Pantera Negra (Black Panther, 2018) – Marvel Voltou a Acertar – Crítica
Pantera Negra

Pantera Negra abre com uma apresentação do universo do personagem. Tal momento é marcado por tradições orais e já pontua dois temas centrais do longa como um todo: o respeito aos rituais e à família. Apesar disso e do atrativo visual, essa introdução soa preguiçosa e acaba assumindo: “eu, roteiro, sou incapaz de contar a história no corpo do meu filme”. O que é uma pena, pois ele é tão capaz que o faz de modo competente, então aqueles segundos iniciais perdem força.

A trama começa uma semana depois dos acontecimentos do Capitão América: Guerra Civil – então se não viu aquele filme pode tomar um spoiler (inclusive neste texto). O lado positivo é que não há uma grande dependência de outras produções do Universo Cinematográfico da Marvel, nem mesmo do filme supracitado. Acompanhamos, portanto, o príncipe T’Challa na transição para Rei de Wakanda, após a morte do pai T’Chaka.

Em meio a isso temos alguns artefatos que servem como MacGuffin, ou seja um instrumento para mover a história, mas o diferencial aqui é que o próprio reino é um MacGuffin, além do próprio poder do Pantera, o que traz repercussões diferenciadas para o desenrolar dos acontecimentos.

Pantera Negra

Não tarda para outro diferencial, o técnico, de Pantera Negra aparecer. Com a destreza do personagem título e uma potência em todas as frentes nesses quesitos, não será surpresa se o filme for lembrado em premiações nas categorias técnicas do ano que vem. Vide a qualidade e variedade dos figurinos e maquiagem.

A trilha não diegética explora tambores que marcam com precisão o pulso da obra. Certos acordes lembram algo de O Rei Leão. Na parte diegética, os cânticos ritualísticos dão um ar litúrgico essencial. Você se sente envolvido por aquele ambiente, sentido o peso de todas as tradições. Se o ótimo desenho de som não for suficiente para ti…

A cinematografia irá atender de forma plena. Veja na maior e melhor tela possível. Os cenários variados compõem uma dança variada de texturas. Seja em campos abertos, em gélidas montanhas, nas ruas da Coreia ou no interior dos laboratórios. Cada um transmite uma identidade singular e são captados por uma câmera que traz movimentos vigorosos sem encobrir a ação.

Pantera Negra

Por falar em ação, as lutas empolgam por alguns motivos. Além da já citada parte técnica, que claro continua exemplar nessas sequências, temos um senso de perigo e urgência que a despeito de alguma repetição, tornam os confrontos físicos atraentes de efetivos para a proposta. A cena do cassino traz um plano sequência que já vimos na obra anterior do Diretor Ryan Coogler: Creed – Nascido Para Lutar .

A computação gráfica, essencial em blockbusters desse tamanho, aqui gera um duplo efeito. Por um lado temos o deslumbrante espaço de Wakanda, por outro grita-se com frequência que estamos diante de algo feito no computador. O peso desse quesito não chega a atrapalhar a imersão, porém o saldo é menos positivo do que poderia.

Na parte textual, o mote de Pantera Negra é o compartilhamento ou não da tecnologia local com o mundo. Enquanto subtexto, a coisa funciona e gera debates e questionamentos. Mas quando vira o foco, perde-se a sutileza e o andamento fica repetitivo. Tanto que o desfecho é abrandado na carga emocional – salvo por uma dolorida frase sobre o tráfico negreiro e as soluções encontradas pelos escravos.

As questões genealógicas têm muita importância aqui. Para além do mundo dos vivos, com repercussões claras, há um respeito pelos ancestrais. Duas cenas evidenciam esse ponto e trazes momentos tocantes.

O humor questionável do estúdio aqui obviamente dá as caras novamente. Depois do pífio Thor Ragnarok e do reciclado Guardiões da Galáxia Vol 2, aqui, no geral, as brincadeiras funcionam e não atrapalham o ritmo. Salvo em dois momentos: um que tenta dar uma reviravolta no combate na água, mas que não combina com a seriedade do momento. O segundo envolve a americanização de um objeto sem que haja tempo hábil para tal.

A destacar o elenco predominantemente negro. Fato que hoje não poderia ser diferente, mas que em outros tempos rolaria um vergonhoso blackface. Chadwick Boseman, já apresentado no filme anterior, dá a firmeza (ainda que uma firmeza vacilante de quem acabou da assumir o trono) que o personagem precisa. Tem carisma, boa fisicalidade e funciona nos momentos de drama e de combate.

Pantera Negra

Michael B. Jordan, que já trabalhou com o diretor, quase rouba a cena. Antítese perfeita para o protagonista, Jordan impõe um temor justo e carrega dores que não justificam certas atitudes dele, mas que o tornam crível narrativamente. Lupita Nyong’o não faz o melhor trabalho da carreira, mas apenas por mérito próprio outrora, já que ela cumpre devidamente o caráter da personagem.  Daniel Kaluuya é outro que tem a firmeza como marco e também apresenta um bom contraponto. Andy Serkis, um dos poucos brancos do elenco, empresta uma canastrice essencial ao vilão Klaue.

Pantera Negra tem sim um forte teor político e social. Mas o grande acerto do filme é justamente usar esses elementos em prol do resto e ter uma narrativa que se estruture para uma causa. Um belo exemplo disso é a rima da citação dos negros nos EUA e na África. Tal elemento tem um grande sentido para a trama.

PS: como de costume há duas cenas pós créditos. Uma com alusão ao Donald Trump (típica alfinetada que já está batida) e que fecha uma consequência das decisões tomadas no filme e a outra fazendo referência a outro filme da franquia Marvel.

Veja a nossa Mesa Quadrada Sobre o filme. Nela analisamos mais profundamente cada detalhe:
https://www.youtube.com/watch?v=g6J8M0iIJcI

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Pantera Negra

Overview

Após a morte do rei T'Chaka (John Kani), o príncipe T'Challa (Chadwick Boseman) retorna a Wakanda para a cerimônia de coroação. Nela são reunidas as cinco tribos que compõem o reino, sendo que uma delas, os Jabari, não apoia o atual governo. T'Challa logo recebe o apoio de Okoye (Danai Gurira), a chefe da guarda de Wakanda, da irmã Shuri (Laetitia Wright), que coordena a área tecnológica do reino, e também de Nakia (Lupita Nyong'o), a grande paixão do atual Pantera Negra, que não quer se tornar rainha. Juntos, eles estão à procura de Ulysses Klaue (Andy Serkis), que roubou de Wakanda um punhado de vibranium, alguns anos atrás.

Metadata
Director Ryan Coogler
Writer
Author
Runtime
Release Date 13 Fevereiro 2018

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