Uma Razão Para Viver (Breathe, 2017) – Emoção sincera – Crítica
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Uma Razão Para Viver

Fazer biografias de superação com o intuito de levar o público às lágrimas é um filão “fácil”. E fácil também é cair nas armadilhas do gênero e entregar um filme meloso, chapa branca e que usa artifícios pueris para carregar os espectadores.

Felizmente Uma Razão Para Viver (Brasil e os títulos bizarros…) consegue se equilibrar nesses problemas, que sim estão presentes, e entrega uma produção pra lá de digna sobre a vida da família Cavendish. Robin (Andrew Garfield), no final da década de 50, contrai Pólio e fica tetraplégico. A esposa Diana (Claire Foy) tem que lidar com o duro dia a dia implicado por aquela condição. Cercados de engenhosos amigos, que tentam criar meios para uma vida melhor para Robin, e do filho Jonathan, que encabeça o projeto do filme e homenageia e eterniza o pai.

O começo é bem ágil, até demais, em marcar o amor entre Robin e Diana. A coisa fica meio forçada, mas mostra que não se quer perder tempo com aquele momento. Corta logo para uma bela química entre a dupla e humor leve de Robin. Passado esse quase prólogo, já estamos imersos na doença.

Uma Razão Para Viver

Andy Serkis, consagrado como o nome da captura de movimentos de filmes como Senhor dos Anéis e Planeta dos Macacos, vem na direção de Uma Razão Para Viver com o primeiro filme lançado (Mogli que foi o filme de estreia só chegará aos cinemas posteriormente).

Serkis imprime o tom necessário em cada momento. Ter nas mãos drama, romance, humor, aventura, além da biografia em si, requer uma alternância que nem todos conseguem. A saída foi optar por pouco risco. O porém é, com o perdão do trocadilho, a história não andar. Temos uma certa redundância nos episódios e alguma coisa sobra ali. O road movie é legal? Sim. Mas precisava? Não sei… e este é apenas um dos exemplos.

O que gera um problema: não há viço nos coadjuvantes que são apenas funcionais, por vezes até Diana cai nessa conta. O alterntiva, ou incompetência, está em apostar apenas em Robin. Por sorte, ou competência, o personagem nos ganha. Ele tem um necessário humor que ri dele mesmo e, passada a depressão, encara tudo com uma naturalidade assustadora. Mostrar como é possível Viver, para além de sobreviver, é um dos acertos aqui.

Andrew Garfield chega aos cinemas brasileiros pela terceira vez este ano. Depois de Até o Último Homem e Silêncio, vem em um papel que os atores costumam gostar e onde, ironicamente, a fisicalidade importa muito. A voz, o olhar, o desespero, tudo é dividido entre o exagero (que cabe aqui) e a sutileza. Garfield não será (e nem deveria) indicado ao Oscar, mas cativa bem.

Já o retrato do universo ao redor é monotônico. Tem o médico intolerante, o outro médico compreensivo, o paciente piadista, o cachorro serelepe, os gêmeos amigos-alívios-cômicos-conselheiros, o amigos inventor-deus-ex-machina….

Até os temas, como o direito à própria vida e depressão, são amenizados. Não vemos tantas discussões pesadas (que possivelmente existiram) entre o casal. É mais a fórmula dificuldade-superação. Tudo é lavado em prol da mensagem edificante e emocionante para o público.

Mas diferente de um Beleza Oculta ou Depois Daquela Montanha, há um filme por trás. O foco fica nos avanços médicos e tecnológicos, nas adaptações para o bem-estar de Robin e em um não coitadismo da mensagem pela mensagem.

Tecnicamente temos altos e baixos. A maquiagem não dá conta do tempo decorrido. Do nada ela surge carregada e até gera estranhamento, logo em seguida retorna ao que vimos antes, em um problema de continuidade. A câmera subjetiva poderia ser mais usada, pois causa um apelo bem-vindo. O fade out bem aplicado no quase final poderia ter encerrado o filme, mas dá uma continuidade positiva e reforça o drama.

A já citada mudança de tom que dá fôlego e o engajamento sincero na jornada de Uma Razão Para Viver se vale da direção sóbria, da fotografia correta com planos aéreos, closes e bom uso das paisagens, da trilha com alternâncias simples e dos picos de adrenalina nos momentos certos – aqui a montagem sabendo dosá-los.

Há no fim mais de uma Razão para Viver com este filme do que sem ele. Apesar do claro viés de homenagem, que diferente de um Gabriel e a Montanha não problematiza o protagonista, temos uma sessão agradável dentro dos clichês.

Críticas completas citadas no textos:

Planeta dos Macacos

Até o Último Homem

Silêncio

Beleza Oculta

Depois Daquela Montanha

Gabriel e a Montanha

Not rated yet!

Breathe

Overview

No ano de 1958, Robin Cavendish, carismático e aventureiro comerciante britânico, sê ve de repente paralisado por poliomielite contraída em viagem de trabalho ao Quênia. Grávida do primeiro filho, sua esposa Diana Cavendish escuta dos médicos que ele jamais sairá da cama e não deverá viver muito mais tempo. Deprimido por não mover nada abaixo da cabeça, Robin inicialmente deseja morrer, mas o inabalável amor de Diana o faz olhar de outra maneira para a situação e desafiar os limites impostos

Metadata
Director Andy Serkis
Writer
Author
Runtime
Country  United Kingdom
Release Date 13 outubro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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