The Square: A Arte da Discórdia (The Square, 2017)
Posters para "The Square"

The Square ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2017 e chega como favorito à disputa do Oscar de Melhor film estrangeiro em 2018, a despeito da vitória do alemão In the Fade no Globo de Ouro.

Confira as críticas dos filmes na disputa de melhor filme estrangeiro:

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Primeiramente, gostaria de protestar – inutilmente, eu sei – contra o subtítulo atribuído ao filme no Brasil. Com a clara intenção de tirar proveito da onda de perseguição à arte e aos artistas e da polêmica sobre o Queer Museu, por exemplo, o subtítulo “a arte discórdia” induz o espectador a acreditar que o tema central da narrativa seja algum tipo de controvérsia a respeito de um obra e/ou exposição, o que sequer passa perto da amplitude de temas tratados em The Square.  A instalação artística é apenas o ponto de partida para uma série de eventos reveladores sobre a natureza humana.

Veja as críticas dos demais filmes indicados em todas as categorias do Oscar

Ruben Östlund, diretor do também indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro Force Majeure, constrói uma narrativa baseada no sarcasmo, na crítica social ácida e no absurdo. Preconceito social, exclusão, imigração, hipocrisia, limites e função da arte, pedantismo artístico, egocentrismo, misantropia, misoginia, publicidade, papel da mídia e relações familiares são os temas tratados e criticados em The Square, por vezes com tamanha força que parecem ser esfregados na nossa cara. Se parece que o filme trata de muitos temas e que seria impossível aprofundar-se em todos eles, sim, The Square não se aprofunda na maioria deles, mas também parece não ter essa intenção.  Claramente, os objetivos são a provocação, o incômodo e a incitação à reflexão, sem respostas fáceis e diretas.

A comédia de erros iniciada pela reação impensada do gerente do museu resulta em uma série de eventos os mais bizarros possíveis, que influenciam desde a rotina de trabalho até sua vida pessoal, em uma tensão crescente para uma provável escalada de violência (e se você pensou em Fargo, é uma boa referência) cujas consequências são imprevisíveis.

Algumas sequências de The Square são memoráveis, como a cena da atuação do “animal selvagem” no jantar, em uma atuação espetacular de Terry Notary, e a da disputa por um preservativo usado. Nessas situações, percebemos como o ser humano age e reage diante de situações que expõem a fragilidade alheia, no primeiro caso, e a da misantropia, no segundo.

A despeito da crítica social ácida e da abordagem de temas pesados, The Square é uma narrativa com grande senso de humor, geralmente colocado em pequenas situações paralelas a alguma sequência realmente tensa. Num dessas situações, por exemplo, um faxineiro acaba varrendo uma das obras arte, o que acarretaria problemas sérios em relação ao seguro, além, é claro, do constrangimento para a direção do museu. Com um fato tão simples, The Square discute os limites da arte, a irresponsabilidade e a total falta de sentido de algumas decisões dos envolvidos.

Claes Bang interpreta Christian, o protagonista, com intensidade e veracidade, construindo um personagem detestável, mas, ao mesmo tempo, simpático e carismático o suficiente para que nos importemos como seu futuro. Elizabeth Moss, por sua vez, tem boa participação em algumas sequências hilárias. Dominic West faz uma ponta funcional, digamos, e Terry Notary (responsável por interpretar King Kong em Kong: A Ilha da Caveira) rouba a cena, literalmente.

Com efeito no público semelhante ao do excelente Toni ErdmannThe Square depende, em grande medida, da capacidade de o espectador entender as referências e, principalmente, de engajar-se naquela sequência absurda de eventos no limiar da verossimilhança. Com quase 2h30min de duração, pode ser uma experiência catártica para algumas pessoas e profundamente entediante para outras, mas, como certeza, não deixará ninguém indiferente. Se, por um lado, o filme é longo. por outro lado, é difícil escolher o que cortar. Seria outro filme, outra experiência, e algumas das questões levantadas perderiam força.

Tive grande dificuldades para atribuir nota a este filme e precisei de mais de uma semana para chegar a uma conclusão. O quanto precisei pensar sobre ele é um bom indicativo da sua qualidade como obra cinematográfica.

 

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The Square

Overview

Um gerente de museu está usando de todas as armas possíveis para promover o sucesso de uma nova instalação. Entre as tentativas para isso, ele decide contratar uma empresa de relações públicas para fazer barulho em torno do assunto na mídia em geral. Mas, inesperadamente, isso acaba gerando diversas consequências infelizes e um grande embaraço.

Metadata
Director Ruben Östlund
Writer Ruben Östlund
Author
Runtime
Country  Denmark France Germany Sweden
Release Date 25 agosto 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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