Pokémon O Filme: Eu Escolho Você! (2017) – A Nostalgia nos pega?

Pokémon é uma franquia de games que existem há mais de 20 anos e que logo foi para a TV em uma animação que servia para divulgar/alimentar o joguinho. Fora isso, um incontável número de fãs foram adquiridos com o card game, mangá ou bonecos. Além, é claro, de filmes, um por ano – este, Pokémon O Filme: Eu Escolho Você! (2017), é o 20º dos monstrinhos.

Acompanho a saga há duas décadas, mas vou separar aqui o meu lado de Mestre Pokémon e irei me concentrar na análise cinematográfica. E posso fazê-lo de cabeça tranquila, pois Pokémon o Filme (2017) funciona, pasmem, como filme!

Obviamente que os fãs irão ter uma relação com a expressão cinematográfica e identificarão diversos momentos, estranharão outros e sim, o efeito nostálgico será completamente bem realizado. Uma decisão acertada nesse sentido foi colocar várias temporadas em um só lugar, na tentativa de contemplar as várias gerações (de fãs e Pokémon).

A trama aqui é bem simples, mas nunca simplória. Tanto o protagonista Ash, um treinador Pokémon novato que inicia a jornada aos 10 anos, quanto o fiel escudeiro Pikachu, possuem um arco de amizade, cheio de idas e vindas. Sem dúvidas que a melhor coisa aqui é o carisma de Pikachu que exala fofura e possibilita algo inesquecível. A relação dos dois é sincera e a obra lida muito bem com essa questão.

Ash e Pikachu saem em uma jornada disputando batalhas com outros treinadores e Pokémon. Junto com amigos recém conhecidos, adversários e vilões, eles conhecem alguns Pokémon raros que aparecem e os caminhos se tornam ainda mais emocionantes.

O primeiro ato presta dois tributos ao desenho: um começo quase literal fez com que eu temesse que fosse apenas um episódio esticado da estreia da animação. Depois seguimos para uma colagem com diversos momentos acelerados de cenas da jornada. Este segundo momento do início serve para estabelecer de forma um pouco confusa o universo para quem não o conhece e gera um estranhamento nos fãs, ambos os poréns resolvidos posteriormente.

Destaques para a música tema (que marca o prólogo e vem em uma releitura que funciona), a captura do primeiro pokémon e a batalha no Ginásio de Celadon. Com mais ou menos funções narrativas (menos para este terceiro) tais cenas ainda não mostram o que o filme viria a ser para além da nostalgia.

Eis que o segundo ato começa e tudo muda, no melhor sentido. Um ar sombrio toma conta. O protagonista estabelece decisões corajosas – narrativamente falando – o filme arrisca um momento que pode até chocar (ainda dentro de um limite saudável para uma produção infantil). Tendo alguma possibilidade de lágrimas aqui.

Já no terceiro ato há uma outra boa quebra na estrutura e vemos uma sequência de batalhas que ressignificam alguns dos personagens, tudo dentro de um sentido que estava mais ou menos claro anteriormente e que fecha de modo coerente aquela história. E um diálogo é muito especial, no qual as lágrimas deixam de ser uma possibilidade e vem aliadas a uma surpresa que tornarão este filme icônico.

Alguns problemas, contudo, podem ser apontados. O trio da Equipe Rocket nada mais é do que uma gag visual, com piada repetida e zero função na história. Parece até que eles forma inseridos posteriormente para cumprir uma cota com os fãs.

O começo, pouco explicativo, ou melhor com uma sempre bem-vinda explicação visual, perde espaço para um texto carregado de flashbacks e um personagem que está lá apenas para dizer o que estamos vendo na tela, algo condenável. E certos elementos estabelecidos naquele universo são contraditos logo depois – a relação de poderes e evolução serve como exemplo.

Já figura de Ho-Oh, uma ave lendária, e dos três cães, Suicune, Entei e Kaikou, também lendários, relacionam-se com o poder da natureza. Não precisamos de muito para sentir o ar místico do primeiro e a imponência dos outros três. Fica um pouco nebuloso o que impulsiona Ho-oh a ter um escolhido (mote da história), fora isso, ele tem uma presença constante – mesmo quando ausente da tela. Os cães, contudo, poderiam ser mais explorados e se limitam a uma aparição pontual.

Visualmente ocorre algo curioso. Comparado com o traço original do desenho, há um evidente avanço. Na primeira cena o impacto é nítido. Mas considerando este produto como único, vemos uma inconstância que incomoda.

Por um lado temos, principalmente em planos detalhes, um traço mais simples. Por outro, principalmente nas paisagens, há uma exuberância digna de qualquer grande estúdio. No meio disso, uma movimentação dinâmica das batalhas equilibra um certo ar estático, típico de desenhos japoneses. Uma cena com vários Pokémon do mesmo exemplar (não vou dizer qual para evitar o spoiler) pesa e o efeito gráfico tira a emoção do momento.

Voltando aos acertos, além de Pikachu, o Ash possui caterpie e Charmander como Pokémon. Essa opção mais concisa (normalmente um treinador tem 6 bichinhos) possibilitou um desenvolvimento de cada um e uma fácil identificação com o público. Quem por ventura não conhece a série, pode ter vínculo com aqueles personagens.

Pokémon O Filme: Eu Escolho Você!
(2017) pode ser visto sob três óticas: 1 – como animação infantil ele alterna um universo gigante e curioso, cheio de mensagens bem-vindas aos pequenos, com uma certa dúvida da capacidade das crianças, daí as famigeradas explicações. 2- como fanservice nostálgico há um brilho raro. O diretor Kunihiko Yuyama entende onde ele está pisando e sabe construir com aquele material. 3 – como filme isolado tem altos e baixos, mas rende uma experiência engajante e com um saldo positivo.

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Pokémon O Filme: Eu Escolho Você!

Overview

Ash e Pikachu saem em uma jornada disputando batalhas com outros treinadores e Pokémon. Junto com amigos recém conhecidos, adversários e vilões, eles conhecem alguns Pokémon raros que aparecem e os caminhos se tornam ainda mais emocionantes.

Metadata
Director Kunihiko Yuyama
Writer
Author
Runtime
Country  Japan
Release Date 15 julho 2017

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