WiFi Ralph: Quebrando a Internet (2018) – Crítica
WiFi Ralph: Quebrando a Internet

WiFi Ralph: Quebrando a Internet é a sequência do simpático e nostálgico Detona Ralph (2012). Apesar de ser uma continuação e de usarem os mesmos personagens, temos aqui uma história independente. Há até uma brevíssima explicação que serve como uma apresentação/refresco na memória. Ela vem de modo orgânico e, portanto, funciona.

Como o título já mostra, o foco que antes era o mundo dos games agora se volta para o universo da internet. A doce corredora Vanellope e o brutamonte desastrado Ralph escapam do fliperama que estão instalados para recuperar um item na incrível “teia”. Ou seja, temos o bom e velho mcguffin para movimentar a trama.

 WiFi Ralph: Quebrando a Internet

O longa acerta em passar o encantamento/desnorteamento dos personagens diante da internet para o público. Nós ficamos deslumbrados com a personificação dos mecanismos que usamos no dia a dia (uma pesquisa em um site busca, um leilão no e-bay ou até os famosos algoritmos rendem ótimos momentos).

Não há pudor em mostrar marcas e nomes famosos (mesmo que no centro da trama Google e Youtube sejam substituídos). Tal opção fornece uma mistura de sensações. Por um lado a animação é um gigante outdoor com propagandas jorrando na nossa cara (e não me refiro aqui aos personagens do pop-up, ótima sacada aliás, mas a uma questão estrutural). Por outro, temos um show de referências que quase valem uma revisita para um olhar mais atento naquele mundo.

Apesar da dupla principal ter mais camadas aqui, a trama continua bem clichê-disney. Não há um grande mal nisso, já que os méritos tornam o óbvio mais encorpado. Contudo, os encontros e desencontros e as resoluções são bem antecipáveis – fica muito marcado quando o filme separa os personagens, o que vem a seguir e a própria opção de fazê-lo são exemplos deste gostinho meio amargo.

O que deixa com um sabor muito amargo são algumas mensagens um tanto tortas. A Vanellope mente e  rouba e é recompensada por isso. Já o Ralph também tem atitudes questionáveis e que trazem consequências graves e também fica por isso mesmo.

Ainda nos problemas, WiFi Ralph: Quebrando a Internet tem uma marca temporal para dar um senso de urgência. Contudo, a passagem do tempo é usada da forma que o roteiro bem entende. 16 horas se passam em um piscar de olhos e 30 minutos se prolongam indefinidamente. Por falar em minutagem, as quase duas horas pesam negativamente e já no segundo ato perde-se o fôlego – recuperado nos momentos finais, diga-se.

Quando o longa torna ridículo os vídeos em alta ou mesmo mostra o quão tóxico podem ser os comentários nas redes sociais, abre-se uma brecha para discutir assuntos importantes. Porém, opta-se por uma abordagem mais superficial e desperdiça algo que um Divertidamente fez de modo primoroso (lá com o tema depressão).

Agora uma questão extra-filme e que de modo algum tira a nota da obra, mas atrapalhou demais a minha imersão. Acabei vendo a versão dublada (só há uma sessão legendada no DF) e houve muitas localizações de termos. Aportuguesaram nomes de cidades, gírias, expressões e até comidas. Muitos se divertem com tal “sacada”, mas além do problema inerente a qualquer dublagem (não ser a voz que o diretor pensou e portanto ser “outro filme”), demasiada forçação torna tudo artificial e até datado. Aproveitando a deixa de fatores além: o 3D é completamente dispensável.

Voltando aos acertos de WiFi Ralph: Quebrando a Internet, na cena com as princesas Disney temos o ápice da referência bem utilizada. Maravilhosa a desconstrução dos clichês das histórias delas e o importante uso narrativo que é feito deste arco. O estúdio sabe usar bem o tamanho que tem (e até como usar os rivais) e nos traz piadas muito bem encaixadas no mundo contemporâneo, além de inúmeros personagens.

 WiFi Ralph: Quebrando a Internet

O tema amizade é bem posto e trabalha, mesmo dentro de um clichê, vários níveis. E aqui sim há mensagens passadas de forma correta – eu normalmente não ligo para o teor deste tipo de conteúdo, mas em animações, dado o foco infantil, acho importante esse direcionamento. Uma mexida de cabeça, mais precisamente um olhar, de Ralph no final do filme é bem tocante e poderá fazer os mais sensíveis irem às lágrimas.

Há duas cenas pós-créditos. Uma usa o trailer de uma forma curiosa e finaliza com um humor excelente. Já a segunda traz uma surpresa que tem muita relação com assuntos do filme. Vale a pena ficar para esta segunda – que surge após todos os créditos.

WiFi Ralph: Quebrando a Internet é um pouco inferior ao anterior, mas mostrou como os personagens podem respirar outros ares e de modo algum soou como um mero caça-níquel. Inclusive é um dos favoritos ao Oscar ao lado de Homem-Aranha no Aranhaverso.

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Força Ralph: Ralph vs Internet

20181 h 52 min
Overview

Ralph, o mais famoso vilão dos videogames, e Vanellope, sua companheira atrapalhada, iniciam mais uma arriscada aventura. Após a gloriosa vitória no Fliperama Litwak, a dupla viaja para a world wide web, no universo expansivo e desconhecido da internet. Dessa vez, a missão é achar uma peça reserva para salvar o videogame Corrida Doce, de Vanellope. Para isso, eles contam com a ajuda dos "cidadãos da Internet" e de Yess, a alma por trás do "Buzzztube", um famoso website que dita tendências.

Metadata
Director Rich Moore, Phil Johnston
Writer Phil Johnston, Pamela Ribon
Author
Runtime 1 h 52 min
Release Date 20 novembro 2018

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