Netflixing – ARQ (2016) – Crítica

Netflix mais uma vez acertando em suas produções, desta vez com um excelente suspense de ficção científica.

Gênero: Ficção Científica, Suspense.
Direção: Tony Elliot
Produção: John Finemorea, Kyle Frankeaa, Mason Novick, Nick Spicer
Roteiro: Tony Elliot
Elenco: Robbie Amell, Rachael Taylor, Shaun Benson, Gray Powell, Jacob Neayem, Adam Butcher
Trilha sonora: Keegan Jessamy, Bryce Mitchell
Fotografia: Daniel Grant
Edição: Kye Meechan
Distribuidora: Netflix

Sinopse: Renton e sua namorada, Hannah, são atacados em seu quarto por um grupo de três homens mascarados e extremamente violentos. Renton é morto pelos atacantes, mas para sua surpresa acorda em sua cama novamente, ao lado de sua namorada, para ser novamente atacado pelos mesmos homens mascarados. O loop temporal acontece várias vezes, e aos poucos vamos descobrindo quem são os assaltantes, quais suas intenções, e como isto se relaciona com uma estranha máquina no porão e com o destino de toda humanidade.
Nota do Razão de Aspecto:
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Loops temporais não são novidades no cinema. Temos filmes excelentes como O feitiço do tempo e No limite do amanhã, bons filmes como Contra o tempo, e filmes questionáveis como Triângulo e Repetidores, além do meu favorito no tema, o hermético Primer, um filme que merece ainda uma crítica aqui no Razão de aspecto.
ARQ tem algumas coisas em comum com Primer: baixo orçamento, atores não estelares, roteiro complexo e final aberto a interpretações e polêmicas. Mas é uma espécie de “primo rico” do filme de 2004. Por ter o Netflix por detrás, mesmo sendo um filme de baixo orçamento está longe de ser um filme independente. Por conta disto tem um esmero técnico maior, e ao mesmo tempo uma maior preocupação de ser comercializável. Mas está longe de ser um blockbuster pipoca que mastiga todos os problemas e paradoxos que o tema de loop temporal oferece.
O ponto forte do filme está na forma orgânica em que a ambientação maior, a guerra entre a empresa Torus e o grupo de resistência “O Bloco”, é introduzida de forma suave no caos que é a constante repetição do conflito que ocorre na casa de Renton. Isto dá uma corrente subterrânea a narrativa central, a noção de um contexto maior, nunca abordado plenamente e nunca explicitado. É principalmente por esta dinâmica entre os personagens locais que estão diante da câmera e os personagens globais que são apenas sugeridos que temos o crescendo de suspense dentro da repetição dos eventos.
O segundo mérito narrativo do filme está na idéia de que os personagens vão ganhando consciência da repetição temporal em momentos diferentes, e começando a interferir na trama de acordo, criando novas camadas de novidades em cada ciclo.
Tony Elliot é um roteirista relativamente experiente em séries de TV, mas é o primeiro longa que ele dirige e escreve. Não há nenhuma ousadia ou marca autoral em sua direção, mas ela é competente e direta, objetiva, simples. E parece saber extrair bem dos seus atores, pois todo elenco esta bem no filme.
Robbie Amell (de Max) e Rachael Taylor (de Transformers) não são exatamente atores brilhantes, mas estão muito bem como protagonistas no filme, em especial nas diversas mudanças ao despertar na cama. Vemos um excelente arco na relação entre Renton e Hannah, em constante mudança, e o modo como os atores carregam isto até para as cenas de ação merece elogios. E todo o resto do elenco está convincente, mas sem brilhantismo.
A trilha sonora contribui e muito para tensão, mas sem roubar o protagonismo. Me agradou especialmente a repetição do tema de batidas cardíacas nos momentos certos, quando estamos segurando a respiração junto com Renton.
É um filme tenso, instigante, e que, como muitos filmes de loop temporal, dá vontade de assistir mais de uma vez, para pegar mais detalhes na trama, descobrir mais mudanças e criar mais teorias a respeito do significado daquilo que não foi totalmente explicado. Com certeza verei de novo.
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