: Índia
Cor: Colorido
Orçamento: US$ 520.000,00

Sinopse: Raman Raghav foi, na vida real, um assassino serial que agiu na década de 60 do século passado na cidade de Mumbai, e deixou 41 vítimas. O filme conta a história de Raman, um psicopata que imita o famoso serial killer, e Raghav, o policial que investiga a nova série de assassinatos.
Nota do Razão de Aspecto:
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Eu fugia de filmes de Bollywood como o diabo foge da cruz. Minha visão dos filmes hindus era formada principalmente com base em memes e vídeos do Youtube, onde músicas estranhas e coreografias patéticas provocavam risos de superioridade em nós, ocidentais, que sabíamos o que era “cinema de verdade”, ao contrário daquelas pantomimas.
Resolvi assitir Raman Raghav 2.0 apenas por ser uma estréia recente no Netflix (estreou em 15 de outubro) e como um desafio pessoal de tentar abranger cada vez mais estilos diferentes de filmes para enriquecer o conteúdo do blog.  Além disto, o filme tinha ido para Cannes este ano e tem bons reviews em alguns sites de internet. Mesmo assim, esperava ou algo tão ruim que me fizesse rir, ou duas horas de sofrimento, mas fui pego de surpresa. 
Não que Raman Raghav 2.0 seja uma obra prima do cinema, mas se trata de um suspense policial competente, criativo, e com um roteiro bem diferenciado do que estamos acostumados.
O primeiro choque que tive foi ver que em nenhum momento do filme há elementos do gênero musical. Apesar das músicas da trilha sonora terem destaque pronunciado em várias cenas, em nenhum momento temos personagens cantando e dançando, como 90% das pessoas esperariam de qualquer filme de Bollywood. Além disto, o filme é extremamente dinâmico e tenso, jamais apelando para o humor ou melodrama barato. 

O tema do filme é bem psicológico e pesado, e não há nenhum maniqueísmo, nenhuma luta do bem contra o mal. Raman é claramente um assassino terrível, mas o policial que o persegue nada tem de heróico. Um dos grandes incômodos (no bom sentido) do filme inclusive é a falta de referência para se “torcer a favor”, pois os únicos personagens positivos são vítimas de uma espiral bastante violenta. 
O filme se divide em 8 capítulos, onde Raman e Raghav vão se tornando cada vez mais assemelhados, e esta aproximação é contada de forma de tragédia grega, de destino inevitável.
A filmagem de guerrilha utilizada para as cenas urbanas em Mumbai dão um ritmo bem acelerado ao filme, as vezes um pouco acelerado demais, mas não a ponto de ficar confuso. E o realismo obtido para as cenas de favelas e bairros de classe baixa impressiona. Como curiosidade, Siddiqui, o ator que interpreta Raman, chegou a adoecer  e ser hospitalizado devido a insalubridade dos sets de filmagem, e sua esposa diz que ele repetia as falas em delírios de febre.
Apesar de todos estes pontos positivos, o choque cultural e a limitação de recursos se faz sentir. As interpretações são bastante cartunescas, exageradas, mas de forma proposital.  Por vezes o roteiro exige mais ingenuidade do que de costume para mantermos a suspensão de descrença. O baixo orçamento e o tempo limitado de filmagem (as filmagens duraram apenas 20 dias) deixaram suas marcas em alguns momentos, com cenários de má qualidade, e alguns erros de continuidade e de edição. E o constante retrato de relacionamentos abusivos com mulheres pode incomodar alguns, mas para mim soou mais como denúncia do que apologia ao sexismo.
A trilha sonora é mais intrusiva do que estamos acostumados nos filmes ocidentais, e, mesmo sem danças, as vezes toma a frente da narrativa, de um modo um tanto forçado. Mas são músicas eletrônicas bem modernas, interessantes, tensas, e funcionam dramaticamente.
De qualquer forma, a criatividade do roteiro e o rimo da narrativa superam os defeitos, e fazem com que  Raman Raghav 2.0 seja uma experiência cinematográfica exótica, mas bem agradável.

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