O Silêncio do Céu – Cinema em um Parágrafo
Um filme sobre medo, culpa, distância e sobre a função social da hipocrisia. O Silêncio do Céu trata de um tema sempre perturbador, o estupro, em uma perspectiva que não é nem condescendente nem vitimista. No filme, o estupro é o mote para o desenvolvimento dos personagens, o casal formado por Diana (Carolina Dickman) e Mario (Leonardo Sbaraglia), com sua falta de diálogo e de proximidade. Com um roteiro bem desenvolvido, o diretor Marco Dutra nos leva a uma jornada psicológica pelos medos e traumas do casal e suas consequências para os seus atos. Tudo no filme expressa o estado psicológico dos protagonistas: as cores, o figurino, a fotografia e, principalmente, o design de som. A fotografia privilegia o uso de planos fechados e o jogo de luz e sombras, de forma a causar no espectador empatia com o incômodo do personagem, além de investir no contraste entre a luminosidade de Montevidéu e as sombras e a escuridão dos ambientes fechados, que representam o mundo interior dos personagens. O design de som é impressionante, com uma trilha sempre presente, porém sutil, e com o uso dos sons diegéticos como recurso para expressar o medo ou o suspense: um simples chiado de chaleira se transforma em sinônimo de terror. O Silêncio do Céu não é um filme simples e palatável para corações fracos, mas, se você é fã de Lars Von Trier e Thomas Vinterberg, este é o filme que você estava esperando em 2016. Nota: 5/5
 
Leia a ficha técnica aqui.
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