Sem Amor (Nelyubov/Loveless, 2017) – Indicado ao Oscar – Crítica
Sem Amor

Vale o comentário geográfico que os dois filmes anteriores da Rússia que chegaram ao Brasil recentemente (leia-se: Os Guardiões e A Noiva) foram duas das coisas mais terríveis que vimos ano passado. Inclusive estão na nossa lista dos 10 piores de 2017. O Sem Amor foi o indicado russo ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2018 e, claro, é muito melhor realizado.

Confira todas as nossas críticas dos filmes indicados ao Oscar 2018

Incluindo a dos outros 4 candidatos na categoria: Uma Mulher Fantástica, Corpo e Alma, The Square e O Insulto.

Não estamos diante de uma obra agradável ou divertida. A história pode ser marcada em uma linha: um casal em crise precisa tentar superar as diferenças para encontrar o filho desaparecido. Esqueça qualquer fórmula hollywoodiana. O filme não ficará mais fácil ou te trará respostas para te agradar.

Sem Amor

Curioso como no começo acompanhamos a história sob o ponto de vista do filho e logo o prisma muda para os pais. Já desde esse início vemos enquadramentos que prolongam o plano, a função é dar um peso maior a cada movimento e criar uma intimidade com aqueles personagens.

Inegável como fotografia e direção funcionam em Sem Amor. Basicamente fotografado com luz natural, o longa transmite um vazio e tristeza. Sentimentos esses que são “compensados” por selfies e sexo. Um anseio egocêntrico que gera raiva e confronto no menor estalo de discordância.

O contexto social e político local também é abordado com um subtexto que perpassa não só as notícias na TV, mas nas próprias atitudes dos personagens. Por vezes, contudo, tal elemento fica um tanto óbvio (como na cena da esteira) ou em diálogos carregados (como na conversa no refeitório, ali o papo soa artificial e mais presente para explicar uma situação para o público do que algo natural).

Sem Amor

Muitas cenas de Sem Amor soam desnecessárias e muito planos alongados. O resultado é um filme inchado, vide o primeiro ato ter 40 minutos, quando poderia cair pela metade. Os picos de emoção não equilibram o engajamento com o longa e mesmo os momentos contemplativos ficam saturados – basicamente pensamos: “ok, o filme parou, mas faz sentido”, porém logo questionamos: “será que já não poderia ter ido adiante?”.

As personalidades também evidenciam essa redundância. Os personagens pouco evoluem, sendo diversas vezes mostrado como o casal se odeia, como são diferentes e como os novos amantes são ótimos.

O lado mais forte de Sem Amor, que é completarmos na nossa cabeça como um homem e uma mulher podem chegar naquele ponto de divergência – já que pegamos a briga em estágio avançado. É o famoso “éramos tão felizes, por que hoje não conseguimos nos olhar? O que aconteceu?”.

O que ajuda nessa força são as atuações. Maryana Spivak faz o primeiro longa e já entrega um resultado surpreendente. O desespero e a fisicalidade  são transmitidos sem exageros. Aleksey Rozin, que já trabalhou com o diretor em Leviatã, consegue estruturar uma passividade e distanciamento com poucos gestos. E até o jovem Matvey Novikov, em pouco tempo em tela, traz momentos que reverberam durante todo o filme, vide a frustração inicial e até a desoladora cena do choro.

Sem Amor foi o filme que menos me agradou entre os candidatos da categoria. Sim, ele não foi feito para isso, mas o bom desconforto narrativo acabou ultrapassando a fronteira do cinematográfico e virou em alguns momentos algo somente desinteressante e tedioso.

Not rated yet!

Нелюбовь

Overview

Boris (Alexey Rozin) e Zhenya (Maryana Spivak) estão se divorciando. Depois de anos juntos, os dois se preparam para suas novas vidas: ele com sua nova namorada, que está grávida, e ela com seu parceiro rico. Com tantas preocupações eles acabam não dando atenção ao filho Alyosha (Matvey Novikov), que acaba desaparecendo misteriosamente.

Metadata
Writer Oleg Negin, Andrey Zvyagintsev
Author
Runtime
Country  Russia France
Release Date 1 junho 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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