Transformers: O Último Cavaleiro (2017) – Crítica

Transformers é uma das franquias mais rentáveis do cinema. O que significa que tem público e que mesmo depois de tanto tempo a coisa ainda cativa. Sinceramente tal fenômeno é um mistério para mim. Se os filmes fossem só explosões e robôs se decapitando, eu até entenderia. O problema é entre uma cena de ação grandiosa (e leia-se por grandiosa algo que não é necessariamente um grande cinema) e outra há diálogos inacreditáveis…

Eu sei que a proposta não é um roteiro digno de Oscar, ainda assim insisto que o mínimo de lógica e algo tenha pelo menos uma coerência interna seria de bom grado. Uma das coisas que mais me irritam ao longo da franquia é a inserção de elementos que se contradizem ou são inexplorados em outros filmes. Como que o objeto que vai salvar/destruir a coisa toda nunca foi mencionado? Ou por que tal personagem aparece/desaparece sem quaisquer motivos aparentes?

Percebe-se que cada filme foi pensado após o término do anterior. Não há arcos que são projetados, pistas deixadas ou qualquer elemento nesse sentido. Sem contar a mudança de elenco a partir do quarto filme, o que vem seguida da mudança de proposta e personagens… Basicamente é como se os responsáveis dissessem: vamos fazer qualquer coisa, a galera vai comprar mesmo….

Se cada longa fosse enxugado em mais ou menos uma hora e as lutas fossem mais visíveis eu seria um tanto mais simpático aos filhotes Michael Bayniano. Tais questões se repetem aqui em Transformers: O Último Cavaleiro. Para ser honesto, há uma única evolução neste quinto: as mulheres não são mais um mero pedaço de carne (a cena da Megan Fox de quatro em cima da moto no segundo filme tem potencial para ofender até alguns machistas).

E a relação entre as lendas arthurianas e os robôs alienígenas, com muita boa vontade, pode até ser criativa. E definitivamente não é a coisa mais problemática aqui. Note que eu não disse que é bom… apenas que há uma quantidade maior de problemas mais graves – e se você for um fã hard core de Rei Arthur, esse estupro à mitologia vai pro teu top 1 de motivos para xingar muito no twitter….As licenças poéticas são menos ofensivas que uma sequência de conveniências e frases de efeito.

Já no tempo presente, há todo um arco envolvendo a jovem Izabella (Isabela Moner) que não tarda a ser completamente descartado. Ela vem para tentar dar um peso familiar ao nosso protagonista, mas fica ausente em boa parte do filme. Além dela ser aquele já clichê da adolescente badass, uma mistura de Ray com X-23. Quando você crê que toda aquela introdução vai ter alguma utilidade e percebe que não há, a reação é:

A transição entre os ambientes cansa. Eles estão em um estádio, depois Londres, aí um submarino, bora pra outro planeta, chegamos ali no Egito, damos um alô pras Stonehenge… faltou só virem aqui e algum musculoso gritar: “isso é Brasil”… ops, essa é outra série com carros. Aliás, fica como sugestão uma fusão onde os carros de Velozes e Furiosos se transformam no The Rock…

Na ação o que vemos (ou não vemos) é um amontoado. Apesar do valor de produção, com efeitos que devem ter dado trabalho, por vezes fica difícil distinguir o que está em tela. As cenas não tem o impacto que elas se prestam, justamente por todas as cenas de ação quererem ter um impacto megalomaníaco. Além do falso senso de urgência. Não precisa ser um gênio para saber quem morre e quem vive…

A química entre os protagonistas Cade Yeager (Mark Wahlberg) e Vivian Wembley (Laura Haddock) é forçada. Em poucas horas eles vão de estrangeiros desconhecidos para o casal que se ama há séculos. Já Anthony Hopkins… bom, eu ia usar o adjetivo “coitado”, mas ele foi muito bem pago e sabia onde estava se metendo….

Na ala robótica, o desastre é tão grande quanto… Bumblebee tem um drama óbvio envolvendo a voz, Optimus Prime uma transformação igualmente batida, Quintessa como uma vilã qualquer coisa… O glorioso Megatron tem uma cena ridícula onde ele negocia com o governo a libertação dos parceiros dele. Tal momento tem a cereja do bolo com a inserção dos nomes dos robôs, preciso nem comentar o quão útil isso é… E não posso esquecer dos bebês robôs, eles estão ali só para ter o momento fofo e arrancar onomatopeias do público…

Transformers: O Último Cavaleiro conseguirá repetir o sucesso de bilheteria? Muito provavelmente. Teremos outros Transformers: subtítulo genérico? Infelizmente… Se você ama a franquia está me xingando agora? Espero que não, mas não sou tão otimista…

Michael Bay é o Paulo Coelho do cinema. Eles sabem usar uma fórmula de blockbuster/best seller que incrivelmente agrada multidões. Com um discurso moralizante, pretensioso e cheio de encheção de linguiça. Quem é preocupado com uma linguagem, seja cinematográfica ou literária, sabe o quão vazio é esse produto…

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Transformers: O Último Cavaleiro

2017Duration unknown
Overview

Transformers: O Último Cavaleiro rompe com os mitos nucleares da saga Transformers e redefine o significado de herói. Humanos e Transformers estão em guerra. Optimus Prime partiu. A chave para salvar o nosso futuro está enterrada nos segredos do passado, na história oculta dos Transformers na Terra, e a missão recai sobre os ombros de uma aliança improvável: Cade Yeager, Bumblebee, um lorde inglês e uma professora de Oxford. Há um momento na vida em que somos chamados a fazer a diferença. Em Transformers: O Último Cavaleiro, os perseguidos chegam a heróis, os heróis tornam-se vilões… apenas um mundo sobreviverá: o deles ou o nosso.

Metadata
Director Michael Bay
Writer Steven S. DeKnight, Robert Kirkman, Matt Holloway, Art Marcum, Michael Bay, Steven Spielberg, Jeff Pinkner, Zak Penn, Christina Hodson, Lindsey Beer
Author
Runtime Duration unknown
Release Date 21 junho 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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  • Thiago de Mello

    “Michael Bay é o Paulo Coelho do cinema”. Disse tudo!

    • Lucas Albuquerque

      veio na hora a analogia… enquanto a gente quer achar valor, eles estão nadando nas verdinhas