Power Rangers – O filme (2017) – Crítica
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Março é o mês da nostalgia… e para todos os gostos… A Bela e a Fera teve mais uma versão live action, mas espelhando a animação de 1991.  T2 Trainspotting trouxe o diretor e os atores para dar sequência à trama, vinte anos depois… Agora Power Rangers chega às telonas. Muitas gerações de Rangers passaram e angariaram vários fãs, notadamente a primeira foi a mais marcante. Então nada mais natural que ter uma versão no cinema com aqueles personagens.

Primeiro: é um filme dos Power Rangers, então espere um roteiro formulaico. 5 adolescentes mais ou menos desajustados ganham os poderes, enfrentam um monstro gigante e o final você já sabe… Esse definitivamente não é o problema aqui, quem desejar algo mais elaborado que isso vai se decepcionar ainda mais. Há pouco além de um episódio de 2 horas do seriado. Segundo: por ser um filme dos Power Rangers, então se espera que tenham lutas, música tema, dinossauros-robôs, etc. E tais elementos entram muito tardiamente na trama (a clássica música só é tocada uma vez). A ação é muito resumida. Quando ocorre é falsamente grandiosa e tampouco envereda para o lado galhofa…

A cena inicial se passa há milhões de anos e mostra o Zordon (Bryan Cranston) ainda na forma humana – ou um ser primal, quase humano – sacrificando-se para impedir os planos da maligna Rita Repulsa (Elizabeth Banks). Tal momento tem méritos, pois a direção opta por mostrar a coisa acontecendo. Não tem um letreiro chato, explicativo, para contextualizar o público. A cena em si é plenamente entendível. Um dos poucos acertos da produção que mais tarde vai vacilar exatamente nesse ponto.

Não tarda para conhecermos os nossos protagonistas. Cada qual com uma peculiaridade. Billy (RJ Cyler) continua sendo o mais inteligente e agora ele tem o acréscimo de ser autista (característica muito mal explorada, abandonada do meio para o final). Jason (Dacre Montgomery), o futuro líder do Rangers, é muito problemático, começa o filme em prisão domiciliar, ainda assim tem o senso de defender os mais fracos. Cito os dois, pois eles praticamente assumem os papéis principais, os demais também tem arcos próprios, mas de forma mais tímida. Seja com o tema de fotos nuas divulgadas ou na questão homossexual, abordado quase num piscar de olhos. Em suma: eles tentam dar uma profundidade dramática, porém tal elemento é muito raso e só come tempo da ação de fato. O segundo arco é quase choroso – no sentido mais melodramático possível. Precisava de uma enxugada considerável.

O argumento que é um filme de origem não é suficiente para sustentar os problemas. A trama é morosa e banal, a falta de ritmo e de um argumento mais robusto não está relacionado propriamente com ser a descoberta dos poderes. Aliás, alguns momentos onde os novos heróis estão tentando entender como as coisas funcionam são eficazes – inclusive há um momento capital onde eles tropeçam e “resolve” um problema antigo de estar diante da novos equipamentos e dominá-los perfeitamente. As motivações dos personagens e a movimentação é que é duvidosa. A direção fraca de Dean Israelite, apenas no segundo longa da carreira, também não dá viço. Ele não tem perícia para as cenas de ação e tampouco força dramática para os momentos mais intimistas. Repare na cena da fogueira e veja como os atores estão dispostos de forma equivocada, além de parecer apenas dizer o texto. Ou então no grande confronto, dentro do Megazord, quando o rosto dos atores é mostrado ao invés das máscaras. A ideia era vender caras e bocas, como se a situação em si não fosse suficiente para entendermos o que aqueles jovens estavam passando. .

Não clamava aqui por diálogos para ganhar um Oscar. Contudo, boa parte da trama não precisavam ter falas expositivas e redundantes. Um personagem vira para outro e explica o que está fazendo ou então o que vai fazer. O cúmulo disso é a vilã Rita Repulsa passar o filme todo falando sozinha destrinchando sabe-se lá para quem os próprios passos, faltou só a piscadinha para o público (se tivesse seria mais honesto). A personagem é completamente errada. Além desses desnecessários monólogos, ela toma uma atitude inexplicável quando se confronta com os Rangers… Então pelo menos ela causa a repulsa do sobrenome…. (nota do editor: desculpem pelo trocadilho ruim).

Power Rangers – O filme entrega menos que poderia, Alpha 5 um dos personagens mais engraçados da série está quase sisudo aqui. Zordon não tem o papel de mentor e até os Bonecos de Massa estão esquecíveis. O Goldar lembra o Apocalipse de Batman vs Superman, não tem personalidade. Power Rangers é mais longo do que deveria, não sabe o que quer ser e deixa o melhor, que nem é tão bom assim, para enxutos vinte minutos finais. Demorar quase 1h40 para vê-los paramentados é quase inaceitável. Ou seja, Power Rangers tem potencial para desagradar os críticos mais “cults” e o público que só quer uma aventura pipoca.

PS: para os fãs: atentem-se para a homenagem aos Rangers antigos e fiquem depois dos créditos que tem uma rápida (e óbvia) cena.
PS²: trocar country music por música sertaneja na legenda foi fogo…

 

 

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Power Rangers - O filme

2017Duration unknown
Overview

A jornada de cinco adolescentes que devem buscar algo extraordinário quando eles tomam consciência que a sua pequena cidade Angel Grove - e o mundo - estão à beira de sofrer um ataque alienígena. Escolhidos pelo destino, eles irão descobrir que são os únicos que poderão salvar o planeta. Mas para isso, eles devem superar seus problemas pessoais e juntarem sua forças como os Power Rangers, antes que seja tarde demais.

Metadata
Director Dean Israelite
Writer
Author
Runtime Duration unknown
Country  Canada
Release Date 23 março 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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