Viva: A Vida é uma Festa (Coco, 2017) Pixar acertando mais uma vez – Crítica
Viva

Viva: A Vida é uma Festa (Coco, no original) é forte candidato ao Oscar de animação em 2018.

O novo filme da Pixar tem tantos méritos que nem é necessário uma retrospectiva do estúdio para justificar qualquer coisa além. E digamos que elogiar a Pixar/Disney é quase uma redundância. Filmes como Toy Story, Up, Procurando Nemo/Dory, Os Incríveis, entre outros, marcaram a infância (de pessoas de qualquer idade).

Sem medo da hipérbole: Viva é um dos mais emocionais. Talvez não seja o melhor, mas “apela” de um jeito que confesso que sai da sessão em choque. A afirmação pode soar estranha, pois o começo tem um ar infantil, simples até, porém do meio para o fim é uma avalanche atrás da outra e que se potencializa exatamente pelo primeiro ato mais “normalzinho”.

O tema aqui gira em torno de subtextos clichês, tais como, correr atrás do próprio sonho, tradições e família. Mas o principal é lidar com as repercussões da memória. A importância das lembranças, legado e preservação.

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Acompanhamos Miguel, um jovem que é o membro mais novo de uma linhagem que rejeita a música por conta de um evento no passado, o tataravô abandonou a mulher e a filha para se dedicar à música, algo que não foi perdoado pelas gerações futuras.

Contudo Miguel ama aquela arte e se nega a seguir o ofício familiar, trabalhar com sapatos. Na apresentação daquele universo temos uma narração com sentido – ao contrário de outras tantas que vem do nada – e visualmente criativa.

Logo fica patente a tradição do Dia dos Mortos, que no México (país onde se passa Viva) tem ritos diferentes dos nossos. Por falar em tradição, somos apresentados à rigidez da avó de Miguel – a matriarca da família. Ela é firme na educação não musical do neto.

Sem te dizer como (para evitar spoiler), a história tem uma virada quando o garoto vai para o mundo dos mortos e encontra pessoas conhecidas, como os entes que já faleceram. A aventura toma caminhos complexos e momentos aterrorizantes que vão além de esqueletos e fantasmas. A saída para criar um senso de urgência com pessoas já mortas é muito inteligente e sentimental.

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Não é preciso ser um grande adivinho para saber os rumos aqui. Mesmo eu antevendo 100% do que ia acontecer, a experiência não foi diminuída para mim. Isso foi decorrência de vários fatores. Dentre eles, a história do protagonista ser engajante  é algo que ajuda nessa construção – você quer viver aquele sonho com ele e vencer os obstáculos.

Outro ponto positivo cai na conta de miudezas que agregam no todo. Reparem em como a avó se movimenta e como ela oferece comida para o neto. Isso demonstra aquele olhar de vó, o que dá uma camada afetuosa em contraponto à firmeza. Vale perceber a língua de Miguel quando ele está tentando imitar o ídolo no violão, cacoete típico de quem tem um desafio nas cordas maior do que as mãos dão conta.

Apesar de ser um filme Disney e de ter música como pretexto principal, os que não apreciam musicais não terão problemas. Há bem menos canções do que pode parecer e todas elas funcionam de forma diegética, sem serem uma ferramenta fácil para dar andamento na história ou quebrando o ritmo da trama.

Viva

Na parte técnica, o visual de Viva: A Vida é uma Festa é rico em detalhes. No mundo dos vivos, os dois tipos de altares são recheados de objetos, o caminho até a praça tem diversas bancas (algumas com easter egg bem legais, vamos ver se vocês percebem) e vale o destaque para o realismo de um arbusto. Já no mundo dos mortos, temos uma piscina toda especial, uma ponte bem simbólica e aqui destaco o já comum apuro nos detalhes da água (Moana e Piper já haviam feito algo nesse sentido). No fim do filme tem uma parte do corpo que também fascina e impressiona.

A pintora Frida Kahlo, um dos ícones mais fortes no México, tem diversas referências. Para além do fanservice cultural, há também um propósito na história. O arco dela, pode soar desnecessário para alguns e gerar alguma barriga. A cena além de criativa e divertida tem consequências que ficam no limiar entre uma facilitação do roteiro e um artifício genuíno.

A mensagem final que envolve perdão, relação com o ídolo e aceitação carrega nas tintas. Todavia, em momento algum soa professoral, piegas ou artificial. Pelo contrário, ali é o ápice do emoção (o clímax é simplesmente exemplar aqui). Pessoalmente eu não chorei no meio do filme, mas assim que começaram os créditos eu despenquei e fui às lágrimas, vindo do diretor de Procurando Nemo e Toy Story não tem nenhuma surpresa…

PS: dois detalhes para além filme: a tradução e a dublagem. Independente de serem melhores ou piores que a original é uma pena que não possamos ter contato com o material pensado pelos responsáveis pelo filme. Não quero desmerecer os dubladores locais. Porém fica uma avaliação completamente enviesada não escutarmos as vozes base. Pelo menos em Brasília só temos sessões assim. 

Not rated yet!

Coco

20172 h 08 min
Overview

Apesar da proibição da sua família em relação à música, Miguel sonha em tornar-se num grande artista, como o seu ídolo, Ernesto de la Cruz. Desesperado para conseguir provar o seu talento e após uma série de misteriosos eventos, Miguel dá por si na maravilhosa e colorida Terra dos Mortos. Ao longo do caminho, encontra o encantador e vigarista Hector e juntos, partem numa viagem extraordinária, para desvendar a verdadeira história de família de Miguel.

Metadata
Director Lee Unkrich
Writer
Author
Runtime 2 h 08 min
Release Date 27 outubro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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  • Maurício Costa

    Verei amanhã;