Thor: Ragnarok (2017) – Mais do mesmo está valendo? – Crítica
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Thor: Ragnarok é o terceiro filme do herói e o 17º da Marvel. Além de uma obra única, esses fatores, para o bem ou para o mal, pesam. Este texto irá trazer os elementos que concernem exclusivamente a Thor: Ragnarok e também responder questões como: o UCM (Universo Cinematográfico Marvel) ainda funciona? Thor: Ragnarok é melhor ou pior que os antecessores de 2011 e 2013?

Thor (Chris Hemsworth) agora enfrenta a vilã superpoderosa Hela (Cate Blanchett) para impedir o Ragnarok, a destruição de Asgard. Para tentar obter sucesso ele passará por alguns desafios ao unir uma equipe heterogênea e batalhar contra as forças malignas. Sim, resumo que você já viu algumas vezes. A trama batida é necessariamente ruim? Não….. Poderiam ir além? Com certeza…

Curioso que o terceiro filme do herói conta com o terceiro diretor distinto. Isso reflete que a identidade e os caminhos a serem seguidos ainda não estão/estavam delimitados. Uma coisa é certa: cada filme do Thor tem uma pegada e pretensões diferentes e um resultado que também se diferencia entre eles. Até por toda a bagagem do personagem, considero este o que menos aproveita o que tem nas mãos. Mesmo como recorte isolado vemos sim uma série de problemas em especial no tom.

Reclamar das piadas nos filmes da Marvel é quase tão clichê quanto a história descrita. A análise tem que ser feita filme a filme, piada a piada. Em Guardiões da Galáxia, por exemplo, funciona por fazer parte do DNA daquela proposta. Em Doutor Estranho, no meio de uma cena triste há uma piada, no meio de uma cena de ação há outra piada… isso, repetidas vezes, quebra, negativamente, o ritmo.

Aqui, os responsáveis pelo filme, comandado por Taika Waititi (que fez um “documentário” de comédia, O Que Fazemos nas Sombras), assumiu a comédia como traço definidor. Contudo, a quantidade, timing e momentos é que tornam a maioria delas em Thor: Ragnarok forçada. Logo no começo há uma cena envolvendo correntes. Aquilo está lá para arrancar o riso dos menos exigentes – sequências assim, que tem a piada pela piada, aparecem umas 6, 7 vezes ao longo do filme.

Entenda: você vai rir, talvez muito, mas isso não o torna automaticamente um bom filme. O entretenimento fugaz às vezes fica vazio. A Marvel sabe que tem uma legião de fãs, conquistada por méritos próprios, o que torna algumas obras preguiçosas. Nesse sentido, a acomodação, da bem-sucedida fórmula, fica notória.

Por outro lado, um arroubo do Loki (Tom Hiddleston) em uma quase vingança, que dialoga com Vingadores (2012), soa mais natural e, portanto, mais engraçado – é quase como se o próprio ator vibrasse ao defender o personagem. Ainda nessa linha, o carisma e a química do trio Thor/Loki/Hulk (Chris Hemsworth/Tom Hiddleston/Mark Ruffalo, respectivamente) é engajante. Há anos você os conhece e isso facilita a identificação.

Apesar do universo ter sido ampliado, a construção de mundo e o uso daqueles elementos foi melhor aproveitado em Thor: Mundo Sombrio, aquele que considero o melhor da trilogia. Em Ragnarok, parece que tem muita coisa pra ser mostrada, dita e desenvolvida e as 2 horas não dão conta. O potencial de personagens que apenas pincelam a tela é gigante, mas a maioria não tem o peso devido (sim, um pouco por conta da opção pela verve cômica).

A vilã é um dos grandes problemas. A despeito de uma motivação digna, rasa mas digna, quase que todo o resto falha. O visual e certos trejeitos se aproximam da Magia no Esquadrão Suicida. Os poderes dela são desequilibrados, hora extrapola, hora você se pergunta por que ela não usou tudo que tinha -tanto que o filme não dá tantos minutos para ela. A baita atriz Cate Blanchett (veja o que ela fez em Manifesto , que estreia junto com este) se limita a um aperto bocal estranho e movimentos sem sentido.

A montagem tem o mérito de dar o que o filme pede: ela é dinâmica e tecnicamente correta. Porém, além da dificuldade de abraçar todos os personagens, o filme fica em dúvida sobre que mundo quer priorizar. Ou ainda, no tempo em tela para cada arco. Isso deixa a coisa um pouco capenga – se tira algumas das cenas com as piadocas vazias e melhora o desenvolvimento dos personagens, haveria uma consistência maior.

Incrível como não há uma preocupação nas trilhas dos filmes da Marvel. As nove músicas presentes têm temas esquecíveis e que se contentam com o óbvio. O ar oitentista dá um fio de esperança. Contudo, as linhas são marcadas e simples. Novamente a comparação é gritante (quem mandou fazer um universo, agora vamos comparar): no Guardiões da Galáxia, a trilha tem um sentido narrativo e uma presença inconfundível. Aqui quase que se emulam aqueles tons, mas é apenas uma pálida lembrança.

No geral, há pouca criação e evolução. Talvez até o que pareça retrocesso seja uma estagnação apenas. Em suma o que se sente é que será isso aí mesmo que a Marvel vai te entregar… Palmas pelo projeto, agora assumidamente escapista, divertido e, infelizmente, mais do mesmo… Um frescor que se perdeu no meio daqueles quase 20 filmes. Funciona? Para a bilheteria sim, mas como cinema, nem tanto…

 

OBS: Há quase dez anos vocês já está no curso Marvel então sabem que tem cenas pós-créditos. São duas: uma que faz sentido para a sequência do universo e outra que soa a piada pela piada. Talvez, no mínimo, deveriam ter invertido a ordem das cenas. Porém para seguir o padrão, até as cenas pós-crédito possuem um padrão, ficou esse gostinho menos impactante.

Edit 31-10-17: após rever o filme, abaixei meia estrela da cotação. Onde eu dava 2,5, portanto, agora fico apenas no 2 estrelas.

Not rated yet!

Thor: Ragnarok

20172 h 10 min
Overview

Thor é preso do outro lado do universo,sem o seu martelo poderoso e encontra-se numa corrida contra o tempo para voltar a Asgard e impedir Ragnarok - a destruição do seu mundo e o fim da civilização Asgardiana - que se encontra nas mãos de uma nova e poderosa ameaça, a implacável Hela. Mas, primeiro precisa de sobreviver a uma luta mortal de gladiadores,que o coloca contra um ex-aliado e companheiro Vingador - Hulk.

Metadata
Director Taika Waititi
Writer Craig Kyle, Christopher Yost
Author
Runtime 2 h 10 min
Country  Australia
Release Date 25 outubro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 18    Média: 3.1/5]
  • Maurício Costa

    Tou com boas expectativas pra este filme. Vamos ver.

    • Lucas Albuquerque

      Tu com certeza vai gostar.

  • Rinaldi Maya Neto

    Pior filme da Marvel, eu até entendo os alívios cômicos nos filmes (inclusive em maior número, especialmente no Homem Aranha ou nos Guardiões) mas esse é um grande pastelão do começo ao fim, o tom infantiliza a história e o universo. Os filmes deste universo cinematográfico Marvel nunca foram sisudos como muitos outros (especialmente os baseados no universo da DC), mas me preocupa que esse tom excessivo se propague com excessos para os outros itens da franquia, ainda mais se o filme gerar bilheteria, considerando que tudo que “dá certo” em Hollywood é explorado até o útimo centavo prevejo muito desgosto pela frente. Fiquei muito decepcionado, a mitologia do personagem e a premissa do ragnarok em si tinham tudo para gerar uma história realmente épica, virou um pastiche, para ver comédia nesse nível não preciso ver um filme da Marvel.

    • Lucas Albuquerque

      Na linha do teu comentário, o maior problema que vejo é a qualidade das piadas. Aqui muita gag física que gera de fato um humor pastelão, como você citou. Eu até ri em algumas cenas, mas demorei para esboçar um sorriso, sendo que o filme tentou me empurrar piadocas desde a primeira cena. No Guardiões e no Homem-aranha, a coisa foi mais natural, aqui a proposta foi: “vamos desconstruir o personagem e transformá-lo em um bobão”, pois eles sabem que isso facilita a identificação das pessoas e torna o filme “bom” só por ser engraçado. Uma pena….

      • Rinaldi Maya Neto

        Exato, o pior é que o mainstream parece que engoliu isso, os amigos em geral que ouvem as minhas posições se limitam a ficar na defensiva como se eu estivesse a cometer uma heresia, rs