JASON BOURNE (2016) – CRÍTICA
Gênero: Ação
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Christopher Rouse, Matt Damon, Paul Greengrass
Elenco: Alexander Cooper, Alicia Vikander, Amy De Bhrún, Ato Essandoh, Attila G. Kerekes, Daniel Eghan, Dino Fazzani, Graham Curry, Jamie Hodge, Julia Stiles, Marla Aaron Wapner, Matt Damon, Neve Gachev, Paul Terry, Riz Ahmed, Scott Shepherd, Tommy Lee Jones, Vincent Cassel, Vivian Yoon Lee
Produção: Frank Marshall, Gregory Goodman, Matt Damon, Paul Greengrass
Fotografia: Barry Ackroyd
Montador: Christopher Rouse
Trilha Sonora: David Buckley, John Powell
Duração: 123 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 28/07/2016 (Brasil)
Distribuidora: Universal Pictures
Estúdio: Universal Pictures
Classificação: 14 anos
Informação complementar: Baseado nos personagens criados por Robert Ludlum.
Sinopse: Jason Bourne (Matt Damon) foi uma das vítimas da Outcome, organização que montou um esquema de uso de remédios para diminuir a dor e aumentar a força e a inteligência de seus soldados. O que o grupo não imaginava é que Bourne está vivo e se lembra de tudo o que passou.
Nota do Razão de Aspecto:
 
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Embora eu não seja um grande fã de filmes de ação, a franquia Bourne sempre me impressionou, devido à qualidade do conjunto da obra, dos aspectos técnicos à atuação e à direção. Jason Bourne -neste caso, o personagem, e não o filme que vamos discutir nesta crítica – mudou os parâmetros dos filmes de ação e de espionagem. Jason Bourne é um super espião crível, uma “máquina de guerra” resultante de uma conspiração governamental, mas, ao mesmo tempo, é uma vítima desse processo, um ser humano traumatizado pelo treinamento que recebeu e pela culpa em relação àquilo que fez. Essa contradição resulta em uma ambiguidade interessante para o arco narrativo, para a jornada do personagem e para o público dos três primeiros filmes da franquia – A Indentidade Bourne (2002), A Supremacia Bourne (2004) e O Ultimado Bourne (2007). Ignoro propositalmente o quarto filme – O Legado Bourne (2012) -, que, se não é um desastre, é completamente dispensável. A história da franquia Bourne é a história do personagem, e Jason Bourne é Matt Damon. Ponto final.
Em Jason Bourne – agora sim, o filme – reencontramos o personagem na Europa, participando de lutas de rua ilegais para apostadores. Jason parece completamente afastado de seu passado – e enfatizo o verbo parecer – até que Nicky Parsons reaparece, após hackear os computadores da CIA, para contar a Jason que seu pai fez parte da criação da operação Treadstone, à qual o jovem David Webb se voluntariou para, então, tornar-se Jason Bourne. Assim, temos o gatilho que dispara a ação: Jason irá ao encontro de seus algozes para buscar respostas sobre seu passado.
Em termos de estrutura, Jason Bourne não traz grandes inovaçõesm e, sinceramente, nem acho que deveria fazê-lo. A originalidade é superestimada, às vezes. Se temos uma estrutura que funciona, e funciona bem, e um personagem que envolve o público, por que seria preciso “inventar moda”, como diria minha santa avozinha? A narrativa desenvolve-se com base na aproximação física dos personagens: no primeiro ato, viajamos à  fronteira da Grécia com a Macedônia, a Atenas, à Islândia, a Berlim, à sede da CIA, nos EUA, e a Roma; no segundo ato, nos concentramos com a convergência de diversos personagens em Londres; no terceiro ato, todos os personagens se encontram em Las Vegas. O ritmo é acelerado, e somos obrigados a aceitar as clássicas tomadas aéreas de ambientação de cada um desses locais, mas a diversidade de locações torna o filme dinâmico e interessante.
Cada um dos três atos está baseado em uma grande sequência de perseguição, no melhor estilo dos filmes da franquia, com muita pancadaria impressionantemente realista pela fisicalidade, com muitos efeitos práticos, quase nenhum CGI, explosões reais e destruições reais. O trabalho de direção de Paul Greengrass, diretor do segundo e do terceiro filme da franquia, é preciso e de alto grau de dificuldade. Algumas sequências parecem uma versão urbana de Mad Max; Estrada da Fúria, dadas as devidas proporções, claro. Destaco as sequências de perseguição em Atenas, no primeiro ato, e a sequência final em Las Vegas, as quais nos deixam grudados na cadeira, sem nenhum exagero. Nessas sequências, o que mais me incomodou foi o grande número de cortes, principalmente nas cenas de luta corpo a corpo. Não chegava ao nível de exagero de um Michael Bay da vida, mas, ao mesmo tempo, me faziam pensar na sequência da luta do Homem de Ferro contra o Capitão América e o Soldado Invernal em Capitão América: Guerra Civil, com menos cortes, muito mais bem coreografada, portanto, mais realista para o público. O diretor também optou por usar muita câmera na mão e enquadramentos mais fechados para mostrar a tensão dos personagens, especialmente na sequência inicial, o que, em geral, funciona.
O roteiro, infelizmente, é o ponto mais fraco do filme. Claro, não se poderia esperar um roteiro digno do Oscar para um filme de ação, mas, mesmo para filmes do gênero, algumas coisas são inacreditáveis. Os hackers, supostamente profissionais, cometem um erro de amadores. A tentativa de integrar à narrativa alguns dilemas da contemporaneidade, como a vigilância das redes sociais e o vazamento de informações secretas por ativistas digitais, funciona apenas razoavelmente e, em alguns momentos, sobra no roteiro, ao incluir personagens dispensáveis ou que careceram de desenvolvimento, dado o suposto papel central na trama – e este é o caso, por exemplo, de Aaron Kallor, interpretado por Riz Ahmed (Nasir Khan, do seriado da HBO The Night Of), a versão fictícia de Mark Zuckberg. Além disso, uma das perseguições é realizada de carro, no meio da multidão, em ruas estreitas, e ninguém é atropelado. É preciso ter muita suspensão de descrença pra isso. De todo o modo, são equívocos que não comprometem o conjunto do filme.
O elenco principal do filme dá um verdadeiro show de atuação – claro, dentro dos limites daquilo que um filme de ação/espionagem permite -, especialmente o núcleo central, formado por Matt Damon, nosso protagonista, pelo espetacular Tommy Lee Jones, no papel de Robert Dewey, diretor da CIA, por Alicia Vikander, como Heather Lee, uma ambiciosa e ambígua agente da CIA, e, em um nível mais baixo, mas ainda muito bom, pelo rival/vilão interpretado por Vincent Cassel, quem persegue Bourne em missão oficial, mas em busca de vingança pessoal. As atuações são aquilo que dá a qualidade que falta aos filmes de ação: existe conflito, existe desenvolvimento dos personagens, existem motivações, portanto, existe empatia do público. Realmente nos importamos com o destino daquelas pessoas.
Jason Bourne é um ótimo filme, que não decepciona os fãs da franquia nem aqueles que apenas gostam de um bom filme de ação. Com atuações excelentes, é um filme empolgante e capaz de fazer renascer uma das melhores franquias do século XXI. Porrada, sangue, explosões, perseguições, e mortes não precisam resultar num filme ruim. Paul Greengrass e Matt Damon provaram que ainda existe espaço para Jason Bourne, o Capitão América realista.por Maurício Costa

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