Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War, 2018) – Crítica
Posters para "Vingadores: Guerra do Infinito"

Vingadores: Guerra Infinita tem o objetivo tão ousado quanto difícil de reunir dezenas de heróis do Universo Cinematográfico Marvel (UCM) em um filme, de modo a realizar a convergência das narrativas de mais de uma dezenas de filmes, histórias de origem, personagens muito diferentes entre si, atmosferas e tons narrativos completamente distintos. Da pura galhofa de Guardiões da Galáxia ao  thriller político dos filmes do Capitão América, passando pela formação dos Vingadores, esta produção poderia, com um simples tropeço, resultar em algo como os malfadados filmes da DC, especialmente Batman X  Superman e Liga Da justiça. Felizmente, como ponto culminante do UCM,  Vingadores: Guerra Infinita entrega aquilo que se propõe a realizar e, apesar de alguns probleminhas aqui e acolá, deixa o público estupefato, em silêncio, embasbacado e tonto no final da projeção. Se eu, que não sou e nunca fui exatamente um devorador de quadrinhos da Marvel tive essa reação, tente imaginar como foi a do exército de fãs desse universo fantástico. Trata-se de um grande trabalho de direção dos irmãos Anthony e Joe Russo.

Por ironia do destino, coube a mim, o único membro do site que não é fã declarado da Marvel e o menos empolgado com os filmes de super-herói, a tarefa de fazer a crítica do filme que marca um ponto de virada do gênero e que aumenta em anos luz a distância da qualidade com UCM para o Universo Cinematográfico DC – muito embora eu seja um verdadeiro fã dos heróis da Liga da Justiça. Se há uma vantagem nisso, ela reside na elaboração de uma crítica desapaixonada e sincera sobre esta obra atípica.

Comecemos pelos pequenos problemas do filme, que me levaram a atribuir nota abaixo da máxima.

Ao buscar a convergência entre três arcos principais do UCM ( Tony Stark, Steve Rogers e Thor),  Vingadores: Guerra Infinita também aposta na ação paralela em três pontos diferentes, o que acaba resultando em oscilações de ritmo. Em alguns momentos, o filme fica quase enfadonho, mas acaba se salvando pela retomada da ação. Além disso, há piadas em excesso, e não se trata apenas da quantidade de piadas. Algumas delas estão claramente mal encaixadas, outras têm pouca graça, outras são totalmente desnecessárias. Como não se trata de um filme no tom de Guardiões da Galáxia ou Thor: Ragnarok – os quais assumem a galhofa como estilo -, cria-se uma dificuldade em relacionar o medo do fim dos tempos com Drax tentando se passar por invisível, por exemplo. Cada núcleo e cada cross over tem resultados diferentes,  Felizmente, a maior parte do humor funciona muito bem e resulta em momento impagáveis e memoráveis, como os diálogos do Homem Aranha e de Peter Quill sobre cultura pop terráquea. E os problemas param por aqui.

Pela primeira vez, o UCM apresenta um vilão realmente ameaçador, brutal e letal. Se os bons vilões da Marvel se resumiam a Loki e Erick Killmonger, Thanos eleva a construção destes personagens a um novo patamar, ao ponto de, em alguns momentos, nos questionarmos sobre a loucura e a racionalidade de seu objetivo de destruir metade do universo em busca do equilíbrio da vida. Não se trata de um personagem caricato, apesar da aparência, mas, sim, de um vilão com muitas camadas, dilemas e motivações críveis. O medo de Thanos não é conhecido pelo público apenas porque os personagens o expressam, mas também é sentido pelo público, que percebe o nível a ameaça.

A convergência dos arcos dos três principais Vingadores (Homem de Ferro, Capitão América e Thor) resulta em três lideranças naturais, cujas experiências traumáticas levam a uma nova reunião para evitar a destruição total (ou de metade do total, tundunts!). Tony Stark, com o presságio da chegada de Thanos, Thor, após a destruição de Asgard, e Capitão América, de volta do exílio, Para chegar a esse ponto, esses personagens passaram por jornadas semelhantes, cujos encontros nos dois Vingadores montaram a trama grandiosa, que, agora, chega ao seu ponto culminante.

Ao reunir elenco tão grande e tão estelar, os irmãos Russo tinham um possível problema real a resolver: as vaidades dos atores. Porém, tudo parece funcionar bem, todos atuaram com a clareza e a compreensão de que o todo era mais importante do que a parte e atuaram com a mesma energia de quem estrelava o próprio filme. Mesmo com poucos minutos de tela, Elizabeth Olsen, Mark Ruffalo, Scarlat Johanson, Chedewik Boseman dão um show ao lado de Robert Doney Jr. Chris Hamsworth, Chris Evans, Tom Holland, Benedict Cumbebatch, Zoey Saldana, Crhis Pratt e Josh Brolin, e vou parar com a lista.

As cenas de ação são empolgantes, trazem duelos inesperados e cheios de energia, têm uma boa movimentação de câmera, com cortes no tempo certo, que nos dão uma excelente noção da movimentação e da luta. Cada soco de Thanos parece doer no público, não apenas pelo afeto aos heróis, mas também porque o enquadramento permite que se sinta o peso da mão e a força da violência empregada.  Em termos de efeitos visuais, Vingadores: Guerra Infinita é, ao natural, candidato às premiações da próxima temporada, considerando o grau de dificuldade de cruzar recursos como os de Dr. Strange, Pantera Negra, Vingadores: A Era de Ultron e Thor Ragnarok. O filme é um espetáculo visual.

Vingadores: Guerra Infinita, portanto, é um filme maduro, inteligente e, sem dúvida o mais ousado blockbuster da história de Hollywood e o mais corajoso filme da Marvel e, por que não dizer, o mais corajoso filme de super heróis jamais feito. As consequências do desfecho dessa primeira parte são impensáveis, e a qualidade do final supera e nos faz esquecer qualquer pequeno defeito do filme. Como cinema, não é perfeito, mas como clímax do UCM é uma obra prima, que faz os filmes da DC parecerem dignos de pena.

texto de Maurício Costa

Sobrevivendo ao apocalipse

Como o Maurício Costa deixou bem claro em sua crítica, logo acima, ele não é familiarizado com os quadrinhos da Marvel, e pediu para que um dos fãs da Marvel acrescentasse detalhes a crítica, em especial sobre o que aconteceu em Guerra Infinita, e quais os impactos possíveis da história para o MCU. Pois bem, então vocês sabem o que virá a partir de agora: spoilers. Uma ENORMIDADE DE SPOILERS.

E SPOILERS DO PIOR TIPO. Detalhes surpreendentes e impactantes do roteiro serão analisados. E se você não viu o filme, saber destes detalhes irá alterar e muito a experiência de assistir Guerra Infinita. Então se você ainda não assistiu, pare de ler agora!!! Não deixe Thanos triste e só leia o texto abaixo da imagem depois de assistir ao filme.

Ok… Se você está lendo estas linhas então sabe que no final de Guerra Infinita  Thanos junta todas as gemas do infinito, estala os dedos, e metade dos seres inteligentes do universo viram pó e desaparecem. Incluindo nomes como Pantera Negra, Homem-Aranha, Doutor Estranho, Soldado Invernal, Falcão, Feiticeira Escarlate, Starlord, Groot, Drax, Mantis, Nick Fury. Antes deste estalar de dedos fatídicos, outros nomes de peso tiveram mortes bem mais violentas. Heimdall, Loki, Gamora e Visão são mortos por meios mais tradicionais.

O que seguirá aqui não é uma crítica do filme com spoilers. Quem quiser algo semelhante sugiro ver a Mesa Quadrada que será gravada no dia 1 de maio, as 19:00 horas. O que farei aqui é mais uma análise do que ocorreu e poderá ocorrer no MCU depois deste evento apocalíptico, com base no que conhecemos dos quadrinhos.

A morte de metade do universo é o principal motivo pela tão falada coragem de Vingadores: Guerra Infinita. Muitos dos heróis (e um dos vilões) favoritos do público morreram de modo aparentemente irreversível. E ainda pior, o vilão mais destruidor de todo o universo Marvel conseguiu realizar o genocídio final: metade de todo o universo pereceu com suas ações. Parece um ato inimaginável e impensável para um roteiro de super-heróis.

Só que isto já aconteceu antes. Não uma, mas várias vezes, nos quadrinhos. Para os leitores da Marvel, em especial quando descobrimos que Guerra Infinita é apenas metade da história, o final chega até a ser previsível neste aspecto. E já sabemos de antemão o segundo movimento que acontecerá, inevitavelmente, em Guerra Infinita – Parte 2. O genocídio universal será revertido.  Talvez não completamente, e com certeza não sem um alto custo. Mas pelo princípio básico de que quase todo final de arco dramático de super-heróis termina com uma vitória dos heróis, Thanos será derrotado, e seu objetivo, frustrado. A questão não é saber se os heróis retornarão, mas quais e como eles retornarão.

Arcos dramáticos

Comecemos pelos arcos ainda incompletos. Há diversos arcos entre os heróis que demandam soluções. O primeiro e mais óbvio de todos é o conflito entre Tony Stark/Homem de Ferro e Steve Rogers/Capitão América. Desde os eventos de Capitão América: Guerra Civil que os principais líderes dos Vingadores não dialogam entre si. Não é a toa que ambos encontram-se entre os sobreviventes. Vale lembrar que Chris Evan e Robert Dowey Junior já manifestaram interesse de deixar de participar do MCU, e um dos caminhos mais fáceis seria fazer com que seus personagens morressem agora. Mas estão vivos. Antes que possamos nos despedir dos dois heróis, eles precisam voltar a se entender.

Thor também precisa encerrar seu arco de Rei de uma Asgard derrotada. Hulk precisa superar seu medo de Thanos e voltar a enfrentá-lo. A Feiticeira Escarlate precisa superar ter sacrificado seu amado de forma inútil. E ainda há um arco especial do Dr. Estranho. O mestre das artes místicas chegou a dizer que deixaria todos morrerem antes de entregar o Olho de Agamoto para Thanos. E depois entrega sem combate para salvar a vida de Tony Stark. A explicação provavelmente se encontra em suas visões do futuro, e do único caminho entre milhões que permitiria a derrota de Thanos. Aparentemente a preservação da vida de Tony Stark é um dos pontos centrais para a vitória dos Vingadores.

Mas o principal arco a ser resolvido é o do próprio Thanos. O custo pago pelo titã insano para atingir seu objetivo foi alto demais. Sacrificar o único ser que ele amava em todo o universo: Gamora. A relação entre Thanos e sua “filha” é um dos pontos centrais do filme, e o luto de Thanos pela filha ainda não foi resolvido. E este amor paternal de Thanos por Gamora é uma das duas grandes mudanças do Thanos dos quadrinhos para o Thanos do cinema.

Nos quadrinhos, o grande amor de Thanos é a Morte. Não apenas pelo conceito da morte, mas por uma figura cosmológica quase divina, a “pessoa” Morte. E a paixão de Thanos não é correspondida. Então, para impressionar a sua amada, Thanos tenta (e consegue algumas vezes) matar metade de toda a vida do universo. No cinema, Thanos ama sua filha, e seu objetivo para o genocídio não é de um presente a Morte, mas sim a preservação da vida. Na sua insanidade após o fim da civilização de Titã, Thanos entende que reduzir a vida a metade restauraria o equilíbrio ecológico e diminuiria o sofrimento de todos. O que é uma ideia absolutamente insana, mas interessante dramaticamente.

Então mais um caminho se abre para a solução. Thanos pode perceber que a suposta utopia após a morte de meio universo é uma ilusão. Se Thanos perceber que seu genocídio apenas o transforma no maior vilão cósmico, ele pode entrar em conflito e alimentar sua própria derrota. Fazer o vilão cair nos seus próprios erros e insanidade seria um excelente fecho dramático.  E bem temático com o personagem. Thanos, nos quadrinhos, por diversas vezes obtêm a onipotência e se boicota a ponto de perdê-la.

Meios de retorno

Há três mecanismos e duas pistas já apresentados no MCU que permitem modos de desfazer o estalar de dedo de Thanos.

1- a jóia do tempo

O mais familiar para aqueles que apenas viram os filmes é a Jóia do Tempo, o Olho de Agamoto. No filme do Dr. Estranho vemos o mago usar o Olho de Agamoto para retornar no tempo e desfazer o que já foi feito. Em Guerra Infinita Thanos usa a jóia com o mesmo fim para desfazer da destruição da Jóia da Alma, e capurá-la matando Visão no Processo.

Assim se alguém conseguir retomar a Jóia do Tempo poderá desfazer o que Thanos fez. O melhor dos candidatos seria o próprio Dr. Estranho, já habituado a usar o artefato. Mas ele é um dos desaparecidos no final do filme. Contudo ele é um DESAPARECIDO. Diferente de Loki ou Heindall, que foram MORTOS, os heróis que tiveram seus corpos desfeitos nas últimas cenas não necessariamente estão mortos. Podem ter sido transportados a uma outra dimensão ou universo. E sabemos que o Dr. Estranho pode viajar entre dimensões e universos. Ainda temos Wong, o parceiro de Estranho, que tem alguma familiaridade com o tema. E o fato que Dr. Estranho viu diversos futuros possíveis, e claramente traçou um plano contra Thanos.

2- a jóia da alma

O segundo meio de retorno é a Jóia da Alma. Nos quadrinhos sabemos que a Jóia da Alma tem a capacidade de absorver almas para dentro de si, em uma espécie de universo intermo. E aquele que viesse a controlar a Joia da Alma poderia trazer os seres nela aprisionados de volta. Esta habilidade da Jóia é sugerida no cinema tanto pela fantasmagórica aparição do Caveira Vermelha quanto pela necessidade do sacrifício de Gamora. A Joia manipula e absorve almas.

Se Thanos usou a Jóia da Alma para absorver a vida de metade do universo, então as mortes provocadas neste ato (e a de Gamora) poderão ser desfeitas da mesma forma. Isto não traria Heimdall ou Loki de volta, mas permitiria o retorno de todos os outros.

Inclusive, conforme debatido no ponto anterior, Dr. Estranho poderia conseguir agir de dentro da Jóia para fazer algo neste sentido.

3- a dimensão quântica

De forma muito suave, durante O Homem-Formiga se apresentou a idéia da dimensão quântica. Scott Land foi alertado por Henry Pym que caso ele se encolhesse demais, ficaria preso em uma dimensão quântica onde espaço e tempo perderiam sentido, e não conseguiria voltar. Mas o herói esteve lá, e retornou. Como o próximo próximo filme do MCU é exatamente O Homem-Formiga e a Vespa, é possível que neste filme algum recurso seja retirado da caixa quântica para desfazer ou anular os efeitos das jóias do infinito.

4- Capitã Marvel e Adam

A cena pós-créditos de Guerra Infinita é uma referência a Capitã Marvel, personagem principal de mais um dos filmes da Marvel que será lançado antes de Guerra Infinita: Parte 2. E sabemos que Nick Fury tinha algum plano de contingência envolvendo a heroína. O que exatamente, só saberemos no filme. Mas nos quadrinhos a Capitã Marvel tem uma estreita relação com o Capitão Marvell, ou Mar-Vell. E este é um dos maiores inimigos do titã insano, e um dos poucos personagens que já chegou a derrotá-lo. Claro, sem ver o filme da Capitã sequer sabemos se Mar-Vell será apresentado.

Além disto, no final de Guardiões da Galáxia 2 vemos que a raça de Soberanos criou um ser perfeito, chamado de Adam. É uma clara referência a Adam Warlock, outro dos maiores inimigos de Thanos. Nos quadrinhos, Adam é o principal responsável por derrotar Thanos exatamente na história onde ele consegue as joias do infinito. Mas acho que esta possibilidade tem menor chance de ser usada, pois Guardiões da Galáxia 3 será lançado depois de Guerra Infinita: Parte 2.

Claro, isto tudo é um exercício de futorologia, mas bem apoiado no que se conhece do universo dos quadrinhos. Mas então, depois de toda esta digressão, o que podemos dizer a respeito da “coragem” da Marvel em matar metade de seus heróis?

Antes de tudo, devemos dizer que com isto ela produziu um final absolutamente surpreendente para a maioria dos fãs dos filmes, que pouco ou nada leram dos quadrinhos. O choque absurdo do final ficará marcado, não importa qual solução seja apresentada. Outro ponto importante é a qualidade de Thanos como vilão. Sua a presença assustadora e sua motivação perturbadora funcionou em todos os aspectos.

Mas devemos esperar um movimento muito complicado de se desfazer o que foi feito. Se for mal feito, poderá frustrar os fãs e cancelar o choque e assombro obtido. Mas há pistas e caminhos para que isto se resolva, e ultimamente a Marvel demonstrou que sabe apresentar excelentes finais de filme.

Devemos esperar um retorno de algo da glória de Asgard, ou no mínimo uma vingança de Thor. O retorno de Hulk. Uma nova aliança de Stark com Rogers, com um provável sacrifício de um ou ambos personagens. O retorno dos heróis campeões de popularidade. E uma queda titânica de Thanos, por seus próprios conflitos internos. Outra coisa que podemos esperar é que em maio de 2019, no lançamento de Guerra Infinita – Parte 2, este texto fique completamente ridículo. Mas até lá, assumo o papel de nerd profeta dos quadrinhos.

texto de Aniello Greco

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Vingadores: Guerra do Infinito

20182 h 29 min
Overview

A terceira aventura de Os Vingadores (2012) que, desta vez, contará com uma formação diferente de super-heróis, após os acontecimentos de Vingadores: Era da Ultron (2015). Segundo especulações, a batalha dos heróis será contra Thanos, um gigantesco malfeitor celestial cuja paixão pela Senhora Morte o fez planejar um evento conhecido como "genocídio estelar". Na história, Thanos consegue reunir todas as Joias do Infinito. Juntos, esses objetos são capazes de concentrar a força mais potente do universo.

Metadata
Director Joe Russo, Anthony Russo
Writer
Author
Runtime 2 h 29 min
Release Date 25 abril 2018

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