AI, QUE HORROR ! ZUMBI, A LEGIÃO DOS MORTOS
Cinco  melhores filmes de zumbi para quem cansou dos
clichês de zumbis – Parte 3. 
Já passamos pela Itália e pelo Haiti em
nossa busca pelos melhores zumbis “diferentões”. Agora vamos continuar no
Haiti, mas retornando a um passado remoto, o máximo que podemos voltar em se
tratando de cinemas de zumbi. Estamos falando de “Zumbi, a Legião dos Mortos” (ou The white zombie no original), o primeiro filme
de zumbis de que se tem registro.
3- Zumbi, a Legião dos Mortos (The
White Zombie)
Gênero: Terror
Direção: Victor Halperin
Roteiro: Garnett Weston
Elenco: Bela Lugosi, Brandon Hurst, John Harron, Joseph Cawthorn,
Madge Bellamy, Robert Frazer
Produção: Edward Halperin, Phil Goldstone
Fotografia: Arthur Martinelli
Trilha Sonora: Xavier Cugat
Duração:
69 min.
Ano:
1932
País: Estados Unidos
Cor: preto e branco
Sinopse: Um excêntrico e misantropo que vive nas Índias Ocidentais ilude um casal de jovens apaixonados a se hospedarem em sua mansão e realizarem seu casamento, com o intuito desesperado de conquistar a bela noiva antes do matrimônio. Como último recurso, contrata um feiticeiro, mas este o engana e transforma a noiva em um zumbi.
Nota do Razão de Aspecto:
O conceito atual de zumbis nasceu
praticamente no filme “Night of the living dead” (“A noite dos mortos-vivos”), de George Romero. Qualquer filme feito com zumbis antes de 1968, portanto, será bem diferente dos filmes com que hoje estamos acostumados. Já havíamos comentado como Wes Craven desenterrou o
conceito dos zumbis haitianos para o seu filme “The serpent and the raibow”.
Dentro do conceito original, vindo do vodu haitiano, zumbis não são corpos
reanimados por uma doença, que comem carne humana e espalham a epidemia até o
colapso inevitável da civilização. Zumbis seriam corpos reanimados sob o
controle de um feiticeiro, por meio de magia negra.

Dois filmes antigos de zumbis haitianos se
destacam, em qualidade, “I walked with a zombie” (“A morta-viva” no Brasil) e “The white zombie”. Ambos
excelentes filmes, ambos filmados em preto e branco, e ambos passados nas “Índias
Ocidentais” com o tema de vodu. Muitos até diriam que “I walked with a zombie”
é um filme melhor que “The white zombie”, e foi por muito pouco que o primeiro
não ocupa o lugar do segundo nesta lista. Gostaria de colocar os dois, mas
quando temos  apenas cinco filmes para
comentar, e tentar com isto mostrar as mais diferentes formas que o cinema tem
de soletrar corretamente z-u-m-b-i, tive que optar por apenas um – o que causasse
uma impressão mais única, diversa e exótica para o espectador de hoje.

Apesar de um roteiro mais simples, ingênuo
e previsível que “I walked with a zombie”, “The white zombie” carrega méritos
que poucos filmes têm. O primeiro, e mais óbvio de todos,
é que é o primeiro filme a falar sobre zumbis na história do cinema. 

Mas não é apenas no pioneirismo que o
filme se destaca. Temos Bela Lugosi (o Drácula da Universal) no auge de sua carreira,
mostrando toda a sua aura de estranheza, sua elegante sobrenaturalidade, seus
olhos hipnóticos e gestos com as mãos que fazem dele um ícone eterno do cinema.
Sua performance em “The white zombie”, assim como em “Drácula”,
meritoriamente vai além do seu túmulo. Não apenas Bela Lugosi está no elenco,
mas também a bela e fantasmagórica Madge Bellamy (“The iron horse”, ou “O cavalo de ferro” no Brasil), uma das
rainhas do cinema mudo, em um dos seus poucos filmes falados de impacto.

A influência do cinema mudo é presente em
todo o filme, principalmente nas longas cenas sem diálogo, com uma trilha dramática
tomando a frente da narrativa, uma iluminação com uso forte de luz e sombras, e
frases dramáticas ditas que poderiam muito bem estar em um cartaz escrito. A
interpretação corporal dos atores é propositalmente exagerada, teatral, como
comum na época. Muitas cenas, se mostradas isoladas, passariam por cenas de
cinema mudo. Outras estão no imaginário do cinema há 80 anos, e muitos irão
reconhecê-las mesmo sem ter visto o filme (em especial os closes nos olhos de
Lugosi).

Tudo isto faz de “The white zombie” um clássico
do cinema. Mas não se esqueçam, é um filme de 80 anos, sem o ritmo e a
qualidade de produção de hoje. É uma história ingênua, Romântica (no sentido gótico
de Romântico), quase um poema visual onde luz e sombras se confrontam até o
destino inevitável. Eu levantaria feliz do meu túmulo para rever o filme, se
assim Bela Lugosi me ordenasse.


por Aniello Greco
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