Tempestade: Planeta em Fúria (Geostorm, 2017) – Crítica

Tempestade: Planeta em Fúria é a cota anual de filme catástrofe  e onde o trocadilho “uma catástrofe de filme” está liberado.

Em geral a ideia neste tipo de produção é ter cenas grandiosas de destruição e uma ação frenética. No Tempestade, contudo, os eventos que poderiam encantar os olhos demoram a acontecer e quando surgem já nascem com efeitos datados. As cenas (vide a do RJ) soam mais como comédia do que com o impacto idealizado. O senso de urgência vai pouco além de famigerados contadores de tempo, o que minimiza o perigo, tornando a gravidade da questão pouco eficaz.

Normalmente os roteiros vão pouco além de clichês. E mesmo sem exigir um roteiro espetacular, o trabalho no texto do filme é pífio. Uma narração é usada em dois momentos, no primeiro as imagens falariam sozinhas e no segundo é só para reforçar uma pieguice. Há um excesso de explicação em várias cenas. Um grupo sofrendo em um deserto escaldante e alguém precisa dizer: “está 50 graus” ou quando em um espaço de cinco minutos um personagem repete três vezes que vai fazer determinada ação heroica.

Se por um lado a coisa é redundante, por outro carece de sustância narrativa. Personagens que entram e sai da tela sem o menor pudor. E incrível o poder de convencimento que as pessoas neste universo tem. Com uma frase, sem maiores explicações, funcionários de alta patente resolvem ajudar a fazer coisas aparentemente ilegais.

Clichês, a priori denotam um pouco de preguiça, mas não são algo necessariamente ruins. Vide o terror Annabelle 2 e ou a comédia romântica De Volta Para Casa, em ambos, há pouco de novidade e ainda assim a coisa funciona. Aqui, porém, além do abuso das estruturas básicas, elas são mal concatenadas. O diretor Dean Devlin, experiente como produtor de filmes dessa natureza, mas um estreante na direção para o cinema. Tal fator fica notório em algumas opções.

Alguns dos momentos batidos são: a velha fórmula de antes de morrer falar uma palavra misteriosa. O uso de cachorro e criança para emocionar. Uma hacker que parece que tem mil dedos e acessa qualquer coisa. Um subtexto político no lugar errado só para ter uma piada com mexicanos. Alguém cair e se segurar no último milímetro possível… um mar de frases feitas e situações pouco engajantes envolvem todos esse episódios descritos.

A insistência de ter um único super gênio salvador incompreendido que possui problemas familiares, mas é capaz de salva o mundo já deu também, né? Pior que isso são personagens que fazem algo estúpido e logo em seguida algo mega inteligente. Piadas e cenas com interesses amorosos que soariam cafonas nos anos 90 causam vergonha alheia em 2017….

Pegue todos esses elementos e misture em uma trama de investigação e traição pseudo complexa e um assunto da moda. A química realmente não dá certo… Por conta de tudo isso, o público não se importa com quem vive ou morre, não entende ou até torce pelo vilão e tampouco terá algo de memorável ou de minimamente elogiável.

E tudo isso se torna ainda mais lamentável quando olhamos para o potencial do elenco:  Gerard Butler, Andy Garcia,  Ed Harris, Daniel Wu e tantos outros… Eles, especialmente Garcia, tentam colocar carisma e uma canastrice (à la Independence Day), mas são barrados por um roteiro duro e uma nulidade de direcionamento.

Por filmes como Tempestade é que eu entendo o Planeta em Fúria….

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Tempestade: Planeta em Fúria

20171 h 49 min
Overview

Depois dei números desastres naturais terem ameaçado o planeta, os lideres mundiais uniram-se para criar uma rede interligada de satélites para controlar o clima global e manter a humanidade a salvo. Mas agora, algo está errado - o sistema construído para proteger a terra está agora a atacá-la, e é uma corrida contra o relógio para revelar o verdadeiro problema, antes que uma tempestade mundial destrua tudo...e toda a gente.

Metadata
Director Dean Devlin
Writer
Author
Runtime 1 h 49 min
Release Date 13 outubro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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