O LOBO DO DESERTO
Mais uma participação especial de Aniello Greco Jr. no Razão de Aspecto
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Gênero: Drama
Direção: Naji Abu Nowar
Roteiro: Bassel Ghandour, Naji Abu Nowar
Elenco: Jacir Eid
Al-Hwietat, Hussein Salameh Al-Sweihiyeen, Hassan Mutlag Al-Maraiyeh, Jack Fox.
Produção: Bassel Ghandour, Nasser kalaj, Rupert Lloyd, Laith Majali
Fotografia: Wolfgang Thaler
Trilha
Sonora:
 Jerry Lane
Duração: 100 min.
Ano: 2014
País: Emirados Árabes/Qatar/Jordânia/Reino
Unido
Cor: Colorido
Estreia: 18/02/2016 (Brasil)
Estúdio: Immortal
Entertainment, Bayt Al Shawareb, Noor Pictures
Sinopse: Durante a Primeira Guerra mundial, o garoto
Theeb, e seu irmão Hussein, membros de uma tribo beduína, têm o rumo de suas
vidas alteradas com a chegada de um oficial britânico, que pede auxílio para
encontrar um poço de água romano, cuja verdadeira importância será descoberta
mais tarde.

Nota do Razão de Aspecto:




O lobo do deserto foi lançado no festival de Veneza de 2014, mas, como estreou nos Estados Unidos apenas em 2015, está concorrendo ao Oscar de
melhor filme estrangeiro de 2016. Sem esta indicação, dificilmente o filme
atingiria o circuito comercial de cinema aqui no Brasil.

Este é o filme de estréia de Naji Abu Nowar como diretor, e é o meu
primeiro contato com o cinema jordaniano. Isto sem dúvida gera uma
dificuldade de estabelecer uma referência, uma comparação, um ponto de
identificação para começar a se relacionar com o filme. Toda obra de ficção
demanda um contrato, um intertexto para o espectador saber onde se localizar e
com isto construir o “suspension of
disbelief”, ou seja, a disposição de entrar na história e se identificar com o
seu mundo. Esta distância cultural dificulta um pouco a experiência de assistir
o filme, que se torna um pouco estranho e alheio ao que estamos acostumados a
experimentar no cinema.

Como
se trata de um filme passado no Império Otomano durante a Primeira Guerra
Mundial, a comparação com Lawrence da Arábia talvez seja inevitável. Os dois filmes abordam a colisão entre o Império
Britânico e o mundo árabe, só que O lobo do deserto inverte o ponto de vista, e
passamos a ver este conflito pelos olhos de uma criança beduína, que tem de
aprender rapidamente e de forma bruta como lidar com esta nova realidade.


Outra
referência possível é pensar o filme como um “western beduíno”. Temos um terreno hostil e deserto, uma região
onde o alcance da lei é limitado e cada grupo tem de se defender por conta própria.

Isto é mostrado logo no início do filme, onde
vemos o protagonista, Theeb (nome que significa “lobo” em árabe) brincando com
uma faca de caça, fazendo trabalhos braçais e se comportando um pouco como “um
pequeno adulto”, endurecido pelo ambiente. A bela fotografia do filme insere
bem o ambiente árido quase como um personagem, a ponto de você sentir a sede e
o calor do deserto.

Contudo,
em minha opinião, o diretor pesa um pouco a mão, gastando quase metade do filme
para apresentar a premissa básica, em um primeiro ato arrastado e longo, com
tomadas de câmera um tanto cansativas e um exagero em tentar mostrar o tempo
todo a beleza mortal do cenário. Neste primeiro ato inclusive o ator mirim Jacer Eid (Theeb) me
incomodou um pouco, com uma impostação de voz um tanto artificial e estranha. 

Mas quando por fim o
conflito central da trama se estabelece, o ator se redime. A criança tem de se
adaptar a depender de um adulto “vilão” (e este a depender de Theeb) para
sobreviver ao deserto. Esta aliança incômoda entre dois inimigos é o que
carrega a trama e que faz o filme andar. Neste ponto a interpretação de Jacer
Eid ganha outra qualidade, e vemos uma criança passar por seu “ritual de iniciação”
e ser obrigada a se tornar adulta de forma violenta e abrupta. E enquanto este
conflito íntimo ocorre, vemos como pano de fundo o conflito maior, entre Impérios
Britânico e Otomano, entre o mundo moderno e o modo de vida beduíno.

O
lobo do deserto não é um filme fácil de se ver. Apesar de tecnicamente muito competente, bem dirigido, com bela
fotografia, a narrativa demora a ganhar movimento, e muitas vezes não
conseguimos nos envolver tanto com as cenas que estão ocorrendo. Falta um pouco
de ritmo, e um pouco de alma para atravessarmos um filme um tanto seco demais.

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