AO MESTRE COM CARINHO (1967) – ESPECIAL DIA DOS PROFESSORES – CRÍTICA
Vocês votaram e a gente atende !   
Perguntamos aos Razoáveis pelo Twitter qual o melhor filme com  professores inspiradores. Eis nosso presente para os profissionais mais importantes da sociedade:
Gênero: Drama
Direção:  James Clawell
Roteiro: James Clawell, baseado no livro de E.R.Braithwaite
Elenco: Sidney Poitier, Cristian Roberts, Judy Geeson, Suzy Kendall, Ann Bell, Geoffrey Bayldon, Faith Brook, Patricia Routledge, Chriss Chittell, Adrienne Posta
Produção: James Clawell e John R.Sloan 
Fotografia: Paul Beeson
Trilha Sonora: Ron Grainer
Montagem: Peter Thornton
Duração: 105 min
Ano: 1967
País: Reino Unido
Cor: Colorido
Estúdio: Universal Pictures
Informação complementar: Canção tema por Lulu

Sinopse: Professor idealista em seu primeiro emprego tem de lidar com jovens problemáticos em escola no subúrbio de Londres.
Nota do Razão de Aspecto:
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O que faz um filme de quase 50 anos de idade ser lembrado por pessoas que nem haviam nascido quando do seu lançamento ao elaborar uma enquete?  E o que faz esse mesmo filme ganhar, com folga, essa enquete, mesmo concorrendo com obras espetaculares, como Sociedade dos Poetas Mortos?
Nem os produtores entenderam direito quando Ao mestre com carinho conquistou as audiências em 1967. Escrito e dirigido por James Clavell (mais conhecido por ter escrito Shogun), com base em um livro do britânico (nascido na Guiana) E.R.Braithwaite, o filme conta a história de um professor idealista que tem de lidar com uma classe de alunos problemáticos em uma escola no subúrbio de Londres. Os realizadores do filme, à época, fizeram uma pesquisa sobre qual o motivo de tantas pessoas terem se atraído pelo filme, e a resposta predominante foi “Sidney Poitier”.

Natural das Bahamas, a ator Sidney Poitier foi enviado aos 15 anos (média de idade dos estudantes do filme…) para viver com seu irmão nos Estados Unidos,  em razão dos constantes problemas em que se envolvia em sua terra Nassau natal. Ele conheceu, na vida pessoal, a pobreza, a carência de uma boa educação, e o desemprego. 

Tudo isso parece ter possibilitado a construção de um papel inesquecível na história do cinema, o do Professor Tackeray. Revestido de uma aura de  honra e dignidade, empatia pelos alunos e profunda dedicação ao magistério, Tackeray tornou-se e permaneceria, para os espectadores do filme, uma especie de arquétipo do professor ideal, que todos gostariam de ter – e que só viria a ser ameaçada mais de 20 anos depois, pelo John Keating de Robin Williams.
Produto marcante do seu tempo, o filme foi banido na África do Sul por ter sido considerado “ofensivo um professor negro ensinar uma classe de crianças brancas”. Mesmo que não fosse tão bem executado, só esse fato, aliado à coragem de apresentar um protagonista negro no auge dos conflitos nos EUA pelos direitos civis dos negros (o “longo verão” de 1967) já daria ao filme um lugar definitivo na história do cinema.
“But how do you thank someone who has taken you from crayons to perfume?
It isn’t easy, but I’ll try”
Além de Poitier, outro ícone eternizado pelo filme é a canção “To sir with love” de Lulu, que se tornaria hino de homenagens a professores em formaturas mundo afora, que foi regravada (bem dignamente em termos de letra, diga-se) no Brasil pela banda infanfil Os Abelhudos (e por Eliana  tempos depois).
Ao mestre com carinho é um filme trata de amadurecimento, da amizade possível e necessária no ambiente de aprendizagem, e seu segredo é ser profundamente humano. Prepare-se para as lágrimas no final, sem que o filme precise apelar para o pieguismo ou tragédias. Faz ter saudade de todos os professores que nos ensinaram a ser pessoas melhores, que tanto são esquecidos ou pouco reconhecidos. Para vocês, mestres, todo o carinho do Razão de Aspecto. 
por D.G.Ducci
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