Planeta dos Macacos: A Guerra (2017) – Crítica
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Hoje temos a estréia de Planeta dos Macacos: A guerra nos cinemas brasileiros. Eu tive a oportunidade de conferir o mais novo filme da franquia antes da estréia, infelizmente apenas na versão dublada. Se você não conhece a franquia, ou quer saber um pouco mais de Planeta dos Macacos, sugiro (re)assistir a Planeta dos Macacos: A origem e a Planeta dos Macacos: O Confronto antes de entrar na sala de cinema.  É importante conhecer o passado do chimpanzé Caesar, protagonista do filme. Sugiro também ler nosso pequeno texto sobre a franquia.

O nono filme da franquia, terceiro do reboot iniciado em 2011, tinha uma difícil tarefa a cumprir: apresentar algo novo e ao mesmo tempo se referir as obras anteriores e manter o nível de qualidade do filme anterior. O confronto foi o melhor episódio da franquia desde o filme inaugural de 1968. Além da qualidade dos efeitos especiais, fazendo os macacos mais convincentes que os humanos, em O Confronto tivemos um excelente roteiro e um duelo inesquecível entre Caesar e Koba pela liderança do grupo. Com a morte de Koba um vazio dramático enorme teria que ser preenchido.

A Guerra resolveu o vazio deixado por Koba de duas formas. Primeiro temos um novo antagonista, o Coronel, personagem de Woddy Harrelson (de Sete Psicopatas e um Shih Tzu). Além disto a presença de Koba como um fantasma do passado a ser superado aparece diversas vezes nos momentos mais conflituosos de Caesar. O Coronel é um antagonista muito interessante, representante do talvez último grito dos humanos pela supremacia. Um grito primal, quase animalesco, desesperado e destrutivo. A interpretação de Harrelson parece estar boa, pelo que deu para notar por detrás da irritante e estridente dublagem, sempre um ou dois tons acima do aceitável, retirando o carisma dos discursos do personagem.

Andy Serkis continua sendo o meu ator favorito para personagens que usam de captura de movimentos. Desde o Gollum de Senhor dos anéis sabemos de seu talento, mas é em Caesar que vemos o melhor de Sarkis. E ele não se contenta em manter a qualidade dos filmes anteriores. Caesar evolui a cada filme, se tornando mais complexo, e carregando as cicatrizes emocionais de seu passado. Em A Guerra Caesar é o único macaco que ainda carrega alguma empatia pelos humanos, e tem de lidar com os atos do Coronel.  E com isto o conflito interno de ser o rei entre os macacos e admirar os humanos chega ao máximo.

Neste filme entendemos como Caesar atinge a estatura de mito para os macacos do futuro. A simbologia dele como messias chega ao máximo, e Caesar se torna uma mistura de Spartacus com Cristo, tendo direito até a uma espécie de crucificação. A cena final entre Caesar e o Coronel é um resumo do próprio filme, e um pouco dos três filmes do reboot.

Muitos dos outros personagens estão presentes, como Maurice, Rocket, Cornelius… e até um personagem vindo da década de 70 aparece, para alegria dos fãs dos primeiros filmes. Infelizmente o macaco mais novo introduzido na história é um desastre. O Macaco mau, um chimpanzé de zoológico que ganhou inteligência, é uma ótima idéia a princípio. É como o filme introduz a idéia de que, a partir de agora, o grupo de Caesar não são mais os únicos macacos inteligentes do mundo. Infelizmente eles fazem do personagem um alívio cómico desnecessário ao filme e mal executado. Similar a um Jar Jar Binks, temos alguns momentos de comédia pastelão exagerada e destoante de todo o resto.

Talvez parte do meu desagrado com o Macaco Mau se deva a dublagem. A voz infantilizada destoa ainda mais de todos os outros macacos. Mas mesmo com uma voz adequada, fica difícil entender a necessidade de alívio cômico infantil no filme. Se em O Confronto temos momentos brilhantes onde Koba usa de humor corporal para manipular humanos e os fazer de bobos, em A Guerra temos um literal macaco bobo, incoerente com toda a evolução dos demais macacos.

Os efeitos especiais estão novamente fantásticos, em especial o uso de CGI e captura de movimentos para os macacos. A construção dos ambientes símios e humanos é primorosa, e a forma como os soldados humanos é mostrada faz com que nos identifiquemos cada vez mais com os macacos. O uso da água e da escuridão como escudo tanto para os humanos como para os macacos nos deixa constantemente a espera de um inimigo surgir no pior momento. As cenas de ação são tensas, e apesar de termos uma dose alta de tiros e explosões, sempre há significado dramático, e não só pirotécnico (sim, Michael Bay, pensei em você).

O tema da violência racial aparece nitidamente. A forma como os soldados do Coronel tratam os macacos é repulsiva, e desagradavelmente familiar a como por vezes humanos tratam humanos. Infelizmente na versão dublada se optou por traduzir literalmente o termo donkey, o que muitas vezes gerou um humor involuntário de humanos tratando macacos por jumento. Mas o pior momento de humor involuntário foi a narrativa em off introduzida para ler os escritos nos capacetes dos soldados. Absolutamente dispensável.

No geral, A Guerra mantém a qualidade de seus antecessores, apesar de alguns escorregões, e consegue manter o nível da excelente safra atual de blockbusters. Com Dunkirk, Em ritmo de fuga e Planeta dos Macacos: A guerra, ninguém pode reclamar que não temos grandes produções de qualidade ultimamente.

Hoje a noite pretendo voltar aos cinemas e assistir finalmente o filme com áudio original, e caso ache pertinente, colocarei novas observações aqui.

Not rated yet!

Planeta dos Macacos: A Guerra

20172 h 20 min
Overview

César e seus macacos são forçados a um conflito mortal contra um exército de seres humanos liderados por um Coronel implacável. Depois que os macacos sofrem perdas inimagináveis, César luta contra seus instintos mais escuros e começa sua própria busca mítica para vingar sua espécie. À medida em que a jornada finalmente os coloca cara a cara, César e o Coronel se enfrentam em uma batalha épica que determinará o destino de suas espécies e o futuro do planeta.

Metadata
Director Matt Reeves
Writer Mark Bomback, Matt Reeves
Author
Runtime 2 h 20 min
Country  Estados Unidos
Release Date 22 novembro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 3    Média: 4/5]
  • Maurício Costa

    Taí um filme que to esperando pra ver, ansiosamente.

  • Diego Carvalho

    Filmão, melhor blockbuster do ano até agora!