Venom (2018) – Pior que Mulher Gato? – Crítica
Venom

Venom estreia esta semana e os primeiros relatos davam conta de que era pior que o famigerado longa da Mulher Gato. Mas já respondendo a pergunta clickbait do título: Venom não é pior que aquele desastre e outros exemplos semelhantes que quase afundaram os filmes de herói. Venom é… bobo. Sim, o adjetivo simplório foi a primeira palavra que veio a minha mente e sinceramente reflete bem o filme.

Logo na primeira cena, de modo intencional ou não, temos uma referência gratuita a Star Wars. Com o céu espacial e uma nave surgindo. A cena não tem o mesmo impacto que no Nova Esperança e me pergunto o que os realizadores tentaram com isso. E essa dúvida se perpetua em diversas outras decisões por eles tomadas…

A história começa ali, descobrimos que aquele foguete carregava algo que poderia mudar os rumos da humanidade: vida extraterrena. Claro que algo dá ruim, um dos chamados simbiotes escapa. Enquanto isso, os demais são analisados em laboratório pelo antagonista megalomaníaco da vez. A troco de dar melhor condição de vida para os humanos Carlton Drake (Riz Ahmed) não mede os meios. Mais uma vez o papo de superpopulação e blá blá blá… já vimos isso este ano mais de uma vez, inclusive no universo Marvel…

Na outra ponta temos o nosso intrépido/fracassado herói, o jornalista  Eddie Brock (Tom Hardy, que aqui tem a difícil tarefa de falar de modo entendível) confronta o empresário e acaba se metendo em um problemão.

Venom

Eu sou totalmente contra spoiler, mas quem conhece a história, viu os trailers ou fez o curso básico de Sherlock sabe que um dos simbiontes, o Venom (por coincidência título deste filme), se integrará ao nosso protagonista. Isso, apesar de não ocorrer nos minutos iniciais é quase a premissa do filme. Imagino não estar atrapalhando a experiência de ninguém ao dar essa informação…

As várias consequências posteriores é que importam. E justamente elas é que caem no “bobo” que citei inicialmente. Os personagens vão do ponto A ao B, às vezes saltam para o C de modo desnecessário. Ou então voltam para o A… Tudo do jeito mais banal.

Os desafios e arcos dos personagens estão lá e importam (isso já torna esse filme melhor que meia dúzia de coisas semelhantes), contudo, no fim das contas meio que tanto faz, a premissa é batida. Os eventos são sem graça. E a resolução… bem, falamos dela depois… Se Venom fosse lançado há 30 anos funcionaria que era uma beleza… mas chegou tarde, amigão…

Outra coisa um tanto anacrônica são as piadas. Não, elas não fazem referências a coisas hoje má vistas pela sociedade. São apenas, olha que surpresa, bobinhas. Sabe a sacada de no meio da ação soltar uma piadinha, algo que funcionou em Homem de Ferro há dez anos? Se você não está enjoado disso, será divertido…

Dois exemplos de piadas deslocadas (e não exatamente pela ação): o vizinho metaleiro de Eddie ou então uma cena no final que caberia no filme do Will Smith Hitch – Conselheiro Amoroso. Você não esperava essa lembrança em um filme do Venom… é, eu também não…

Nessa linha, parte é de responsabilidade do roteiro que tem nomes que integraram as equipes de Jumanji bem-vindo à Selva, Torre Negra e 50 Tons… Outra parte é da direção que solicitou que Hardy fizesse caretas caricatas em vários momentos. E sim, não dá para isentar o ator, que definitivamente não faz o melhor trabalho da vida. Eu adoraria dizer que o Tom do filme está errado…

Venom

Costumamos dizer que o padrão do clichê melodramático é ter no mesmo filme cachorro, criança e câncer. E não é que o trio dá as caras aqui? Com a licença poética do “parasita” ser considerado um câncer.

Na parte técnica, outros problemas se sobressaem. A montagem é terrível . Um momento capital, uma luta no final do filme, tem mais cortes que um filme do Michael Bay. Seria muito interessante ver o que estava acontecendo, mas a diretor Ruben Fleischer e os montadores Alan Baumgarten e Maryann Brandon não deixaram.

A ação como um todo tem movimentos batidos. Carros explodindo, mil homens contra um – e esses 999 sendo dizimados e o capanga principal sobrevivendo, algo acontecendo no último segundo e mudando os rumos… Enfim, há até algum estilo dada a condição dos personagens, mas nada sensacional.

Um dos motivos da ação ser esquecível é a classificação indicativa. Em um filme que o bichão devora cabeças era natural mostrar sangue ou mesmo o ato em si. Mas como a estratégia comercial pensa ser mais interessante abaixar a idade indicada, temos algo bem água com açúcar.

A trilha sobe demais em diversos momentos. Cogitei que seria um problema da sala, mas os diálogos e demais sons estavam calibrados. O exagero heroico em alguns acordes vem talvez para disfarçar um recheio um tanto insosso.

Como eu disse no começo, Venom não é pior que Mulher Gato, mas é sim o pior filme de heróis (ou anti-heróis) de 2018 – Vamos torcer para Aquaman não roubar este posto. A seguir alguns comentários sobre o além filme…


Venom conta ainda com duas cenas pós-créditos. A primeira, como tradicionalmente ocorre, aponta para filmes futuros ao apresentar um personagem – o público ocasional achará nada aqui, os fãs podem ficar alegrinhos… Já a segunda cena é quase um curta metragem e tem valor de produção até melhor que o filme principal.

Achou estranho eu não mencionar o Homem-Aranha no texto, apenas segui o filme me apresentou…Uns podem dizer inclusive que esta total independência é algo positivo.

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Venom

20181 h 52 min
Overview

Eddie Brock é um jornalista que investiga o misterioso trabalho de um cientista, suspeito de utilizar cobaias humanas em experimentos mortais. Quando ele acaba entrando em contato com um simbionte alienígena, Eddie se torna Venom, uma máquina de matar incontrolável, que nem ele pode conter

Metadata
Director Ruben Fleischer
Writer
Author
Runtime 1 h 52 min
Release Date 1 outubro 2018

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