INDEPENDENCE DAY: O RESSURGIMENTO (2016) – CRÍTICA
 
Gênero: Ficção Científica
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Carter Blanchard, James A. Woods, Nicolas Wright
Elenco: Alice Rietveld, Angelababy, Ava Del Cielo, Bill Pullman, Brent Spiner, Charlotte Gainsbourg, Chin Han, Garrett Wareing, Gbenga Akinnagbe, Grace Huang, James A. Woods, Jason E. Hill, Jeff Goldblum, Jessie Usher, Joey King, Judd Hirsch, Katrina Kavanaugh, Liam Hemsworth, Maika Monroe, Mckenna Grace, Morse Bicknell, Nicolas Wright, Otis Winston, Patrick St. Esprit, Ron Yuan, Ryan Cartwright, Sela Ward, Travis Tope, Vivica A. Fox, William Fichtner
Produção: Dean Devlin, Harald Kloser, Roland Emmerich
Fotografia: Markus Förderer
Montador: Adam Wolfe
Trilha Sonora: Harald Kloser, Thomas Wanker
Duração: 120 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 23/06/2016 (Brasil)
Distribuidora: Fox Film do Brasil
Estúdio: Twentieth Century Fox Film Corporation
Sinopse:A Terra volta a ser alvo de um ataque alienígena aproximadamente 20 anos após a invasão retratada em Independence Day (1996). Na verdade, do ponto de vista dos aliens, são passadas poucas semanas, mas o que para eles são dias de viagem no espaço, para a Terra são muitos anos.
Nota do Razão de Aspecto:
 
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Imagino que, como eu, ninguém vai ao cinema ver um filme como Independence Day com altas expectativas em relação à profundidade da mensagem, à qualidade dos diálogos ou às grandes atuações. Este tipo de blockbuster é a epítome do “cinema pipoca”, e tudo que o público espera é um bom entretenimento, com aspectos técnicos bem executados, e muita diversão. Nesses aspectos, trata-se de um filme competente, que não oferece nem mais nem menos do que se poderia esperar de um filme do gênero.
Se Independence Day: Ressurgimento tem um grande, enorme, gigante mérito, é o de não se levar a sério em momento algum da narrativa, mas, ao mesmo tempo, criar um universo visual que dá algum peso à nova invasão alienígena. Sim, há muitos diálogos expositivos. Sim, há muitos diálogos ruins. Sim, há personagens demais e diversas subtramas pouco desenvolvidas, mas desde quando Independence Day teve o objetivo de desenvolver personagens? Além disso, a premissa não tem nenhuma originalidade e resulta numa mera repetição da premissa do primeiro filme em uma escala maior. Apesar desses graves defeitos do roteiro, o filme, inacreditavelmente, funciona, e nos deixa tão concentrados na ação que relevamos a tosquice de algumas falas dos personagens.
As atuações não são exatamente a oitava maravilha do mundo moderno, mas são boas o suficiente para fazer que o público tenha algum grau de empatia com os personagens, especialmente os remanescentes do primeiro filme, interpretados por Bill Pullman, Jeff Goldblum, Judd Hirsch e Brent Spinner, apoiados pela boa atuação de Liam Hemosworth, que encarna um herói crível, com o qual podemos nos importar. Charlotte Gainsbourg tem pouco a fazer com seu material de trabalho. Entre os coadjuvantes, podemos destacar Travis Trope, como o o piloto e alívio cômico Charlie Miller – aliás, o único alívio cômico que realmente funciona, e Deobia Oparei, como Dikembe Umbutu, um warlord africano que merecia maior desenvolvimento na trama. Como destaque negativo, o parceiro recorrente de cena de Oparei, Nicolas Wright, como Floyd- o alívio cômico fracassado em todas as tentativas- e eu disse TODAS.
Visualmente, o filme não deixa nada a desejar. Roland Emmerich sabe como dirigir sequências grandiosas de ação e o faz na dose e na medida certas. O  3D é excelente, e arrisco-me a afirmar que este filme pode justificar o ingresso para a cadeira de DBOX, além de, certamente, alcançar resultado mais efetivo em salas XD e IMAX. Gostei, particularmente, das batalhas aéreas, que podem ser descritas como uma versão, em escala maior, das batalhas aéreas de STAR WARS II. Em alguns momentos, me peguei esperando o surgimento de um X-Wing ou de um Tie Fighter na tela. Emmerich acertou a mão, porque todas as cenas de destruição têm o tempo exato necessário para que crie o impacto emocional da destruição provocada pela invasão e evita alongar-se desnecessariamente, somente para, digamos, louvar o CGI.   O CGI, por sua vez, não toma conta do filme, apesar de ser onipresente, é bem feito, mas não irá disputar o Oscar, creio eu. Quem sabe o Oscar de efeitos visuais vá para Deuses do Egito… (tundunts!!!!)
O filme tem diversas referências ao de 1996 e, neste ponto, faz um fan service eficiente. Além disso, em um das subtramas, faz uma ótima paródia de A Hora do Pesadelo, a qual somente entendedores entenderão.
Independence Day: Ressurgimento é um conjunto de todos os clichês de blockbusters de ação e/ou desastre/destruição: o amor em perigo, o herói indisciplinado, a perda de pessoas amadas, a sede de vingança, a luta quase perdida contra um inimigo muito mais poderoso e, é claro, o herói improvável. Esses clichês, entretanto, funcionam, porque foram usados na dose certa, sem nunca serem levados a sério, em um filme que, praticamente, os abraça e anuncia para o mundo que eles existem. Trata-se de um entretenimento despretensioso, porém eficiente, que não decepciona naquilo que se propõe. Felizmente, Roland Emmerich não pretendia fazer o novo Blade Runner.

por Maurício Costa

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