JOGO DO DINHEIRO (2016) – CRÍTICA
 
Gênero: Drama
Direção: Jodie FOster
Roteiro: Alan DiFiore, Jim Kouf
Elenco: George Clooney, Julia Roberts, Jack O’Connell,  Dominic West, Caitriona Balfe, Giancarlo Esposito, Anthony DeSanto, Bryan Burton, , Chris Bauer, Condola Rashad, Darri Ingolfsson, Dennis Boutsikaris, Emily Meade, Greta Lee,
Produção: Daniel Dubiecki, Grant Heslov, Lara Alameddine
Fotografia: Matthew Libatique
Montador: Matt Chesse
Trilha Sonora: Dominic Lewis, Michael Andrews
Ano: 2013
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 26/05/2016 (Brasil)
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: IM Global
Sinopse: Leo Gates é o apresentador de um programa de TV que aconselha sobre investimentos no mercado de ações. Após perder todas as suas economias seguindo os conselhos do programa, Kyle Budwell resolve invadir o estúdio e fazer de Leo Gates um refém, e exige uma explicação diante das câmeras sobre o ocorrido.
 

Nota do Razão de Aspecto:

 
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Jogo do Dinheiro é um bom filme,
talvez até muito bom. Mas decepciona. Tinha tudo para ser excelente, e tropeça
nos próprios pés. A temática do filme é instigante (como a especulação
financeira pode destruir vidas em nome do lucro, e também como a mídia
transforma tudo em um show), o elenco é estelar, a edição do filme é excelente,
a química entre os personagens é quase perfeita. Mas, infelizmente, o filme peca
ao não decidir que história ele quer contar, o que nos leva a um desfecho
inverossímil e um gosto amargo de decepção.
Este é o segundo longa metragem de Jodie Foster como
diretora (o primeiro é The Beaver), mas, talvez por sua longa carreira de atriz, ela
parece confortável com a câmera na mão. A edição do filme é quase perfeita,
acompanhando o ritmo da narrativa, dando velocidade nos momentos dramáticos, sem nunca ficar
confusa ou dar a sensação de video-clip, de cenas desconexas. Graças à qualidade da direção, temos a impressão de estarmos junto com os personagens, tentando cobrir, de modo jornalístico, um evento que escapa do seu controle a
todo instante.
E muito disto vem da excelente interpretação
de Jack O’Connell (“Unbroken”), Julia Roberts e, principalmente, George Clooney. O Gates de Clooney é um personagem extremamente complexo,
inteligente, sarcástico, carismático, infantil, impulsivo e mais uns cinquenta adjetivos, e o ator consegue dar uma solidez impressionante a tudo isto.
Combinado com a frieza e objetividade de Patty Fen (Julia Roberts) e o
desespero de Kyle Budwell (Jack O’Connell), temos um trio de personagens que
dariam volume ao mais vazio dos roteiros.
E
não é apenas destes três atores que o elenco vive. Ainda temos Dominic West (da série “The
Wire”), fazendo um cruel milionário especulador, e Giancarlo Esposito (da série “Breaking Bad”), na pele de um chefe de polícia, sendo desperdiçados em papeis
menores, mas, mesmo assim, tendo seus momentos de brilho.

 

Com todos estes méritos, o filme tinha tudo
para estar entre os melhores deste ano, mas comete um grave pecado: o terceiro
ato, o desfecho do filme, é simplesmente absurdo. Todo filme demanda uma
estrutura, um contrato entre a narrativa e o espectador, uma fabricação de
realidade e uma suspensão da descrença para que possamos aceitar a narrativa
como algo coerente dentro daquele mundo de ficção. Após desenvolver tão bem
personagens e contar tão bem visualmente o conflito do filme, “Jogo do Dinheiro”
cria um desfecho irrealista. Temos uma súbita mudança na relação entre os
personagens principais, sem a devida motivação, uma nada convincente incompetência
policial que só consegue piorar a situação, e uma incômoda troca de
antagonistas, uma subversão de contra quem devemos torcer, que é um tanto difícil
de engolir.
Graças a esta mudança, um filme que poderia ser um interessante questionamento
do sistema financeiro e da mídia que o cerca se torna uma história de um
fraudador pouco interessante, um homem comum desesperado e um apresentador
repleto de falhas. E
uma solução do conflito entre eles que parece ter saído de improviso, às
pressas, ou da cabeça de um jovem de doze anos, que não sabe escrever um roteiro.
Apesar
de todas estas falhas, os méritos do filme ainda são mais que suficientes para
que sua experiência na sala de cinema seja agradável. É o tipo de filme com o qual você irá se divertir, mesmo em apontar as suas falhas. E me deixou ansioso para ver os próximos
filmes com a Jodie Foster na direção.
Por Aniello Greco.

 

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