TERRA SELVAGEM (WIND RIVER, 2017)
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Terra Selvagem, que filme.

Quando da divulgação da programação do Festival de Sundance 2017, um dos filmes que mais me chamou a atenção entre as premières do  foi este Terra Selvagem, até então apenas com o nome original Wind River. Taylor Sheridan, ator mediano, roteirista premiado e diretor iniciante, acabava de sair da temporada de premiações de 2016 com muitas indicações, inclusive ao Oscar 2017,  pelo roteiro do excelente A Qualquer Custoalém de ter em seu currículo o roteiro de Sicário, de 2015 (este dirigido por Denis Villeneuve). Tudo indicava um grande filme, e eu me mobilizei para a sessão estreia, às 8h30min da manhã, em meio a uma tempestade de neve, em Park City, apenas para ver o filme que mais me gerava expectativas. E não me arrependi.

Terra Selvagem começa com o lindo plano noturno aberto de uma floresta tomada pela neve, com a narração de uma personagem sobre a própria morte. Este evento será o catalizador de uma narrativa sobre perda, luto, empatia, amadurecimento, enfretamento e, por fim, de uma investigação de assassinato. Muito mais do que o resultado da investigação, o que faz o espectador grudar na cadeira até o fim da projeção são a tensão permanente, o incômodo e a estranheza provocadas pela narrativa.

Tecnicamente, Terra Selvagem é um desbunde visual, ainda que um “desbunde gelado”. A fotografia praticamente leva  o espectador a sentir os ossos gelados, como se estivesse afundando na neve naquele cenário. A escolha dos planos abertos para demonstrar o isolamento geográfico, a solidão- que coaduna com o luto dos personagens – e o desenvolvimento da ação nas cenas-chave levou a um ótimo resultado de ambientação. Há um sequência, em especial, que se iguala à maravilhosa cena do congestionamento de Sicário. A trilha sonora, por sua vez,  vez, é evocativa da música indígena, o que lhe confere certo tom melancólico..

Taylor Sheridan, mais uma vez, escreveu um roteiro acima da média, no qual o desenvolvimento dos personagens é profundo e bem realizado. Mesmo a relativa frouxidão da investigação tem seu sentido, uma vez que representa as próprias inexperiência e confusão da investigadora. Como diretor, Sheridan não somente construiu um mundo desolador e cruelmente verdadeiro, mas também conseguiu tirar os melhor desempenho de seus atores, naquilo que o própria diretor definiu como “a experiência miserável de filmar afundado na neve às 6 horas da manhã”.

Se o roteiro e a direção Terra Selvagem são de alto nível, ainda mais destaque merecem as atuações de Jeremy Renner e Elizabeth Olsen, respectivamente nos papéis de Cory Lambert, uma espécie de guarda florestal da reserva indígena, e de Jane Banner, a agente do FBI em seu primeiro caso de assassinato. Banner representa, de certa forma, o ponto de vista do espectador. Pelos olhos dela, descobrimos as verdades, os segredos e as tragédias que envolvem aquele lugar e aquelas pessoas. Lambert, por sua vez, é um personagem melancólico e sombrio, cujo passado guarda relação sentimental com eventos que uniram os personagens naquela investigação e na consequente jornada de autoconhecimento. Não hesito em afirmar que se trata da melhor atuação da carreira de Jeremy Renner, com boas possibilidades de indicação na temporada de premiações. Elizabeth Olsen, por sua vez, nos entrega uma personagem intensa, em um interpretação convincente, apoiada pela química perfeita e pela atuação acima da média do seu co-protagonista.

Terra Selvagem é um thriller policial complexo e emocionalmente intenso.  Poucos cineastas são capazes de produzir histórias desse tipo, e Taylor Sheridan entrou no meu radar de diretores cujos filmes não posso deixar de ver.

Confira o vídeo sobre Wind River na cobertura do Festival de Sundance 2017:

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Wind River

20171 h 51 min
Overview

WIND RIVER é um thriller que se centra numa nova agente do FBI. Jane Banner, junta forças com um caçador local atormentado pelo passado para investigar um homicídio ocorrido numa remota Reserva de Nativos Americanos. Com o decorrer da investigação, Jane espera conseguir vingar a morte da vítima, uma jovem rapariga.

Metadata
Director Taylor Sheridan
Writer Taylor Sheridan
Author
Runtime 1 h 51 min
Release Date 3 agosto 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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[Total: 1    Média: 4/5]
  • Lucas Albuquerque

    Qual a sequência que equivale ao Sicario?