TERRA ESTRANHA (2015) – CINEMA EM UM PARÁGRAFO
Terra Estranha, primeiro longa da diretora australiana Kim Farrant, teve sua estreia mundial na mostra competitiva do Festival de Sundance 2015. Estrelado por Nicole Kidman e Joseph Fiennes, o longa acompanha as consequências do desaparecimento dos dois filhos do casal protagonista, após uma tempestade de areia, em uma cidade minúscula no deserto australiano.  A premissa desenvolve duas tramas paralelas: as consequências do desaparecimento do filhos para aquele casal e a investigação. Terra Estranha, portanto, é, ao mesmo tempo, estudo de personagem e filme de mistério. Como estudo de personagem, o filme funciona, principalmente em função do excelente desempenho de Nicole Kidman, em uma interpretação memorável de uma mãe cheia de contradições, de estado mental alterado pela rejeição do marido, e Joseph Fiennes, que expressa as contradições e o desespero daquele pai, de forma não deixar nenhum espectador indiferente a sua dor. Como filme de mistério, Kim Farrant errou a mão, inseriu elementos demais, resolveu poucos deles e optou por uma resolução frustrante. Não acho que finais abertos sejam necessariamente ruins. Em geral, costumo gostar de filmes desse tipo, mas, neste caso, mais do que ambiguidade, Terra Estranha apenas não fechou o arco principal. Apesar dos problema e do ritmo lento, trata-se de um filme visualmente lindo, cuja fotografia explorou a secura do deserto em planos aéreos espetaculares. Como ponto positivo, o filme nos faz pensar e debater por horas após a sessão, ainda que quanto mais pensemos mais percebamos as fragilidades do roteiro. Mesmo assim, trata-se de um efeito que a maioria absoluta do longas-metragem não consegue causar. É impossível ficar indiferente à Terra Estranha. Nota 3,5/5.
 
 
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