Visages, Villages (2017) – Indicado ao Oscar de Documentário – Crítica
Visages, Villages

Visages, Villages respira arte a cada segundo. E diversos tipos de artes: desde a animação inicial que já dá um tom mais lúdico, passando por referências cinematográficas (como o momento do olho e a cena derradeira), além, é claro, das fotografias que são o mote princiapl aqui. Mas também a (boa) arte de enganar – já já falamos disso.

O longa foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário.

Confira aqui todas as nossas críticas do filmes indicados ao Oscar

Dirigido pela cineasta Agnès Varda (89 anos, pessoa mais velha na história a ser indicada ao Oscar) e pelo fotógrafo JR (34 anos), acompanhamos a jornada da dupla pelo interior da França, onde eles buscam histórias que rendam tocantes painéis ao ar livre.

Visages, Villages

O filme faz algo difícil: eleva a simplicidade à importância do registro, registro este que serve para preservação da memória – ainda que feito de modo efêmero como em um dos casos (não vou revelar qual para evitar spoiler).

Esse trato da memória rende inúmeros momentos tocante. A partir do resgate de fotos passadas ou mesmo da captura de novas fotografias, projeta-se nos muros das casas e em outros suportes grandes imagens.

As imagens refletem rostos marcados pelo tempo, feminismo em um ambiente pouco comum, a importância dos chifres em uma cabra, uma pose de uma garçonete, além das lembranças da própria Agnès.

Visages, Villages ganha uma intimidade com o público não só por se deter em imagens tão humanas, mas também por diálogos entres os dois diretores. O recurso cria uma narrativa para além da obra e vemos os autores. Já no começo somos apresentados a uma divertida cena de desencontro. O tom leve é marcado durante praticamente todo o filme.

Visages, Villages

O porém é que boa parte das cenas são forjadas (daí a arte da enganação que citei no começo). Curiosamente a mesma linha, guardando as devidas proporções, foi usada no documentário brasileiro Jonas e o Circo sem Lona.

Potencialmente isso pode incomodar e tirar a imersão. Por outro lado criticar essa ferramenta é criticar a essência pretendida aqui. Não haveria mal em apontar que esse espírito é falho na origem. Mas aqui inegável que o resultado funciona.

Entendemos o projeto, somos cúmplice da pareceria e humanizamos quem busca personagens. As linhas de diálogo menos espontâneos são este filme e não apenas um acessório. As últimas cenas do filme rendem um momento envolvendo outro cineasta que cai nessa questão do que é ou não verdade ali. Se tudo foi genuíno ou se não passou de um teatro é algo menor.

Na primeira hora de filme, muitos rostos passam e as histórias ficam com aquele gostinho de quero mais. Já a partir do arco com as cabras, seguindo para o bunker e as mulheres dos estivadores, a coisa anda em outro passo. Esse desequilíbrio sim eu não entendi.

Visages, Villages encanta. Agnès e JR, encantam. Os diversos quase anônimos, mas que são recheado de vidas, encantam. Visages, Villages é uma delicada e encantadora visita ao âmago da arte.

Not rated yet!

Visages, villages

Overview

O documentário retrata uma experiência fotográfica e cinematográfica de dois talentos mundialmente reconhecidas por questionarem a cultura da exibição das imagens: Agnès Varda, cineasta, e JR, fotógrafo e criador de galerias e exposições fotográficas ao ar livre. Juntos, eles viajam por regiões da França bem longe dos centros urbanos, com um caminhão que captura imagens de forma mágica.

Metadata
Director Agnès Varda, JR
Writer
Author
Runtime
Country  France
Release Date 28 junho 2017
Actors
Starring: Agnès Varda, JR, Laurent Levesque

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 1    Média: 3/5]