#sarcasmo – Vende-se esta casa (2018) – Um novo tipo de suspense – Netflixing
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Assistir filmes produzidos pela Netflix está se tornando um mau hábito. No final do ano passado decidi que veria todos os longa-metragens originais Netflix de 2017, algo que só cumpri a uma semana atrás. Foi uma maratona de filmes de qualidade bem variável, desde excelentes como Os Meyerowitz: Família não se escolhe a filmes bem sofríveis como Sandy Wexler (ambos com Adam Sandler). E já comecei a assistir as produções de 2018. O primeiro longa do ano produzido pela Netflix foi o divertido e leve O rei da polca. Mas nada poderia me preparar para a segunda produção, o impactante Vende-se esta casa.

Se você tinha dúvidas se era possível fazer um thriller com base única e exclusivamente em um conceito, Vende-se esta casa irá sanar sua dúvida. Tudo o que foi necessário para realizar o filme foi construir uma mansão talvez mal-assombrada. E para inovar ainda mais no minimalismo, a mansão maligna tem uma enormidade de espaços, mas os diretores optam por utilizar apenas 3: o quarto, o banheiro, e o porão. Esta proposta reducionista direciona toda a estética narrativa de Vende-se esta casa.

Neste filme acompanhamos o terror de Logan, um adolescente que acaba de perder seu pai em um trágico acidente. Forçado por questões econômicas a morar em uma gigantesca mansão de sua tia. Mas a casa está a venda, e, uma vez por semana, Logan e sua mãe tem de receber pessoas desconhecidas, potenciais compradores do imóvel. Completamente apavorante.  Este incrível tema é reforçado pela supressão: os potenciais compradores da casa mal aparecem, quando aparecem. Mas o cotidiano familiar é destruído por atos malignos, como barulhos estranhos, objetos que somem, e a blasfêmia suprema: alguém desliga o aquecedor de água durante os banhos de chuveiro da mãe.

Dylan Minnette  também inova em sua interpretação. Sabendo do sucesso de sua interpretação em 13 Reasons why, o ator aposta no relacionamento emocional já criado com o público e apresenta o mesmo personagem. Exceto a paixão juvenil. Ou seja, temos um adolescente lento, passivo e um tanto desconectado de tudo. Com as mesmas caras e bocas da série. A novidade: é um atleta de corrida, e míope.

A lentidão e a corrida de Logan serve como suporte a uma das maiores ousadias da obra: a suspense sem ameaça. Várias vezes vemos Logan correndo pelas estradas e florestas, e a trilha cria um clima de tensão crescente, até que… a cena se encerra e nada acontece. Isto gera um novo tipo de censo de urgência: o espectador começa a se angustiar para que algo aconteça, e olha várias vezes para o relógio. A suspense se constrói em cima de quanto tempo irá demorar para que algo aconteça.

Já a miopia de Logan é uma referência ao que não se vê, ao que não se mostra. Um dos recursos mais comuns de filmes de terror e suspense, aqui elevado ao máximo. Muitas coisas não aparecem ao espectador simplesmente por que elas não existem! Sugere-se dúzias de clichês, e nenhum deles é executado. E nada se apresenta no lugar. É a desconstrução narrativa plena.

O desfecho da história beira a genialidade. Com certeza Matt Angel e Suzanne Coote, a dupla de diretores a se culpar por este filme, se inspiraram na máxima de H. P. Lovecraft. “A emoção mais antiga e mais forte do homem é o medo, e o medo mais antigo e mais forte é o medo do desconhecido.”, já dizia o mestre do terror. Então que tal criarmos um final completamente aberto? Tão aberto que parece com perdermos o final do filme e tentarmos reconstruir com base em nossa imaginação. Tão aberto que nos parece que nem diretores nem roteiristas sabiam onde queriam chegar. O final é tão inovador que é impossível não comentar sem contar a solução final.  O último parágrafo entrega a falta de solução final. SPOILER ALERT: saber o final do filme irá piorar sua experiência.

O genial de Vende-se esta casa é que é um filme que usa o clichê de casa mal-assombrada para fazer um slasher movie. Mas não qualquer slasher movie. No final nada sabemos sobre o assassino: nem seu rosto, nem seus motivos, nem sua história. Uma nova forma de antagonista: o antagonista não retratado. E que é capaz da terrível vilania de desligar o aquecedor. Sente o calafrio?

Nota #sarcasmo: 

Conheça os outros filmes que mereceram a #sarcasmo:
Resident Evil
Deuses do Egito

Anjos da noite: Guerras de sangue

 

Not rated yet!

The Open House

20181 h 34 min
Overview

Depois de uma tragédia, uma mãe e o filho adolescente vão viver nas montanhas numa casa desocupada de parentes. Lá, forças aterrorizantes e misteriosas os aguardam.

Metadata
Director Suzanne Coote, Matt Angel
Writer Suzanne Coote, Matt Angel
Author
Runtime 1 h 34 min
Release Date 19 janeiro 2018

Nota do Razão de Aspecto

 

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