#SARCASMO – O doutrinador – Revolução no cinema nacional
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Nós do Razão de Aspecto sempre destacamos como cinema nacional sempre é ruim. Finalmente isto muda agora. Seguindo o filão hollywoodiano de filmes baseados em HQs de super-heróis, temos enfim o filme nacional que supera qualquer coisa do Marvel Cinematics Universe: O doutrinador.

Apesar da vasta produção de filmes de gênero nacionais, O doutrinador entra para a história, se diferenciando por sua qualidade dramática, profundidade e obviedade.  O filme já começa com o excelente recurso de mostrar a cena de transição do primeiro ato para o segundo, em uma elipse temporal, e, meia hora mais tarde, reprisar a cena, agora dentro da cronologia. Porque? Acredito que o principal motivo tenha sido começar o filme com uma elipse temporal. Ou seja, por que sim.


O primeiro ato é simplesmente insuportável inquietante. Temos vontade de ir embora pular da cadeira. O ponto alto é a exploração ad nauseam do ato de violência que transforma o protagonista. Primeiro temos a morte da filha de Miguel sendo mostrada demoradamente. Em detalhes. Tim tim por tim tim. Depois temos vários flashbacks do que já foi mostrado, garantindo assim que a platéia entenda que O doutrinador sofreu com a morte repentina de sua filha. De forma heróica o personagem resolve lidar com o luto matando políticos corruptos. A ligação entre uma morte por bala perdida, de um atirador desconhecido, com uma vingança contra todos os políticos corruptos é clara. Tão linear quanto a trajetória de uma bala. Eu não entendi Apenas por isto não irei explicá-la.

Seguindo a tradição dos filmes de origem de super-heróis, O doutrinador ganha seu manto por acidente. No caso, por um arremesso de uma máscara de gás em meio a uma manifestação. E você achava que ser mordido por uma aranha radioativa era criativo!


Mas não apenas a motivação do herói é genial. As interpretações também. Kiko Pissolato, nome mais que desconhecido por seus enormes sucessos anteriores, passeia no filme. Quase literalmente. Ou melhor, se desloca no filme com uma cara de quem está com dor dente. Mas não é o único. Todo o elenco parece estar desconfortável diante da câmera. É o cinema gerando estranhamento. O destaque de interpretação fica para as cenas de reuniões de políticos. Vemos risos maquivélicos estilo bruxas da Disney e diálogos retirados dos piores chavões do cinema. Mas o auge mesmo é o pastor que ri contando dinheiro sobre a Bíblia. Sutil como uma revoada de hipopótamos.

A trilha sonora simboliza o caos e a desintegração da sociedade pela violência. Temos uma série de músicas que simplesmente não se conectam nem entre si, nem com as cenas. São boas músicas, ordenadas como por um shuffle de um iPod. E talvez seja isto mesmo. Seria a trilha de O doutrinador totalmente diegética? Assista e descubra.

Mas não apenas a trilha sonora simboliza o desfazer do tecido social brasileiro. Temos uma desconstrução da geografia brasileira, com o deslocamento do Congresso Nacional (mesclado com o Palácio do Planalto) para o caos urbano de uma metrópole, em uma elipse espacial perfeita.

E a mensagem final é preciosa. Em uma catarse explosiva visualizamos o sonho de todos os brasileiros. E em um momento de sabedoria política, logo após um ato de terrorismo extremo feito pelo nosso herói, vemos sua sidekick perguntar para audiência sobre o que devemos fazer para alterar o cenário político. Este tipo de mensagem pacifista é exatamente o que precisamos no atual momento de polarização.

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The Awakener

Overview

Metadata
Director Gustavo Bonafé
Writer Luciano Cunha, Gabriel Wainer, L. G. Bayão, Rodrigo Lages, Guilherme Siman
Author
Runtime
Country  Brazil
Release Date 20 setembro 2018

Nota do Razão de Aspecto

 

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