GAME OF THRONES – SEXTA TEMPORADA – EPISÓDIO 5: THE DOOR (COM SPOILERS!)

ALERTAEsta crítica contém spoilers. Proceda à leitura por própria conta e risco.

Confira a ficha técnica do episódio aqui
 
 
Nota do Razão de Aspecto:
 
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HOLD THE DOOOOR!
Após este episódio de Game of Thrones, para além do choque com a morte de Hodor, do Lobo, e da revelação em si, pensei em como George Martin foi capaz de plantar, desde os primórdios da saga, mais um recurso narrativo que abre quaisquer possibilidades de mudança de rumos no destino dos personagens. Da mesma forma que o recurso da ressurreição não era incidental e, para fazer sentido e ganhar organicidade, precisaria ser utilizado para alterar o destino de um personagem-chave, a capacidade de Bran de intervir na linha do tempo não deverá resumir-se a uma explicação sobre a origem de Hodor.
Ainda nesta temporada, testemunhamos Bran fazendo-se escutar pelo próprio pai no passado, uma indicação de quem a habilidade de Wrag permitiria a intervenção na linha do tempo. Claro, naquele momento pareceu algo incidental, e não estava claro que um desenvolvimento tão trágico ocorreria ainda nesta temporada. Criou-se um paradoxo temporal. A partir de agora, abre-se a possibilidade de que Bran, com sua precipitação e sua inexperiência, tenha interferido de outros eventos que tenham levado a algumas das tragédias que se abateram sobre Westeros e sobre a própria família. Uma das teorias mais difundidas é a de quem o Rei Louco, que, no auge da sua loucura, ouvia sussurros, pudesse estar sendo influenciado por Bran. Isso desencadearia a rede de eventos que levaria à morte de seu pai, por exemplo. Trata-se de apenas uma das teorias possíveis diante das inúmeras possibilidades.
Depois desse episódio, muitas pessoas começaram a discutir os possíveis desdobramentos de GoT com base nas teorias da física, como se o episódio tivesse introduzido elementos de ficção científica à narrativa. Se a viagem no tempo é um dos temas mais recorrentes em ficção científica, no universo fantástico de GoT, essa abordagem não faz nenhum sentido. No mesmo universo das visões verdes e da intervenção na linha do tempo, existem dragões, uma mulher imune ao fogo, bruxas, um exército de mortos vivos criados por fadas da floresta, sacerdotes e sacerdotisas capazes de ressuscitar pessoas, e a demonstração de poder de diferentes deuses e/ou manifestações místicas. As leis da física não se aplicam a Westeros, e George Martin, ao que tudo indica, saberá fazer uso do paradoxo temporal para intervir em eventos-chave e, se for necessário, mudar os rumos da história, para além de explicar as origens dos eventos da saga.
Além do núcleo de Bran, tivemos, o encerramento do treinamento de Arya. Finalmente! As sequências de treinamento estavam-se tornando entediantes e repetitivas demais. Além disso, introduziu-se o inteligente recurso da peça de teatro, a história dentro da história, que permitirá o esclarecimento de outros eventos da história de Westeros. Um recurso lúdico e inteligente.
Nas Ilhas de Ferro, a disputa pelo trono levou a uma divisão do Greyjoy. A fuga de Theon e Yara colocou seu tio, e novo rei, Euron, em uma situação difícil para a execução do seu plano de aliar-se a Daenerys . Como o trailer da temporada já mostrou Yara em Essos, podemos pressupor que tentará chegar a Nascida da Tormenta antes de seu tio.
O núcleo de Daenerys e o de Meeren, temporariamente separados, tiveram um bom desenvolvimento. Em Meeren, uma nova sacerdotisa do deus do fogo, convocada por Tyrion para ajudar a criar a narrativa política de sustentação do reinado de Daenerys, dá uma demonstração de poder capaz de fazer Lord Varys trema nas bases. A nova de despedida de Sir Jorah e seu declaração de amor, embora um pouco piegas, foram emocionantes.
Por fim, Sansa Stark deu mais uma demonstração de que não merece mais o apelido de “sonsa”. Após seu encontro com Mindinho, Sansa demonstrou sabedoria tática, ao omitir de Jon e de Sir Davos a presença dos exércitos dos Lordes do Vale, e demonstrou força, quando afirmou que ela tem o nome Stark e iria em busca de apoio na batalha contra Ramsay Bolton. Algo me diz que uma das grandes viradas da temporada será a vingança de Sansa, liderando os exércitos na batalha dos bastardos juntamente como seu meio-irmão (ou seria primo?!).
The Door foi o melhor episódio da temporada até o momento, não somente pelo desfecho trágico, mas também por ter-se concentrado em menos núcleos narrativos. Com exceção do primeiro episódio, que precisaria dar continuidade ao season finale da temporada anterior, os episódios dois e três reduziram a tensão dramática, ao tentarem desenvolver todos os núcleos ao mesmo tempo. A alternância do núcleos, concentrando-se nos desenvolvimentos mais importantes, podem culminar em um dos desfechos mais mindfuck de toda a saga.
E que venham as novas surpresas.

 

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