Talvez uma História de Amor (2018) – Clichê bem usado – Crítica
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Talvez uma História de Amor é daquelas comédias românticas que você já viu por aí. Você torce para o casal, tem correria no aeroporto, tem amigos que ajudam o protagonista a chegar no objetivo. O porém é que todos esses elementos são desvirtuados – no melhor sentido – aqui. Resultando sim ainda em um clichê, mas consciente a ponto de ter uma coisinha ou outra a mais.

O mote aqui já é curioso: Virgílio (Mateus Solano) é um cara metódico com hora pra tudo e aquele TOC básico já mil vezes explorado. Um belo dia ele ouve um recado na secretária eletrônica – sim, parte do charme são esses objetos retrôs – que abala a rotina certinha dele: Clara terminara o namoro com o nosso protagonista. O diferencial aqui é que Virgílio não faz ideia de quem seja Clara. Talvez uma História de Amor nada mais é do que a busca por essa nada clara mulher.

Todo o mundo ao redor dessa saga tem lá o algum encanto. E as participações especiais aqui (algumas de uma cena) trazem um frescor e uma dinâmica bem fluidos em boa parte do filme. O comediante Marco Luque traz alguns dos trejeitos típicos do ator, que apesar de repetidos são sem dúvidas engraçados. As várias mulheres, sempre com alguma ligação com o Virgílio, soam um pouco artificiais, mas cabem dentro da proposta de serem efêmeras – já que a única que importa é Clara.

Na parte técnica temos um zelo raro. Os já mencionados objetos retrôs, as músicas que transitam de rock nacional a Frank Sinatra e a fotografia que sabe aparecer quando precisa e “ser invisível” em alguns momentos. Não espere nenhuma revolução cinematográfica, mas é tudo bem certinho.

Já o roteiro abusa da nossa suspensão da descrença, conveniências mil e alguns diálogos um tanto bobos que saltam aos olhos, ficando difícil relevar tudo por mais engajado que se esteja. Há também muitas cenas de transição que vem como uma muleta para denotar as andanças do protagonista. Precisava de todas elas? Tem hora que soa pura encheção de linguiça.

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Melhor do que essa ferramenta de montagem, quem dá o tom é Solano. Ele domina o filme, indo na beira da caricatura, mas segurando no tempo certo como é típico do ator. Simpatizar pelo personagem é fundamental para o andamento do filme e Mateus consegue vender aquela figura com rapidez.

O último ato tem algumas reviravoltas bem boladas e outras que caem no clichê padrão. O final fica um pouco abrupto e não condiz com a qualidade do resto, podendo deixar um gosto amargo. Contudo, a nota geral é positiva e temos aqui o provável melhor filme nacional do gênero neste ano.

Not rated yet!

Maybe a Love Story

20181 h 45 min
Overview

Quando chega em casa, depois de mais um dia corriqueiro no trabalho, Virgílio (Mateus Solano) liga a secretária eletrônica e ouve um recado perturbador. É uma mensagem de Clara (Thaila Ayala), comunicando o término do relacionamento dos dois. Virgílio, contudo, não faz a menor ideia de quem é Clara. Perturbado devido ao seu jeito metódico e controlador, ele não se lembra de ter se relacionado com ninguém, mas todos ao seu redor pareciam saber do relacionamento dos dois, perguntando como ele está se sentindo com o término. Agora, ele precisa encontrar essa mulher misteriosa.

Metadata
Director Rodrigo Bernardo
Writer Rodrigo Bernardo, Ben Frahm
Author
Runtime 1 h 45 min
Country
Release Date 14 junho 2018

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