Gênero: Aventura
Direção: David Lowery
Roteiro: David Lowery, Toby Halbrooks
Elenco: Aaron Jackson, Annabelle Malaika Süess, Augie Davis, Augustine Frizzell, Brandie Stephens, Bryce Dallas Howard, Craig Hall, Esmée Myers, Gareth Reeves, Isiah Whitlock Jr., Jim McLarty, Karl Urban, Levi Alexander, Marcus Henderson, Oakes Fegley, Oona Laurence, Phil Grieve, Robert Redford, Tim Wong, Wes Bentley
Produção: James Whitaker
Fotografia: Bojan Bazelli
Montador: Lisa Zeno Churgin
Trilha Sonora: Daniel Hart
Duração: 103 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 29/09/2016 (Brasil)
Distribuidora: Disney
Estúdio: Walt Disney Productions
Classificação: Livre

Sinopse: Pete, um jovem garoto, perde a família e tem que viver em uma floresta. Mas ele não está sozinho: o dragão Elliot o acompanha nessa divertida e perigosa jornada. E um inesperado encontro pode mudar ainda mais a vida daquele peculiar garoto e o novo amigo.

    Nota do Razão de Aspecto:

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Pegue um pouco de Mogli e Tarzan com uma pitada de O Quarto de Jack e E.T./História Sem Fim e temos nosso filme. Se isso não bastar, outra referência que posso dizer é simplesmente: Disney sendo Disney. Mesmo que você tenha um coração gelado irá se apaixonar por essa história (remake de um longa da própria Disney produzido há 4 décadas). Do início ao fim fiquei com os olhos grudados na tela e não vi os 103 minutos passarem.  
A narrativa não traz grandes surpresas ou uma mensagem que você nunca pensou. Há, sem dúvidas, uma sensação de familiaridade e até alguma pieguice. Mas exatamente por ter a coragem de se aventurar em um terreno tão perigoso, o do banal – correndo o risco de se tornar esquecível – é que Meu Amigo, O Dragão (2016) brilha.
Coragem é a palavra que os pais de Pete (Oakes Fegley), nosso protagonista, usam para explicar o que é necessário para uma aventura. Talvez por isso o jovem não teve medo ao encontrar o descomunal novo amigo, um dragão verde de olhos vermelhos. E o mais importante: acreditamos e torcemos por aquela amizade. A cena do encontro dos dois trouxe essa empatia. E quando Grace (Bryce Dallas Howard), Meacham (Robert Redford) e Natalie (Oona Laurence) entram na jogada, a química se mantém.


A história é uma fantasia, então a suspensão de descrença tem que se ativada. Mas a coerência interna daquele universo é respeitada, uma ou outra conveniência, mas normal. A existência do dragão não é contextualizada. É assim e pronto. O roteiro, de modo acertado, não se propõe a uma historia de origem.

Talvez o que o filme tem de melhor seja o carisma dos personagens. Grace começa cética e vai se transformando. Ela mostra um senso maternal e segurança nas ações. Meacham é uma mistura de sábio com senil, sem nunca parecer caricato. A jovem Natalie é uma graça: curiosa, destemida e servindo como uma ótima escada. Pete nos obriga a querer abraçá-lo já na primeira cena. Ele tem um arco dramático simples, porém eficaz. E o nosso amigo alado, o Dragão Elliot, impõe respeito, é carinhoso e tem presença. 

Na parte técnica Meu Amigo, O Dragão (2016) é muito bom. A trilha, quase sempre presente, evoca um heroísmo aventuresco muito condizente com a trama. Já a mixagem e edição de som reproduzem diversos detalhes da floresta. A fotografia dá um brilho e vivacidade às cenas, mas sem nunca soar artificial – um pouco infantil, como o olhar de Pete, talvez. A computação gráfica é, na maioria das vezes, orgânica e se relaciona bem com o componente humano. Em alguns momentos o uso do CGI gritou um pouco além, como quando aparece fogo e em cenas nas nuvens.

Meu Amigo, O Dragão (2016) não vai ser indicado ao Oscar de melhor efeitos especiais como Mogli provavelmente será. Tampouco supera o design de produção de Zootopia. Ou tem momentos tão complexos como em Procurando Dory. Mas o longa possui algo que une direita e esquerda, ateus e religiosos, o público eventual e críticos barbados: a nostalgia das sessões da tarde de 80/90. 

Por Lucas Albuquerque

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