Os Guardiões (Zashchitniki, 2017) – O vergonha alheia do ano!
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Não há como começar a crítica de Os Guardiões sem pedir desculpas. Eu, Lucas Albuquerque, peço perdão a todos os filmes que falei mal este ano. Nenhum chega aos pés de Os Guardiões. Sensação parecida tive com Deuses do Egito no ano passado. Uma coisa é inegável: em alguns momentos a coisa envereda para um lado que fica difícil conter o riso, infelizmente o humor foi totalmente involuntário (e o humor voluntário é péssimo…).

A trama é a mais genérica possível: um grupo de heróis, que tem um quê de X-Men (sem querer ofender os X-Men), é recrutado para acabar com os planos de um super-vilão. A tentativa russa de ter o próprio time de super é, claro, totalmente válida – eles representarem várias etnias do continental país, idem. E paramos por aqui em qualquer coisa que arranhe uma possibilidade de elogio, já que o próprio filme para na ideia… que execução foi aquela?

Tentarei ser o mais profundo possível na descrição dos personagens: um cara que vivia isolado e manipula pedras. Um outro cidadão que é ágil e tem lâminas afiadas. Um mano-urso que é um mano-urso. E a cereja do bolo: a menina que ao tocar na água fica invisível (se ela tocar na própria saliva conta?) e não sente frio ou calor.

Cada herói e o respectivo poder tem uma cena para se apresentar para o público. O desenvolvimento daqueles traquejos é nulo. Por mais que eles vistam uma armadura posterior, em uma nova cena de apresentação e novamente sem desenvolvimento, acaba que termina do jeito que começou. Salvo por um detalhe: o poder da amizade. Quase que um misto de megazord com Digimon.

Em um dado momento cogitei perguntar para um colega o sentido de uma cena. Logo percebi que essa pergunta era inocência minha, buscar sentido naquelas ações era uma tarefa vã. Mas vamos ficar só nos clichês… histórias clichês são bem comuns, porém aqui eles conseguem se superar. Frases de efeito, poses, olhares, movimentos, tudo sincronizadamente para deixar qualquer Power Ranger com inveja. Se o filme fosse uma paródia seria uma piada até divertida e aí vem o problema: a ideia era ser sério.

O melhor (ou pior) é que em muitas falas sobe uma música, completamente fora do tom, para passar uma emoção que combina em nada com o que está ali ou para criar um clima que a única reação possível são gargalhadas. Quando alguém diz algo importante, temos o famoso: TAN!

Falar das coreografias nas cenas de ação é algo um tanto árduo, pois eles simplesmente desistem de botar a galera pra lutar. Os poucos embates físicos – sendo que boa parte dos personagens tem uma força física descomunal – não empolgam, tem zero criatividade ou movimentos que saiam do mais reles.

Se você não for convencido pela ação pífia, calma que pode piorar… um melodrama recheado de frases como: “tenho medo de ficar sozinho” e “não aguento mais ter que me mudar” são os versos mais inspirados…. Sem falar em todo o subtexto de amizade que torna Esquadrão Suicida um primor nesse tema. O discurso é forçado goela abaixo e é tratado sem qualquer esmero, como tudo aqui.

Bom, não vou ser injusto, eles se esforçam para explicar e re-explicar o que já havia sido explicado e re-explicado. A insistente câmera lenta para que o público não perca de vista a destreza do camarada ou alertas como: “Um movimento errado e todos morrem” se fazem presentes.

E vale comentar da equipe que fica no QG. Eles estão lá para destrinchar cada ato e para fazer careta quando a coisa está ruim e bater palma quando fica tudo bem. Nada barra o professor e a Major. Eles têm uma função narrativa um tanto quanto limitada e sem sentido (droga, falei que não ia buscar sentido… não resisti).

Por falar em limitado, Os Guardiões tem um orçamento MUITO baixo. Isso fica evidente no CGI. A computação gráfica grita a todo instante. Muitas vezes parecem que os personagens estão olhando para um grande nada. E a frase “chover no molhado” foi ressiginificada: a chuva aqui não molha. Nem vou criticar muito esse quesito. Sinceramente: deu pena.

O que não me conformo é no tesão do diretor em enfileirar o grupo, sempre que tem oportunidade coloca-se um ao lado do outro, às vezes com uma postura cool e descolada. Parece que os responsáveis pelo filme viram um par de longas do gênero, produzidos há algumas décadas e ainda conseguiram entender errado…

Os Guardiões é de origem russa. A versão exibida para imprensa contou com uma incrível dublagem americana que tornou todos esses defeitos ainda mais evidentes. A falta de sincronia e de emoção e inexplicável. Não sei se os brasileiros são os melhores dubladores do mundo, como se pinta por aí, mas pelo que vi aqui estamos anos-luz a frente de uma galera…

Sabe aquela máxima de “é tão ruim que fica bom”? Não sei se Os Guardiões dão essa volta, apesar de algumas risadas, creio que fique só no ruim mesmo….

PS: há uma cena pós-créditos que é tão embasbacante quanto o resto…..

Not rated yet!

Защитники

2017Duration unknown
Overview

Metadata
Director Sarik Andreasyan
Writer Andrey Gavrilov
Author
Runtime Duration unknown
Country  Russia
Release Date 14 fevereiro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 3    Média: 2.3/5]
  • Jailson Mendes

    Achei bom!
    Wow
    😂

    • Lucas Albuquerque

      O que você gostou? Nenhum dos defeitos apontados te incomodou?