SNIPER AMERICANO
Gênero: Drama
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Jason Dean Hall
Elenco: Amie Farrell, Anthony Jennings, Assaf Cohen, Ben Reed, Billy Miller, Bradley Cooper, Brando Eaton, Brett Edwards, Brian Hallisay, Chance Kelly, Cory Hardrict, Darius Cottrell, Emerson Brooks, Eric Close, Eric Ladin, Erik Aude, Evan Gamble, Greg Duke, Jake McDorman, James Ryen, Jet Jurgensmeyer, Joel Lambert, Jonathan Kowalsky, Keir O’Donnell, Kyle Gallner, Leonard Roberts, Luke Grimes, Marnette Patterson, Max Charles, Mido Hamada, Navid Negahban, Owain Yeoman, Reynaldo Gallegos, Robert Clotworthy, Sam Jaeger, Sammy Sheik,Sienna Miller, Tim Griffin, Zack Duhame
Produção: Andrew Lazar, Bradley Cooper, Clint Eastwood, Peter Morgan, Robert Lorenz
Fotografia: Tom Stern
Montador: Gary Roach, Joel Cox
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 19/02/2015 (Brasil)
Distribuidora: Warner Bros
Estúdio: Warner Bros.
Informação complementar: Baseado no livro American Sniper de Chris Kyle.
Sinopse: Adaptado do livro American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S. Militar History, o filme conta a história real de Chris Kyle (Bradley Cooper), atirador de elite das forças especiais da marinha americana. Durante cerca de dez anos, Kyle matou mais de 150 pessoas, pelo que recebeu diversas condecorações.
Nota do Razão de Aspecto:
 
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Sniper Americano é um filme controverso, que desperta debates acalorados a
respeito do tratamento sobre o tema da guerra ao terror e da invasão do Iraque.
Se formos ao cinema irredutíveis em algum nível de preconceito com a premissa,
necessariamente consideraremos o novo trabalho de Clint Eastwood uma péssima
obra cinematográfica. Para mim, foi necessário grande desprendimento e alto
nível abstração das minhas convicções a respeito da guerra ao terror, de forma
a poder avaliar Sniper
Americano 
obra
cinematográfica para além de suas motivações patrióticas e apologéticas – as
quais não poderiam ser diferentes, considerando que se trata de adaptação da
autobiografia de um atirador de elite convicto das escolhas que fez.
Um dos pontos mais interessantes de Sniper Americano é entendermos, independentemente de concordarmos ou não, o
ponto de vista dos soldados estadunidenses. Para além das motivações de
política externa, são jovens que sentem medo, saudade da família, que são
brutalmente feridos e precisam sobreviver a cada turno de trabalho no campo de
batalha. Com base na perspectiva do drama pessoal, torna-se possível
criarmos empatia com aqueles personagens, especialmente com o protagonista
Chris Kyle – muito bem interpretado por Bradley Cooper. O tom da narrativa de Sniper Americano equilibra-se na linha limítrofe entre o drama e o
melodrama, sem ultrapassá-la em nenhum momento.
Como filme de guerra, Sniper
Americano 
obtém ótimo
resultado, ao manter o equilíbrio entre a ação e o suspense, ao premiar público
com ótimas sequências, como a fuga de uma emboscada em meio a uma tempestade de
areia, e  a disputa entre Kyle, a “lenda”,  e o atirador de elite iraquiano, “Mustafa” – que remete ao duelo de Circulo de Fogo (Enemy at the Gates, EUA, 2001) – , e ao retratar os dilemas daqueles homens quando necessitavam decidir
pela morte de alguém que poderia ser inocente. Essa estrutura evita a
superficialidade que poderia contaminar toda a narrativa, que é posicionada,
sem dúvidas, mas, em nenhum momento, é meramente panfletária.
Embora não seja panfletário, Sniper
Americano 
tem como ponto
fraco o maniqueísmo. Os “inimigos” iraquianos são retratados sempre
como seres brutais e selvagens, capazes de enviar suas crianças para missões
suicidas, sem se levantar o debate sobre suas motivações e, principalmente,
sobre o fato de os soldados estadunidenses serem os invasores. Os poucos
personagens que poderiam constituir contrapeso a esse ponto de vista foram
usados somente reforçar o maniqueísmo da narrativa, ao encontrarem destinos
brutais.
Outro ponto fraco de Sniper Americano são alguns diálogos semiexpositvos e, em alguns momentos,
evidentemente exagerados para alcançar algum efeito dramático, o que prejudica
o resultado de algumas sequências. Em algumas cenas, antecipamos o destino do
personagem em decorrência do didatismo dos diálogos. Felizmente, essas falhas
sequer se aproximam do baixíssimo nível dos diálogos de um de seus concorrentes
ao Oscar 2015: O Jogo da
Imitação
.
Ao compor o quarteto das cinebiografias do
Oscar 2015, juntamente com Teoria de Tudo, O Jogo da Imitação,
Selma, Sniper Americano é, juntamente com Selma, o
concorrente mais característico da cultura estadunidense, ainda que em sentido
oposto ao filme de Ava DuVernay.  Ainda que seja uma narrativa
polêmica, Sniper Americano é
um filme relevante e de qualidade cinematográfica inquestionável. A direção de
Clint Eastwood alcançou resultado excelente como thriller e foi eficiente como drama, apoiada
por uma interpretação inspirada de Bradley Cooper – que impressiona pela sua
transformação física.
Quem é o verdadeiro herói: Martin
Luther King Jr. ou Chris Kyle? Talvez nenhum, talvez os dois. O
primeiro, por meio da não agressão, o segundo, por meio da mira mais letal da
história dos Estados Unidos. Ambos inspiraram interpretações memoráveis em
narrativas poderosas, representativas da história de seu país e de seu
povo.
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