Um Perfil Para Dois (2017) – Amor depois do luto – Crítica

Um Perfil Para Dois tem uma proposta clara e usa os clichês que tem à disposição. O foco aqui são tipos marcados em situações que transitam entre o cotidiano e o quase absurdo. Vai agradar o público ocasional, que deseja um longa leve, mas entrega pouco em valor cinematográfico. Quem gosta deste tipo de filme pode ver exemplos similares que também estão  em cartaz: De Volta Para Casa e O Estado das Coisas. Veja os nossos texto e tenha uma noção de qual deles pode te agradar mais!

A trama traz um quase octogenário, viúvo, que sofre de depressão. Graças a um “professor” de informática, arranjado pela filha, ele acaba conhecendo as maravilhas da internet e tenta interagir com garotas mais novas, espelhando a antiga companheira, contudo usando o perfil do jovem professor. A coisa descamba para um quase triângulo amoroso que rende risadas fáceis e reflexões superficiais. Temas como conflito de gerações, mundo digital, luto, são abordados, mas sem qualquer pretensão de aprofundamento.

Há vários pequenos subtextos com mais ou menos valia. O próprio professor, o Alex (Yaniss Lespert), é na realidade um escritor frustrado e vive um relacionamento igualmente sem perspectivas, curiosamente com a neta do aluno, sem que ambos – avô e neta – saibam. Essa falta de vigor na vida é dada pelo ator com um certo ar corcunda, cabelo bagunçado, olhos caídos e barba por fazer. Em suma: cara de cachorro que caiu da mudança ou um quase Ryan Gosling sem talento.

Cada integrante da família tem um espasmo de arco próprio, mas que só serve para tirar tempo em tela. Aliás, esse é um dos problemas em Um Perfil Para Dois: temos muita sobra. Cenas de transição, que contemplam um grande nada, piadas e diálogos que acrescentam pouco a narrativa (vide os jantares em família).

Nessa linha, sentimos uma apresentação dos personagens que soa artificial – a cena do prólogo é muito ruim e um tanto estranha. A meiúca se perde em um ritmo hora acelerado, hora arrastado. E o último ato, que alterna alguma viradas com cenas terríveis, apresenta uns 45  finais (teve uma hora que eu achei que tinha acabado e quase levantei, quando não, o filme continua…).

Apesar de todos esses poréns, não vamos jogar o filme todo no lixo (o adjetivo seria um exagero inenarrável, considerando a proposta). Em especial, o consagrado ator Pierre Richard confere presença e carisma ao personagem de mesmo nome. Há, dentro de um limite do clichê, evolução naquela figura. A dor é sincera, a “safadeza” também, tal qual a inocência e o amor. Pierre(s), personagem e ator, dão vida à trama e a livram do total obscurantismo.

Em suma: como diversão passageira e totalmente inofensiva, Um Perfil Para Dois cumpre razoavelmente bem aquilo que veio. Como cinema, em matéria de roteiro, montagem e direção, não sai do básico e entrega um vazio.

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Un profil pour deux

Overview

Pierre (Pierre Richard) é um viúvo aposentado que não sai de casa há mais de dois anos, e agora tem a chance de voltar a viver novamente com a ajuda da internet. Isso porque através de Alex, um homem contratado por sua filha para ensiná-lo a usar o computador, acaba criando um perfil em um site de namoro. Lá, conhece a linda jovem Flora (Fanny Valette), e decide marcar um encontro. Mas ele só tem uma problema: a foto que usou no perfil é de Alex, e não dele.

Metadata
Writer
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Runtime
Country  France
Release Date 12 abril 2017

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