Sete psicopatas e um Shih Tzu – Netflixing
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Pegue a violência extrema como instrumento de sátira, a moda Tarantino. Misture com um estilo visual e escolha de cenários que lembram os irmãos Coen. Dose com pitadas de neurose Woddy Allen e surrealismo David Lynch. E temos a receita para Sete psicopatas e um Shih Tzu.
 
Depois da maratona do Oscar, onde na prática a Academia definiu os filmes que eu assisti durante mais de um mês,  decidi assistir filmes sem motivo, pesquisa ou indicação, por impulso mesmo.
E ontem, passeando aleatoriamente pela Netflix, trombei com Sete psicopatas e um Shih Tzu. Apesar de não conhecer o diretor (não, eu nunca tinha ouvido falar de Na mira do chefe, longa de estréia de Martin McDonagh, filme que agora está na minha lista), o elenco chamou bastante atenção, e sem pensar duas vezes comecei a assistir. Dois minutos depois dei pausa e fui chamar minha namorada: ela tinha que ver o filme comigo.
Sete psicopatas e um Shih Tzu foi feito por quem entende de cinema, para quem ama cinema. Só pela sinopse vemos que o personagem principal está escrevendo o roteiro do filme que iremos assistir, ou seja, dá para perceber que o tema central é a metalinguagem. E já na cena inicial podemos perceber o tom do filme: começa com o letreiro de Hollywood, e temos uma discussão que fala de O poderoso chefão, diferença entre realidade e ficção, e temas como máfia, violência e surrealidade.
O filme abusa, no bom sentido, dos clichês e estereótipos. A narrativa é bem solta, segue quase em um fluxo de consciência, e McDonagh se permite não se preocupar muito com ser absurdo. A falta de coerência, o absurdo, no entanto não são erros, mas uma forma de desconstruir o que tipicamente esperamos de um filme, e o resultado é hilário.
Colin Farrel (de O lagosta e Animais Fantásticos) contracena com Sam Rockwell (do excelente Lunar), perfazendo a dupla de protagonistas. A química e o timing deles está excelente. O contraste do escritor neurótico de Farrel e do alucinado “sem filtro” de Rockwell funciona muito bem. Woody Harrelson (de Zombieland e Onde os fracos não tem vez) é o antagonista, um chefe mafioso raivoso, intimidador, e ao mesmo tempo patético. Mas quem rouba a cena mesmo é Christopher Walken (de O franco atirador), que esbanja talento interpretando um ladrão de cachorros decadente, profundamente religioso, e com um terrível segredo. De quebra ainda temos uma fantástica participação de uma das vozes mais sinistras da humanidade: Tom Waits faz uma pequena, mas sinistra ponta, com sua voz inconfundível.
A escolha do cenário, Los Angeles e seu deserto, e o uso da fotografia para reforçar os clichês a serem satirizados, a trilha sonora típica mas deslocada, as diversas camadas e subtramas fazem sua cabeça girar a todo instante e ser surpreendido com as reviravoltas e até mesmo em como narrativas ruins podem ser cativantes.
O filme funciona como entretenimento, mas vai muito além disto, sendo também uma bela crítica a Hollywood e seus atalhos e abusos. Filme leve e ao mesmo tempo cerebral. Agora é hora de ver outros filmes do McDonagh, e torcer para que este não seja apenas um momento de brilhantismo. E fique após os créditos.
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Sete Psicopatas

Não brinque com o cachorro.

20121 h 50 min
Overview

Sete Psicopatas conta-nos a história de um escritor de guiões que inadvertidamente se vê envolvido no criminoso submundo de Los Angeles, depois dos seus peculiares amigos roubarem o amado Shih Tzu de estimação dum gangster poderoso.

Metadata
Director Martin McDonagh
Writer
Author
Runtime 1 h 50 min
Country  United Kingdom
Release Date 7 setembro 2012

Nota do Razão de Aspecto

 

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