Pica-Pau : O Filme (Woody Woodpecker, 2017) – Crítica
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Pica-Pau dispensa apresentações, você muito provavelmente já viu algum episódio e várias citações se tornaram memes nas redes sociais. Não à toa, o simpático/lunático pássaro foi o primeiro desenho exibido na televisão brasileira, lá na saudosa TV Tupi. Atravessando emissoras, tivemos a icônica gargalhada na Record, SBT e Globo. De 1940 até hoje, o personagem mudou de forma e de personalidade e já foi até indicado ao Oscar nas categorias Canção e Curta Animado.

Já o filme Pica-Pau de 2017…. bem… não vai ser lembrado no Oscar (Framboesa, talvez?), não merece espaço na emissora mais obscuras e tampouco é ruim a ponto de dar a volta e ficar bom para ser lembrado em memes por aí… o longa, que sequer será lançado nos cinemas americanos (vez ou outra eles têm bom senso), entrega um material fraco em várias frentes.

Por conta disso, tentarei ser didático e farei uma crítica em tópicos.

1- PÚBLICO-ALVO:

Pica-Pau por estar no ar há mais de 70 anos tem potencial nostálgico muito forte. O filme, contudo, não procura quaisquer aproximações com os adultos. A obra tem um enfoque infantil. Um desperdício, creio, mas problema algum a priori. O ponto é tratar as crianças como sem capacidade mental. A quebra da quarta parede, recurso válido se bem dosado – vide exemplos como Curtindo a Vida Adoidado e Deadpool. Aqui chega no extremo de o personagem colocar fogo na casa e virar para o público se desculpando e indicando que isso é errado, que aquilo é só um filme (como se as crianças que viram o desenho esse tempo todo fossem incendiárias. Ou não coloca a cena ou não coloca a desculpa). O alívio cômico vira preguiça do roteiro. Por vezes, o texto fica distante das crianças, o que nos leva ao próximo ponto:

2- TRAMA E SUBTRAMAS:

Uma mensagem ambiental de proteção à vegetação e aos animais é muito bem-vinda. A forma, maniqueísta e estereotipada, é o problema (não foi a primeira e nem será a última vez que vou usar essa palavra aqui). Tudo que move o roteiro tem cenas burocráticas para seguir a trama. Falta amarrar os acontecimentos de uma forma mais orgânica. Arrisco que metade dos personagens sobram na história. Há uma subtrama de doença na família, demissão, caçadores, um festival de música, vigilante ambiental, além das relações principais de pai-filho com o Pica-Pau. Relação essa que falta especialmente carisma e criatividade. Fica como resumo palavras de uma criança que estava na sessão: “já vi essa história algumas vezes. Me lembrou vários filmes”. A coisa é genérica até para uma criança….

3- ATUAÇÕES:

A sessão para jornalistas, onde vi o filme, foi dublada. Logo, a análise das interpretações fica prejudicada. Vale o comentário, contudo, que a dublagem está bem ruim. Com vozes que pouco combinam e sem a sincronicidade devida. Timothy Omundson (que tem muitos trabalhos em séries) traz uma persona sem carisma. A brasileira Thaila Ayala vive o ápice do esteriótipo da mulher fútil – além da personagem ser dispensável, o próprio filme faz isso ao tirá-la de cena, a composição dela não convence. O jovem Graham Verchere não compromete, mas também não há nada de destacável. Dado o texto tão ruim, não o condeno. Agora a dupla Scott McNeil e Adrian Glynn McMorran fazem caretas pro vazio e lembram Bulk e Skull dos Power Rangers….

4- PARTE TÉCNICA:

Mesmo com orçamento limitado fica difícil justificar certas decisões aqui. Não exigi um CGI à la Mogli ou Planeta dos Macacos, mas o mínimo temos que ter. A interação Pica-Pau/humanos/cenário é pífia. Vemos uma dificuldade imensa dos atores em dialogar fisicamente com o pássaro. A textura dele não soa natural. Os efeitos da movimentação já nascem datados. Fora isso, a montagem ignora a coesão. Há cenas completamente deslocadas, que servem para uma gag solta. Cortes bruscos que denotam amadorismo ou pressa. Os efeitos sonoros na mixagem estão descompassados em relação ao que vemos em tela. Esses detalhes, talvez não sejam reparados pelas crianças, mas não posso me furtar de apontá-los.

5- O PICA-PAU

O astro, personagem título, consegue ser um dos maiores problemas em um filme todo problemático. Não vou nem cogitar uma comparação com o carisma e malemolência do desenho – para quem quiser ter uma noção vale a semelhança do que Torre Negra e Death Note fizeram com o material original, com a atenção de que uma adaptação boa não significa ser fiel…

O que torna o personagem ruim é quase que uma amalgama de tudo que foi citado aqui. Os mais velhos não vão sentir empatia, os mais novos irão rejeitar serem tratados como imbecis…. Os “poderes” do Pica-Pau o tornam quase imbatível, menos quando o roteiro precisa… As piadas mais complexas se pautam em arrotos e flatulências.



Slogans do desenho cabem bem: “se o Pica-Pau tivesse comunicado para a polícia isto não teria acontecido” e
‘“Em todos estes anos nessa indústria vital, esta é a primeira vez que isto me acontece!”

Ou então um simples: “e la vamos nós…”, com todo pesar…

Not rated yet!

Woody Woodpecker

Overview

Uma família tentará construir uma casa, mas não conta com a fúria do Pica-Pau

Metadata
Director Alex Zamm
Writer
Author
Runtime
Release Date 5 outubro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 3    Média: 2.3/5]
  • Leonardo Miotti

    Espero que nunca façam algo com Tom & Jerry

    • Lucas Albuquerque

      Dá pra fazer, fazendo bem feito…. mas tom e Jerry politicamente correto tá um saco

  • Maurício Costa

    Rapaz, este filme só não vai ganhar o Framboesa de Ouro porque sequer vai ser lançado nos cinemas de lá. É tão ruim, mas tão ruim, que vai pra lata de lixo da memória. hahaha

    • Lucas Albuquerque

      Fica como um Framboesa moral pra ele então kkk