Star Wars – Episódio VIII: Os Últimos Jedi (2017) – por D.G.Ducci

O pessoal do Razão de Aspecto já assistiu ao novo filme da franquia Star Wars. Como as reações foram bem distintas – e porque Star Wars merece – decidimos fazer mais de uma crítica sobre o Episódio VIII: Os Últimos Jedi. A primeira é de D.G.Ducci:

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A cena climática de Star Wars – Episódio VIII: Os Últimos Jedi tem uma resolução tão sensacional que, terminado o filme, minutos depois, pode-se ter a impressão de se ter assistido a uma obra melhor do que, de fato, ela é. E essa é a impressão geral sobre o novo capítulo da franquia iniciada em 1977: há várias cenas de tirar o fôlego, mas a costura geral não se aproxima da excelência.

A trama parte da seguinte situação: enquanto a Rebelião Resistência foge desesperada de um maciço ataque do Império da Primeira Ordem, a jovem Luke Rey busca saber mais sobre a Força, cujo despertar sentira no episódio anterior, sob a tutela de um Mestre Jedi exilado em um planeta distante, Yoda Luke Skywalker. Como ambientação geral, já vimos isso antes, em O Império Contra-Ataca. A diferença é que, desta vez, o diretor e roteirista Rian Johnson (do bom Looper) não se contenta a ser mero copycat de roteiros anteriores, como foi o caso de O Despertar da Força (DdF, crítica aqui) – filme muito bom, mas praticamente um estelionato cinematográfico.

O filme traz personagens da trilogia clássica – com especial destaque para Luke e Leia, investe (com graus diferentes) nos novos protagonistas apresentados em DdF (Rey, Kylo Ren, Poe Dameron, Finn e BB8), e traz adições razoavelmente interessantes nos papéis de Rose (Kelly Marie Tran), DJ (Benicio Del Toro) e Almirante Holdo (Laura Dern). Com isso, temos um certo inchaço no número de vozes e de tramas e subtramas, que acabam pulverizando um pouco a atenção e contribuindo para um filme desnecessariamente longo.

A característica mais marcante de Os Últimos Jedi é a ousadia em quebrar padrões e expectativas (estéticas e de direcionamento da história) estabelecidas anteriormente na saga. Esse traço, na verdade, é seu maior mérito e seu maior defeito: ao mesmo tempo em que se propõe a ser algo novo, deixa de lado ou soluciona de forma abrupta vários arcos abertos no filme anterior. A impressão foi a de que Johnson não gostou de boa parte do que J.J. Abrams copiou criou, e resolveu mudar os rumos. Fosse este o filme de conclusão da trilogia, talvez isso fizesse mais sentido. Sendo o filme de ligação, a sensação foi a de que muito daquilo em que se investiu emocionalmente em DdF deixou de fazer sentido, com soluções que, embora surpreendam (e aqui retomo as cenas de tirar o fôlego mencionadas no primeiro parágrafo), deixam um gosto de “Ué, e aí?  Era isso?”.  Obviamente, todo esse estranhamento pode ser ressignificado pelo episódio final da trilogia, previsto para 2019.

Ao querer tratar de coisas demais no mesmo filme, Johnson acaba oferecendo uma obra com problemas de ritmo (particularmente no segundo terço da história), em especial pela inserção de missões paralelas que se alongam mais do que o necessário. Outro traço de ousadia é a subversão da ideia de um embate entre o bem e o mal, entre mocinhos e bandidos. Johnson inclui na trama uma crítica à guerra em si e a seus participantes, em quaisquer lados que se encontrem. Se, por um lado, isso cria um maior realismo e dureza ao filme, por outro quebra o espírito de fantasia tão caro ao universo de Star Wars.

As atuações, em sua grande maioria, estão muito boas. A exceção, talvez, seja a do General Hux de Domhnall Gleeson, que muitas vezes beira a caricatura. O arco de aprendizado de sabedoria de Poe Dameron dá chances ao sempre competente Oscar Isaac de mostrar seu trabalho, enquanto o Finn de John Boyega parece tão perdido quanto a trama que é oferecida a seu personagem. Adam Driver e Daisy Ridley estabelecem uma forte tensão, de diversos nuances, entre Kylo Ren/Ben Solo e Rey. Mas o grande nome do filme é, sem dúvida, Mark Hamill. Ele apresenta um Luke Skywalker cansado e traumatizado, bem diferente do otimismo de outros tempos. O encontro com Rey vai disparar uma série de questionamentos e resoluções que levarão a uma nova fase na vida do personagem, e Hamill segura todos esses momentos com um show particular – que seria muito bom ter o reconhecimento de indicações para prêmios de Ator Coadjuvante.

Já John Williams repete o que fizera em DdF: uma trilha sonora correta, competente, que se utiliza (talvez demais) de temas anteriores, mas que não apresenta qualquer tema novo memorável. A parte técnica e visual mantém a qualidade esperada e, especialmente na parte final do filme, na batalha de Hoth Crait, traz cenas belíssimas, dignas de ser emolduradas.

Star Wars – Episódio VIII: Os Últimos Jedi é mais corajoso do que seu predecessor, mas o resultado final é menos bem acabado. A despeito de várias cenas empolgantes, há problemas de ritmo e algumas incoerências e soluções de tensões no filme que, sem spoilers – exigem, no mínimo, um grau de boa vontade do espectador menos fanático. Para o próximo roteirista, e para J.J. Abrams, que retornará como diretor, fica o desafio de conseguir concluir bem a trilogia, depois do furacão deixado por Johnson e da morte de Carrie Fisher e, consequentemente, da General Leia na trama.

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Star Wars: Os Últimos Jedi

20172 h 30 min
Overview

Em Star Wars: Os Últimos Jedi, da LucasFilm, a saga de Skywalker continua, enquanto os heróis de “O Despertar da Força” se juntam às lendas galácticas, para uma aventura épica,que desvenda mistérios antigos da Força e revelações chocantes do passado.

Metadata
Director Rian Johnson
Writer
Author
Runtime 2 h 30 min
Release Date 13 dezembro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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[Total: 11    Média: 3.4/5]
  • David Haddad

    Interessante. Não vejo a hora de assistir. Admito que achei DdF muito, muito ruim. Talvez o fator “estelionado cinematográfico” tenha sido um dessabor maior nas minhas expectativas. Muito mais bem construído foi, por exemplo, Rogue One. Espero que esse filme aumente minhas expectativas sobre essa nova trilogia e conecte pontos que haviam me decepcionado. PS – o novo layout do site ficou muito bom.