JOGOS VORAZES – A ESPERANÇA – PARTE 1

Gênero: Drama
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Danny Strong, Suzanne Collins
Elenco: A. Michelle Harleston, Elden Henson, Evan Ross, Josh Hutcherson, Julianne Moore,
Kim Ormiston, Liam Hemsworth, Lily Rabe, Mahershala Ali, Misty
Ormiston, Natalie Dormer, Patina Miller, Philip Seymour Hoffman, Sam
Claflin, Stef Dawson, Taylor McPherson, Wes Chatham
Produção: Jon Kilik, Nina Jacobson
Fotografia: Jo Willems
Montador: Alan Edward Bell, Mark Yoshikawa
Trilha Sonora: James Newton Howard
Duração: 125 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Cor: Preto e Branco
Estreia: 20/11/2014 (Brasil)
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Color Force / Lionsgate Films
Classificação: 12 anos

Sinopse: Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) assume seu papel como principal
símbolo de uma rebelião para depor o poder opressor da Capital depois de
sobreviver a duas edições dos Jogos Vorazes.

Nota do razão de Aspecto:

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Não sou um grande admirador das franquias de produções cinematográficas baseadas em best sellers. Geralmente, considero as adaptações para a TV muito superiores àquelas realizadas para o cinema – e o melhor exemplo para sustentar meu argumento é Game Of Thrones. Com exceção da trilogia de O Senhor do Anéis, não fui cativado por nenhuma franquia de adaptações, nem mesmo Harry Potter – o que torna desnecessário maiores comentários sobre incidentes como Crepúsculo. Felizmente, nunca devemos subestimar Hollywood: a produção de Jogos Vorazes é tão madura e tão equilibrada que praticamente redime a Meca do cinema mundial de seus pecados contra o cinema quando se preocupa demais com a bilheteria do que com a consistência. Jogos Vorazes – A Esperança – Parte 1 constitui prova concreta de que a produção comercial e a produção de qualidade não são, e não precisam ser, excludentes em nenhum nível.

Jogos Vorazes – A esperança – Parte 1 foi o segundo filme inédito lançado após a morte do grande Philip Seymour Hoffman a que assisti, juntamente como sua memorável atuação em O Homem Mais Procurado. Apesar de relembrar o tamanho que a perda do talento de Hoffman representou para o cinema contemporâneo, sua atuação reforçou a consistência da produção em conjunto com as também excelentes performances de Juliane Moore e Jennifer Lawrence e da já esperada, porém nunca ignorada, participação de Woody Harrelson.  Felizmente, este talentoso elenco foi muito bem dirigido em um roteiro bem adaptado. Nem sempre a reunião de grandes atores resultada em grandes filmes, como nos comprovam infelicidades como O Conselheiro do Crime Excrescence, digo Transcendence. A sinergia entre as atuações inspiradas, a direção segura e o roteiro consistente alcançou resultado memorável para filmes do gênero.

Ao contrário do que seria previsível, Katniss Everdeen não se torna uma grande heroína pelos seus talentos nos jogos, mas, sim, como símbolo da revolução em curso. A guerra civil é retratada como uma guerra de propaganda, na qual os símbolos são mais importantes do que as táticas em campo de batalha. Ainda que tenha total consciência de que está sendo usada para os propósitos políticos da presidente, interpretada por Juliane Moore, Katniss tem a maturidade e o caráter necessários para compreender a importância de seu papel no enfrentamento do presidente Snow.  Dessa forma, a guerra não se torna apenas um mote para que se coloquem na tela sequências épicas de ação, mas, sim, uma forma de crítica social profunda em relação ao papel da mídia, às causas das guerras e à política.

Para além da crítica, o roteiro também é exitoso no desenvolvimento dos personagens e de seus dramas pessoais, de forma a sempre fazer o espectador realmente importar-se com o destino de cada um deles. O dilema amoroso de Katniss não é tratado de forma melodramática – pelo contrário, a excelente interpretação de Jennifer Lawrence nos provoca empatia pelo conflito emocional do mockingjay. As motivações condicionam as escolhas dos personagens de forma clara, porém não condescendente com o público.

Apesar de ter ocupado 60% das salas de cinema do Brasil com base em estratégia de marketing e distribuição desproporcional, que, em grande medida, é nociva ao mercado cinematográfico brasileiro, Jogos Vorazes – A esperança – Parte 1 é um filme que vale o preço do ingresso . Se, muitas vezes, Hollywood entope nossas salas de cinema com produções rasas, que subestimam o público e contribuem para construir um gosto cinematográfico superficial e medíocre, também é verdade que, muitas outras vezes, somos premiados com produções competentes e merecedoras de crédito  e  rasgados elogios.

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