BROOKLIN
Gênero: Drama
Direção: John Crowley
Roteiro: Nick Hornby
Elenco: Barbara Drennan, Brid Brennan, Eileen O’Higgins, Emily Bett Rickards, Emma Lowe, Eva Birthistle, Eve Macklin, Fiona Glascott, Gillian McCarthy, Jane Brennan, Jim Broadbent, Julie Walters, Maeve McGrath, Mary O’Driscoll, Matt Glynn, Nora-Jane Noone, Saoirse Ronan
Produção: Finola Dwyer
Fotografia: Yves Bélanger
Montador: Jake Roberts
Trilha Sonora: Michael Brook
Duração: 111 min.
Ano: 2015
País: Irlanda
Cor: Colorido
Estreia: 11/02/2016 (Brasil)
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Irish Film Board / Item 7 / Parallel Film Productions / Wildgaze Films
Classificação: 12 anos
Informação complementar: Baseado no livro homônimo de Colm Toibin.
Sinopse: A jovem irlandesa Ellis Lacey (Saoirse Ronan) se muda de sua terra natal e vai morar em Brooklyn para tentar realizar seus sonhos. No ínicio de sua jornada nos Estados Unidos, ela sente falta de sua casa, mas ela vai tentando se ajustar aos poucos até que conhece e se apaixona por Tony (Emory Cohen), um bombeiro italiano. Logo, ela se encontra dividida entre dois países, entre o amor e o dever.
Nota do Razão de Aspecto:
 
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Brooklin conta a história de Ellis (Saoirse Ronan), uma jovem irlandesa, que, sem futuro em sua terra natal, decide emigrar para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor, em 1950. Do outro lado do oceano, a jovem Ellis conhece Tony (Emory Cohen), um encanador, filho de imigrantes italianos, por quem se apaixona. Após um acontecimento inesperado, Ellis retorna temporariamente à Irlanda, onde as oportunidades, que, antes, não existiam, começam a surgir e onde se envolve com Jim Carrel (Doonham Glesson). Ellis precisa decidir se retornará aos EUA ou se permanecerá em sua terra natal, uma escolha não somente entre dois amores, mas também entre os dois estilos de vida e duas perspectivas de futuro.
Brooklin é a prova de que qualidade não é sinônimo de complexidade e de que profundidade não é sinônimo de dificuldade de entendimento. Com uma história simples, o filme apoia-se na execução competente de todos os quesitos, reforçados pela atuação acima dá média de Saoirse Ronan. Embora seja o candidato mais fraco ao Oscar 2016, a mera indicação ao prêmio é um grande reconhecimento a este filme despretensioso, cuja premiére se realizou no Festival de Sundance 2015. Dessa forma, o filme seguiu o mesmo caminho de Pequena Miss Sunshine, Preciosa, Indomável Sonhadora, Inverno da Alma e Whiplash – produções que alavancaram a carreira de seus diretores e lançaram a carreira mundial de talentosos atores em atrizes, com destaque para Jennifer Lawrence. Brooklin iniciou sua trajetória comercial com selo de qualidade.

 

 

O filme conta com um roteiro bem escrito pelo romancista Nick Hornby. A jornada de Ellis, seu medo, seus traumas e suas dores, é narrada de forma clara e sutil, sem exagerar no drama, pontuando as dificuldades de adaptação e as novas descobertas nos momentos certos da narrativa e desenvolvendo um interessante estudo de personagem. No primeiro ato, conhecemos Ellis, sua família, seu mundo e as motivações e a levam a emigrar; no segundo ato, acompanhamos as dificuldades de adaptação de personagem até seu encontro com o simples e amável Tony; no terceiro ato, temos a virada que a leva de volta à Irlanda, onde tudo parece diferente e surge um novo amor – é neste ponto que o espectador percebe o quanto se havia envolvido com Ellis e Tony e como se importa do destino daquele casal. Com leveza e sutileza, a narrativa envolve o público desadvertidamente, ao ponto de causar surpresa com a reação que causa no terceiro ato.
A fotografia, o desenho de produção, o figurino e a trilha sonora apoiam o desenvolvimento da narrativa da melhor forma possível. O uso das cores tanto na fotografia quanto no figurino reflete a relação de Ellis com o mundo que a cerca: no primeiro ato, sua terra natal é retratada com cores frias, e tímida personagem usa roupas de tom escuro; no segundo ato, a chegada aso EUA é retratada por uma porta aberta que lança uma luz intensa sobre Ellis, indicando a esperança de um futuro melhor, e o Brooklin é retratado como um mundo colorido e alegre, embora a personagem demore a se adaptar – neste ponto, não há sincronia entre as cores e o figurino, já que o figurino de Ellis muda apenas depois de começar a faculdade noturna e conhecer Tony-; no terceiro, ato, a Irlanda é retratada com cores quentes, quando tudo parece estar diferente, e as oportunidades, no amor e no trabalho, começam a surgir em sua terra natal. A reconstrução de época é impecável.
John Crowley faz um trabalho competente de direção, embora se resuma a aproveitar o potencial de toda a equipe envolvida, especialmente do elenco. Parece pouco, mas, infelizmente, houve produções, em 2015, que, com os melhores recursos em mãos, forem prejudicadas por uma direção medíocre. Assim, deve-se reconhecer o mérito do diretor.
Por fim, o desempenho da jovem atriz Saoirse Ronan mereceu a indicação ao Oscar de Melhor Atriz, sem a menor sombra de dúvidas. Infelizmente para ela, 2015 foi o ano de mais uma atuação primorosa de Cate Blanchett, em Carol, e da espetacular representação de Brie Larson, em O Quarto de Jack. Com Brooklin, surge uma nova estrela para a próxima década de Hollywood.
Se Brooklin é o candidato mais fraco ao Oscar 2016, isso indica uma evolução significativa na qualidade dos indicados em comparação a anos anteriores, especialmente 2015. Que continuemos evoluindo, e que filmes despretensiosos como este continuem ganhando espaço na indústria, nos cinemas e nos nossos corações.
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