Gênero: Animação
Direção: Sam Liu
Elenco: Kevin Conroy, Mark Hamill, Ray Wise, Tara Strong
Produção: Bruce W. Timm, Sam Register
Montador: Christopher D. Lozinski
Trilha Sonora: Kristopher Carter, Lolita Ritmanis, Michael McCuistion
Duração: 76 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Warner Bros.
Classificação: 14 anos
Informação complementar: Adaptação da obra Piada Mortal de Alan Moore e Brian Bolland
Sinopse: Enquanto Batman começa a se preocupar com qual será a consequência de seu “relacionamento” com o Coringa, este tenta provar para Batman que a única coisa que o separa de uma pessoa comum é um dia muito ruim. E, para provar seu argumento, o Coringa ultrapassa todo e qualquer limite de violência e de loucura. 
Nota do Razão de aspecto:

O quadrinho “Batman: a piada mortal”, é, sem dúvida, uma das obras mais importantes e influentes do Cruzado Encapuzado, moldando não apenas a visão que temos do homem-morcego hoje, como também do Coringa, e, em menor escala, de Barbara Gordon, a Batgirl.
As animações oficiais da DC Comics sempre foram bem elogiadas, desde “Superman: Doomsday”. E não custa lembrar das animações da Warner já em 1992 com “Batman: the animated series”. Não é a primeira vez também que eles têm a coragem de abordar histórias clássicas do Batman, com atenção especial para “Batman: ano um” e “Batman: o retorno do cavaleiro das trevas”.
Então, quando anunciaram que “A Piada mortal” seria filmada, a expectativa não poderia ser maior. E, pela primeira vez, a animação não seria lançada apenas em DVD/Blu-ray, mas seria exibida nos cinemas, em um único dia, no caso, 25 de julho. As poucas sessões lotaram com semanas de antecedência, e eu fui um dos felizardos.
Uma das minhas maiores curiosidades era saber como eles transformariam uma história em quadrinhos de pouco menos de 50 páginas em um longa metragem. Assim como foi feito com a adaptação de “300” para o cinema, muito material original teve que ser acrescido a história, e, mesmo assim, o filme ainda é bastante curto para um longa: 76 minutos.
O principal acréscimo foi a introdução de um prelúdio, narrado sob a ótica de Bárbara Gordon/Batgirl. No quadrinho, a Barbara Gordon aparece pouco, apesar de sua participação ser importantíssima, e seu alter-ego, a Batgirl, sequer aparece. Na animação temos todo um primeiro ato que conta uma relação bastante diferente do convencional entre a Batgirl e o Batman. Temos uma Barbara Gordon juvenil, imatura, e o Batman um tutor abusivo, insensível e de certa forma cruel. Com certeza esta narrativa irá incomodar muitos fãs, mas ao meu ver serviu para dar volume a personagem feminina, e aumentar o impacto dramático do evento central que dispara a trama. Além disto, o tom mais leve e idealista da Batgirl serve como contraste para o abismo de loucura e violência que virá mais tarde. A diferença de tom entre o prelúdio e o resto da trama fica nítida com o fato que a platéia ira rir algumas vezes no filme, mas nunca depois da primeira meia hora.
Já o segundo ato é narrado sob a ótica do morcego, e aí temos todo o impacto e a genialidade do quadrinho. É a história mais sombria escrita para o Cavaleiro das Trevas, a ponto do nível de violência física e psicológica causar polêmica até hoje. Não é a toa que a censura é 18 anos. Em temática, o filme é mais sombrio que a maioria dos filmes de terror de hoje.
Quem já assistiu as outras animações da DC Comics sabe da qualidade da dublagem de Kevin Conroy, a voz do Batman desde de 1992, e de Mark Hammil (o eterno Luke Skywalker), que dubla o Coringa desde a mesma época. São anos de experiência, e eles estão cada vez melhores. Confesso que acho o Coringa de Hammil seu melhor trabalho (me desculpem os fãs de Star Wars) e, talvez pelo tempo e costume, supera até mesmo o Coringa de Heath Ledger no filme “The dark knight returns”. Em especial a risada de Hammil é capaz de arrepiar e incomodar qualquer um.

A arte teve a difícil tarefa de seguir a identidade visual das outras animações da DC Comics e ao mesmo tempo se referir ao desenho de Brian Bolland, o que não me parecia fácil. Mas da mesma forma em que vemos o Batman, a Batgirl, o Comissário Gordon, etc, dos outros filmes, há momentos em que parece que temos quase que o desenho de Bolland na tela. Outro elogio a animação é a diferença de estilo de luta entre a Batgirl (acrobática e atlética), o Batman (forte, seco e eficiente), e o Coringa (furioso e insano).
Porém, além do prelúdio um tanto destoante, mas justificável, há algo que me incomodou, um pequeno detalhe, mas muito significativo. O quadrinho termina com uma cena de interpretação aberta, e com uma das possibilidades de interpretação extremamente sombria e pessimista. E, por detalhes de linguagem visual, esta interpretação não é sugerida nas cenas finais da animação. O porquê da última risada, no final da animação, é mais pobre e menos instigante que no quadrinho.
Se no quadrinho temos uma história que marcou época e transformou personagens com décadas de história, na animação temos muito do espírito original, e alguns acréscimos questionáveis, mas interessantes. Não tem o mesmo impacto e genialidade, mas ainda é capaz de provocar choque, arrepios e incomodar.

por Aniello Greco

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